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Análise dos Times

Corinthians

Principal

Motivo: O artigo incentiva o Corinthians a aceitar o patrocínio, vendo a negociação como uma oportunidade para se posicionar contra o conservadorismo e a hipocrisia.

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Palavras-Chave

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Corinthians Milly Lacombe Fatal Fans Fatal Models

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Patrocínio coloca Corinthians em colisão com hipócritas e conservadores Milly Lacombe Colunista do UOL 03/06/2026 14h50 Deixe seu comentário Torcida do Corinthians provoca São Paulo com mosaico que mostra manchetes de vitórias históricas no Majestoso Imagem: Valentin Furlan/UOL Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A Fatal Models é uma das grandes apoiadoras do futebol brasileiro, mas seu apoio é celebrado de forma quase sigilosa. O grupo, que contém plataformas de acompanhantes e conteúdo adulto, é repudiado por muitos em nome dos valores da família tradicional. Esses que berram contra a entrada da Fatal no futebol são os mesmos que parecem não ter nada contra a entrada de casas de apostas na sociedade, e também, não por acaso, os mesmos que contratam (sigilosamente, claro) os serviços de trabalhadoras sexuais. Falemos de prostituição por alguns minutinhos antes de revelar detalhes sobre a proposta de patrocínio que a Fatal fez ao Corinthians porque imagino que haverá uma grita para que o Corinthians recuse a oferta. O trabalho de prostituição está associado à vergonha mas seria importante ressaltar que, nesse caso, a vergonha da qual a sociedade fala não recai sobre quem contrata, mas sobre quem vende. Milly Lacombe Patrocínio põe Corinthians em colisão com hipócritas Ronilso Pacheco Você sabe identificar um terrorista? Maria Prata Sentem mais: grande parte da Gen Z diz ser psíquica Carlos Affonso O que a IA achou da Encíclica do papa sobre IA? Receber para ter relações sexuais é ofensivo por que? O que atravessa as relações entre homens e mulheres na nossa sociedade desde sempre? A troca. Quantos casamentos se sustentam nesses termos do "eu te sirvo, você me paga" ainda hoje? O casamento na origem é a legitimação dos serviços sexuais de uma mulher em relação a um homem. Eis aí algumas verdades incômodas. Mais algumas? Temos. No interior de uma sociedade constituída sobre o regime da diferença sexual, esse que impede que homens revelem suas vulnerabilidades, alguns homens pagam por serviços sexuais para se eximir da responsabilidade afetiva. Não precisa telefonar depois, cuidar se adoecer, discutir a relação. É um contrato direto, sem rodeios. Como me disse uma vez uma trabalhadora sexual: o lugar mais honesto do mundo é o prostíbulo. Agora que tratamos da dimensão da hipocrisia, vamos falar de segurança. Um dos problemas que pesam sobre a prostituição quando ela é deslegitimada é a falta de segurança das trabalhadoras. Empresas como a Fatal, ao contrário das bets, pagam imposto - assim como pagam imposto as trabalhadoras sexuais. Quem não paga imposto? Sim, as casas de apostas. A prostituição não é proibida no Brasil e existe um código CNAE para que as profissionais regularizem os ganhos na declaração de imposto de renda. Trabalhadoras sexuais organizadas em plataformas como a da Fatal e outras garantem sua própria segurança. O Dia Internacional da Prostituição foi comemorado, aliás, ontem: 2 de junho. Um dia que foi instituído para que a sociedade pudesse falar de forma mais aberta sobre como garantir a segurança das trabalhadoras e sobre um tipo de serviço que existe há milênios e ainda é extremamente popular entre homens de todas as classes e faixas etárias. Só na plataforma da fatal são mais de 22 milhões de usuários, mais de 80 mil acompanhantes cadastrados ativos, mais de 54 milhões de visitas mensais. Trata-se de um dos sites mais acessados do Brasil, com dois bilhões de visualizações por mês. Quem usa a fatal? Os mesmos que consomem o produto futebol. Vamos fazer uma pausa e um brinde à hipocrisia? Continua após a publicidade A Fatal incomoda mais do que casas de apostas, e isso diz mais sobre quem contrata do que sobre quem vende. Só uma sociedade muito adoentada pode tentar jogar o trabalho sexual para baixo do tapete enquanto celebra o dinheiro vomitado pelas casas de apostas. Segundo o que consegui apurar, os valores oferecidos pela Fatal ao futebol feminino do Corinthians seriam históricos: cinco milhões para estampar Fatal Fans (um concorrente do OnlyFans) nos calções e estariam associados a campanhas anti-machistas. Fora isso, ainda haveria dinheiro para o futebol masculino, futsal e basquete. No total, quase 20 milhões de reais. A negociação está sendo feita há quase um mês e, se for fechada, vai ser histórica para o futebol feminino do Corinthians. A preocupação com a segurança das trabalhadoras sexuais é uma preocupação feminista e humanitária. O Corinthians faria bem se encarasse de frente esse convite para se levantar contra o conservadorismo e a hipocrisia. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Para bancos brasileiros, ataque dos EUA ao Pix é fruto de 'mal-entendido' Novo estudo sugere que bactéria intestinal pode prevenir o reganho do peso Moraes pede que STF marque data para julgamento de Eduardo Bolsonaro Quem foi Joaquim Silvério dos Reis, citado de forma equivocada por Lula Lula diz a ministros que não aceitem taxa dos EUA: 'Vende para quem quiser'