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Análise dos Times

Motivo: Citado como exemplo de clube que criou dívidas impagáveis; crítica à má gestão dos associados-dirigentes, não ao desempenho esportivo

Viés da Menção (Score: -0.5)

Motivo: Citado como exemplo de clube que criou dívidas impagáveis; crítica à má gestão dos associados-dirigentes, não ao desempenho esportivo

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Palavras-Chave

Entidades Principais

sao paulo corinthians saf

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Opinião Futebol, governo e sociedade Juca Kfouri Colunista do UOL 04/11/2026 13h00 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× POR RODRIGO R. MONTEIRO DE CASTRO Governos, historicamente, trataram mal o futebol. Isso não significa que protagonizaram apenas - e necessariamente - maldades. Sakamoto Musk leva surra das urnas com vitória democrata Josias de Souza PEC da Segurança: força contra crime ou nova farsa? PVC Informações e palpites para os jogos do Brasileirão Milly Lacombe O que as bets fizeram pelo seu time? Ao contrário. Em muitos casos, foram as bondades que fizeram o papel do tratamento equivocado. Agiram como pais mimadores, que presenteiam o filho ou a filha que repete de ano e não exigem revisão de postura. Não souberam ensinar diante de condutas inapropriadas, de diversas naturezas, inclusive de índole questionável. Preferiram evitar a realidade a educar. Aliás, os mimos governamentais, no plano do futebol, sempre vieram, durante décadas, sob formas distintas, como: isenções tributárias, perdões, parcelamentos, linhas de crédito subsidiadas e patrocínios. Algo, ou "algos", que nenhuma outra atividade recebeu. E poucos filhos retribuíram. Contam-se nos dedos, de norte a sul, leste a oeste. Continua após a publicidade A prática talvez se justificasse, em parte, no século retrasado e em até certo momento do século passado, pela própria característica não-econômica do futebol. Mas há muito tempo perdeu a razoabilidade, conforme os caminhos outrora escolhidos. Sobretudo pela ausência de contrapartida (e reconhecimento) e, pior, como já se afirmou acima, pela oneração coletiva. O ônus atribuído à coletividade foi, ademais, potencializado pela leniência em relação às (poucas) obrigações impostas ao setor, as quais, em consequência da inobservância, aumentavam a repartição (e socialização) do problema. Ou seja, a complacência diante de condutas reprováveis fez com que, da mesma forma que o filho parabenizado pela repetição de um ano escolar entendesse a mensagem como um estímulo, clubes, em geral, atuassem irresponsavelmente porque sabiam que, em algum momento, o paizão viria em socorro. A conta disso, ao final, é atribuída a alguém. O povo. E ela sempre chega. Como talvez chegue, mais uma vez, se o Governo não impuser uma reconstrução das bases do esporte. Continua após a publicidade Sem uma revisão das bases da relação Estado/Governo/futebol não há - e não haverá - incentivo à correção, à instrução e, sobretudo, à mudança de padrões, tão reclamados, de modo geral, na sociedade do século XXI. Não se pode culpar os clubes, apenas. Governos são tão ou mais responsáveis. E também os Governantes, que preferem populismo ao solucionamento da crise estrutural - e das crises conjunturais. O desarranjo institucional e fiscal do país não decorre, evidentemente, do futebol; há várias e distintas origens. Setores foram ou são privilegiados, pelos mais diversos motivos. A motivação pode ser legítima. Notadamente quando se pretende incentivar ou desenvolver uma atividade, uma região ou uma forma de atuação (como a SAF), concatenada com as prioridades escolhidas em políticas públicas. Além disso, o Estado gasta mais do que deve (ou pode). E não se trata de uma crítica a programas sociais. Ataca-se, sim, a ineficiência, o abuso, o dispêndio além da conta, a malversação e, claro, a corrupção endêmica, que acompanha a história do Brasil, desde sempre. Esse conjunto de coisas explica, de modo muito suscinto, o teste a que o governo será submetido, especificamente em relação ao futebol. Continua após a publicidade A maioria dos clubes está em crise. Não uma crise apenas de conjuntura, mas igualmente de estrutura (quase existencial, portanto). Na maioria dos casos, causada pelos próprios clubes - e os seus associados-dirigentes. São crises privadas, com consequências públicas, que afetam o torcedor e o erário. Como puderam, por exemplo, os associados de São Paulo e Corinthians, que ostentam duas das três maiores torcidas do Brasil (ou das quatro, conforme certos levantamentos recentes), criar, em tão pouco tempo, dívidas que se tornaram impagáveis com base apenas no fluxo futuro de recebimentos? Para onde foi tanto dinheiro? Quem se beneficiou? Os responsáveis, sairão ilesos? E deve o Governo promover mais um plano de socorro? À conta de quem? Se o Governo simplesmente oferecer, como solução, dinheiro, e ainda mais dinheiro barato e sem as devidas garantias - condições que se impõem a qualquer pessoa ou empresa - o resultado já se saberá de antemão: recursos públicos se perderão nas estruturas associativas internas - e em outras coisas mais (e piores) -, sem melhorias para a sociedade. Isso parece inaceitável. A aceitabilidade deveria estar associada à revisão de toda a estrutura, começando pela criação de uma Secretaria Especial do Futebol, passando pela definição de políticas públicas de curto, médio e longo objetivos, e concluindo com compromissos, incontornáveis, que envolvam os agentes futebolísticos, em benefício do sistema, como um todo, e da sociedade brasileira. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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