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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Caso Epstein escancara a pedofilia como prática social Milly Lacombe Colunista do UOL 17/11/2025 11h45 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Ela não parecia ter 14 anos. Eles não estavam atrás de crianças de oito anos. Existe uma diferença entre uma criança de oito anos e uma adolescente de 14. Eles queriam adolescentes, não crianças. Esses são alguns dos argumentos usados durante a semana passada por agentes que atuam, em nome de Donald Trump, na relativização dos crimes praticados pela rede de pedofilia de Jeffrey Epstein. Com a revelação de emails trocados entre Epstein e dezenas de homens poderosos, Bill Clinton entre eles (Clinton agradece pela noite espetacular que Epstein proporcionou), a Casa Branca acionou seu plano de contingência já que Trump parece estar a cada dia mais intrinsecamente envolvido no caso. O que sabemos até aqui, com certeza, é de que muitas crianças foram abusadas dentro desse sistema criado e gerenciado por Epstein. Há vítimas que falam em até mil crianças. As histórias contadas por elas (algumas estão saindo do anonimato para dar suas versões) são bastante semelhantes e duras de escutar. Treze, quatorze anos essas meninas (hoje mulheres) tinham quando foram sequestradas para servirem sexualmente a homens poderosos do mundo inteiro. A pedofilia é uma cultura dentro da nossa sociedade. Para compreender do que estamos falando, perguntem às mulheres da vida de vocês com quantos anos elas foram abusadas pela primeira vez. Onze. Doze. Oito. Sete. Quatro. Quinze. Essas são as respostas. É raro que encontremos uma mulher que responda "nunca fui abusada". Assim, a pergunta seguinte deveria ser: quem são os abusadores? Onde estão esses pedófilos? Será que são apenas homens de vida clandestina, trancados em seus quartos pensando em como atrair crianças ou são homens do dia a dia, que agora estão em seus escritórios, em seus consultórios, em seus carros indo a reuniões, em almoços de negócio, com suas mulheres em viagens de férias. Quem são e onde estão os pedófilos que fazem com que quase todas nós tenhamos histórias de abuso na infância para contar? Quando Bolsonaro disse publicamente que havia pintado um clima entre ele e uma criança de 14 anos, falando abertamente sobre desejar corpos de crianças, não ouvimos berros escandalizados. Tudo o que ouvimos foram tentativas de relativizar e justificar a colocação abjeta a respeito do desejo sexual confessado sobre corpos de crianças. Josias de Souza Espetáculo da desonra de Bolsonaro e oficiais vem aí Felipe Salto Caminhos do Bolsa Família como política de Estado Sylvia Colombo Eleitor chileno deixa em aberto cenário para 2º turno Thais Bilenky Teatro da elite escravocrata vira palco de revanche A régua moral nesses casos funciona assim: homem poderoso sexualizando o corpo de uma criança de 14 anos é do jogo, nada para ver aqui, circulando. Drag queen lançando livro e promovendo leitura para crianças é uma aberração, não podemos aceitar, prendam. Trata-se, em qualquer nível de análise, de uma sociedade adoentada. A rede de pedofilia de Epstein não é coisa isolada. Ela ainda existe e atua no mundo inteiro. A masculinidade que se define pelo poder dos homens sobre todas as coisas, e que coloca mulheres na categoria das coisas, atua através da cultura da pedofilia. Desejar o corpo de uma menina de 15 anos é sinal de doença, e a doença se chama pedofilia. Inventar diferenças entre o corpo de uma criança de oito anos e uma de 14 anos para evitar ser associado à pedofilia não vai colar. A pedofilia é doença cultural que, todos os dias, mata centenas de milhares de meninas e de mulheres pelo mundo, concreta ou simbolicamente. Seria o caso de nos estarrecermos e de nos revoltarmos com o que o caso Epstein revela a respeito da nossa cultura e a respeito da dominação de homens sobre mulheres. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Danilo Lavieri: Neymar pai pagou pouco pela marca Pelé Justiça penhora R$ 40 mil do pastor André Valadão, da Igreja da Lagoinha Ex-premiê do Bangladesh é condenada à morte por assassinatos em protestos A Squadra Azzurra perdeu sua identidade e isso pode ser irreversível De biquíni fio-dental, Gio Ewbank curte hotel com diárias de R$ 27 mil