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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Quem vai tirar Textor da cadeira de dono do time? Milly Lacombe Colunista do UOL 15/03/2026 11h37 Deixe seu comentário John Textor, dono da SAF Botafogo Imagem: Vitor Silva / Botafogo Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Times não podem ter donos. Times não podem ser privatizados. Nossos clubes do coração não podem pertencer a uma pessoa ou a um grupo organizado pela lógica do lucro. O Botafogo está em ruínas, precisará encontrar caminhos para se reerguer e tirar de Textor os amplos poderes que ele tem. Mas como? O estadunidense é o dono do futebol botafoguense. E, por ser dono, meteu os pés pelas mãos de forma retumbante. Bastava uma rápida pesquisa sobre os métodos profissionais de John Textor para compreender que a coisa ia para o ralo cedo ou tarde. O repórter Lucio de Castro fez isso com a mesma agilidade que Garrincha rabiscava a parte direita do ataque alvinegro. Lucio de Castro foi fundo e contou a história para quem estivesse disposto a escutar. Nem todos estavam. A fila de desculpas para Lucio está dando voltas nos quarteirões de General Severiano. As SAF são uma solução catastrófica para um problema real. O modelo associativo não funciona. Sabemos disso. Precisamos de uma alternativa. E a alternativa não pode ser reduzir a democracia. A alternativa sempre é aumentar a democracia. Mas a torcida do Botafogo, maltratada por anos de administrações horrorosas, queria um salvador. E ele chegou dos states avisando que ia libertar não apenas o Botafogo como todo o futebol brasileiro da corrupção que o assolava. Foi até para Brasília armado de muitas pastinhas que, segundo ele, continham provas das malandragens que reinavam no jogo. Juca Kfouri Memphis marca como Pelé, e Gabriéis empatam na Vila PVC Será que atuação de Neymar o levará à seleção? Nelson de Sá China soma vitórias com guerra do Irã Joildo Santos O Brasil que as marcas ignoram Onde estão essas provas? Ninguém sabe, ninguém viu. Mas a torcida se apaixonou por ele, e, de fato, o cara tem carisma e venceu dois torneios importantes. A massa levou até faixas em inglês para o Nilton Santos para celebrar seu salvador. E, por alguns instantes, até parecia que ia dar certo. Mas só achava isso quem não tinha feito uma mínima investigação sobre John Textor, SAFs, legislações, condescendências. Muitos de nós fizemos essas análises e Lucio de Castro foi mais fundo do que todo mundo. Estava tudo ali registradinho. Só não viu quem não quis. Mais ou menos como a 777 no Vasco. Resgatem todas as vozes que na época disseram que essas vendas eram excelentes para os clubes e tirem suas conclusões. Essas vendas nunca se sustentaram eticamente nem por um minuto. Agora Textor e seus métodos estão no comando. Num modelo associativo, seria mais simples tirá-lo. Corinthians e São Paulo fizeram isso recentemente. Numa SAF as coisas não são bem assim. Uma corporação, vejam só, está protegida por mais leis do que uma pessoa. Pode fazer inúmeras bobagens e seguirá respirando por aparelhos e mantendo seus líderes porque a culpa vai ser sempre de uma estagiária. "Too important to fail", uma variação do lema neoliberal que salvou todos os bancos em 2008, o "Muito grande para falir". A conta de 2008 foi paga pelo contribuinte. Essa do Fogão será paga, com o coração e com o bolso, pela torcida. Valeu à pena? Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Memphis marca como Pelé e Gabriéis empatam o clássico na Vila Onde vai passar Palmeiras x Mirassol pelo Brasileirão? Como assistir ao vivo MG: Influencer do MBL e pré-candidato agride e apanha de gerente de loja Fluminense arranca vitória sobre o Athletico só no fim, mesmo com um a mais Bahia vence mais uma fora de casa, entra no G4 e afunda Inter na crise