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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Projeto que proíbe criança de abortar revela a pedofilia enquanto cultura Milly Lacombe Colunista do UOL 07/11/2025 12h44 Deixe seu comentário Sessão do Congresso Nacional, no plenário da Câmara dos Deputados Imagem: Ton Molina - 9.set.25/FotoArena/Estadão Conteúdo Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A primeira vez que, já adulta, fui a uma festa de 15 anos, entendi a pedofilia enquanto cultura. Na pista, adolescentes se divertiam. Meninos de terno, meninas de saias curtas e salto dançavam livremente. A estética da adultização bastante normalizada, mas essa não seria a maior das complexidades daquela noite. Eu estava na turma de tutores daquela galera e essa turma se dividia assim: mães de um lado, pais do outro. Não demorou muito tempo para que eu notasse que o grupo dos homens olhava para o das meninas com aquele olhar de desejo que conhecemos bem porque todas nós já tivemos nossos corpos sexualizados em espaço público. Eles mesmos não estavam se dando conta do que faziam - e muito menos de que estavam sendo observados. As meninas, obviamente, percebiam e muitas tentavam, como podiam, apenas sair de perto ou, de forma bastante triste, buscavam pelo olhar de seu pai, que estava naquele grupo, em nome de proteção. O olhar não vinha. Os homens estavam entretidos em si mesmos. Depois de uma certa altura e das devidas doses de álcool, já não se preocupavam mais em esconder o que estavam fazendo com seus olhos e bocas. Foi uma das imagens mais perturbadoras que já vi pessoalmente. A cultura heterossexual masculina cultiva a pedofilia. Isso quer dizer que todos os homens são pedófilos? Não, não quer. Isso quer dizer que todos os homens são culturalmente incentivados a sexualizarem corpos de crianças. A pornografia faz isso e ninguém parece se importar. O que é, senão pedofilia, a colegial de saias que é devorada por homens mais velhos? José Paulo Kupfer Analistas dizem uma coisa, operadores fazem outra PVC Santos terá 3 finais com Neymar após derrota Wálter Maierovitch Prisão terá que reeducar Bolsonaro para a sociedade Marco Antonio Sabino O que o prefeito de NY pode aprender com Nunes O que os homens que naturalizam a sexualização de crianças buscam em corpos tão inocentes? Dominação. Pureza. Poder. Silêncio. Não é normal, por mais que nos digam o contrário, o olhar de desejo de um homem para o corpo de uma adolescente. Se você é um homem que sente desejo pelo corpo de uma criança, incluídas nessa categoria as adolescentes, procure por ajuda porque você tem uma doença. O corpo de uma criança deveria existir para brincar, correr, sorrir, se divertir. A adolescência já é em si mesma muito complexa para que tenhamos que lidar com o desejo dos pais de nossas amigas, dos tios, dos amigos de nossos pais e tios, dos nossos pais, do anônimo na rua. Quando a sociedade diz que o corpo de uma menina serve para gerar um feto, a sociedade diz duas coisas: meninas não são pessoas e a pedofilia é aceitável. O recado é esse, direto e reto. Um Projeto de Decreto Legislativo acaba de ser aprovado na Câmara dos deputados a fim de naturalizar a pedofilia e o estupro. Estamos falando da PDL 3/225 que visa proibir crianças estupradas de abortarem. Não se trata, nem nunca se tratou, da defesa intransigente de uma suposta vida. Dizer que o feto é uma vida não tem base científica. Não há nenhum argumento fora do campo religioso que sustente essa afirmação - e argumentos religiosos não são aceitáveis para elaborar leis. Se a religião diz que feto é vida, então esse é um assunto da religião e não de uma sociedade inteira. Ainda assim, mesmo que concordemos com a premissa religiosa, seria o caso de se perguntar: a suposta vida de um feto vale mais do que a concreta vida de uma criança? Vou repetir a pergunta: a suposta vida de um feto vale mais do que a concreta vida de uma criança? Debater a legalidade do aborto em caso de estupro já é dar dois passos para depois da fronteira da dignidade e da decência. Se um estupro ocorreu, uma mulher ou uma menina já morreu simbolicamente. Qualquer sociedade que se pretenda humana no sentido mais significativo desse termo trataria de juntar esforços, leis e força policial contra os homens que estupram e não contra as vítimas do estupro. Continua após a publicidade O argumento de que uma criança pode gerar, parir e doar o fruto do estupro é diabólico e desconsidera o que a gestação faz com o corpo de uma mulher. Nove meses com órgãos deslocados e totalmente reorganizados. O corpo de uma criança não está preparado para passar por nada disso. Submetê-la a uma gravidez forçada é, literalmente, matá-la. Em nome de um feto cuja vida não pode ser provada. Em nome da naturalização da pedofilia e do estupro. A propósito, o IBGE revelou no mesmo dia em que a Câmara aprovou o PDL 3/2025 que mais de 34 mil crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos vivem em união conjugal no Brasil. São crianças que estão sendo diariamente estupradas por seus "maridos". O PDL teve apoio de 317 deputados (cujos nomes estão registrados para a eternidade) e ainda impede que as vítimas recebam informações sobre o direito ao aborto legal. Os que defendem o PDL do estupro e da pedofilia sabem perfeitamente o que fariam se suas amantes ou filhas engravidassem. Sabem perfeitamente que a intenção do PDL é normalizar a pedofilia e o estupro enquanto poder que exercem sobre os corpos de meninas e de mulheres. Nunca foi sobre vidas, sempre foi sobre dominação. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. 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