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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Os desafios que se seguem à criminalização da misoginia Milly Lacombe Colunista do UOL 26/03/2026 12h09 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O vereador Adrilles Jorge, da Câmara Municipal de São Paulo, usou uma peruca para criticar a lei que criminaliza misoginia Imagem: Reprodução/Youtube Misoginia vai virar crime tipificado por lei. Trata-se de uma vitória da luta feminista, de uma conquista das mulheres que estão hoje batalhando e também de todas as que vieram antes. Desde que existe patriarcado existem mulheres se revoltando e isso vale ser repetido. Mais um passo dado, mas ele não pode significar o fim da caminhada porque há inúmeros desafios pela frente. O primeiro deles eu diria que é popularizar a compreensão do que é misoginia. Misoginia é uma ideologia. O machismo é a estrutura e a misoginia é a ideologia. O que isso quer dizer? Quer dizer que a misoginia atua nas sombras. Ela não se faz perceber. Ela existe como pilar de um regime hegemônico, que é o da heterossexualidade patriarcal compulsória. E, por ser ideologia, ela é tinhosa. Feito uma massa gosmenta, ela sai pelos lados quando agarrada. Como resolver essa complexidade? Com letramento, com educação, com pedagogia. Uma lei que apenas puna é um teatro de transformação. Apenas um simulacro de democracia que nada fará pela construção de uma nova sociedade. Será preciso reforçar a lei com aparatos pedagógicos e também letrar o judiciário, um ambiente altamente masculino e - surpresa - misógino. Carla Araújo Sessão de hoje deixa evidente fissuras no STF Josias de Souza Supremo institucionaliza o império dos penduricalhos Sakamoto Plano 'infalível' de Zambelli não se mostrou tão eficaz Dora Kramer STF amenizou, mas não acabou com os privilégios Outro ponto fundamental seria perceber que uma ideologia é sempre sustentada por um aparato cultural, político e econômico muito forte e invisível. A criminalização da misoginia só funcionará se ela vier reforçada com mudanças na estrutura financeira da sociedade. Salários mais justos, salários iguais aos dos homens, políticas de reparação, Bolsa Família, bolsas de estudo, bolsas de especialização etc. Essa ações darão liberdade material para que mulheres possam sair de relações de opressão. A criminalização deve ser celebrada porque é de fato uma conquista. Mas ela não basta em si. Vai ser preciso exigir vontade pedagógica e políticas públicas porque se formos prender um misógino por vez não há estrutura penitenciária que consiga dar conta. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Plano 'infalível' de Zambelli termina como roteiro de Cascão e Cebolinha Chá de casca de melancia faz bem à saúde; veja como preparar e cuidados Para que serve a hidroclorotiazida? Veja como tomar e efeitos do remédio Transmissão ao vivo de Brasil x França pelo Amistoso: veja onde assistir Gilmar dá bronca em parlamentares sobre sigilo: 'Abecedário de abusos'