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Só para assinantes Assine UOL Opinião A SAF do Galo e o desafio de conciliar gestão e política Yara Fantoni Colunista do UOL 13/11/2025 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Paulo Bracks, diretor executivo do Atlético-MG Imagem: Yara Fantoni Novembro é o mês em que o Atlético-MG completa dois anos de SAF. Um modelo ainda jovem no mercado brasileiro, mas que provoca mudanças fundamentais para a estruturação de uma nova forma de gerir o futebol. A apresentação do executivo de futebol Paulo Bracks sobre a SAF do Galo, nesta semana no Instituto Iter, mostrou o funcionamento do modelo aplicado no clube mineiro. O time, que sempre viveu entre a emoção das arquibancadas e as turbulências políticas, tenta, nos últimos anos, transformar paixão em gestão. Em sua décima temporada no futebol, Bracks foi direto. Ele afirmou que o modelo associativo não permite planejamento sustentável. A cada eleição, muda a direção, muda a estratégia e o investidor se afasta. O formato empresarial, ao contrário, garante governança e autonomia técnica. Juca Kfouri O tapa de luvas de Adriane Galisteu na família Senna Josias de Souza Paixão de Eduardo pelo irracional é correspondida A Hora A insegurança pública de Hugo Motta Marco Antonio Sabino Por que as igrejas e templos não pagam IPTU? No novo modelo, o Atlético tem 75% da SAF controlada por investidores e 25% pela associação, mas esse percentual pode mudar. O clube estuda ajustar a proporção para algo mais próximo de 90% de participação privada e 10% da associação, adequando-se à evolução do mercado e às exigências de capital. Os números ajudam a dimensionar a grandeza da operação. A SAF do Atlético foi construída em 2021 e, dois anos depois, o clube é visto como um dos ativos mais valorizados do futebol brasileiro. A compra foi feita por um valor equivalente a cinco vezes a receita anual do clube, enquanto o Fluminense foi avaliado em, no máximo, duas vezes sua receita, um sinal claro da diferença de estrutura, potencial de marca e modelo de negócio. "Pagaram caro pelo Galo, e o torcedor muitas vezes se esquece disso", afirmou o executivo. Bracks também lembrou que a transformação não é automática. "Se um clube desorganizado vira SAF, ele apenas se torna um clube-empresa desorganizado". A frase sintetiza o recado central: gestão é processo, não decreto. Ele conta com a experiência de quem experimentou modelos diferentes, com ou sem investidor, em América, Santos, Inter e Vasco, antes de chegar ao Galo. Mesmo com governança e estrutura empresarial, a política continua sendo parte do jogo. Querendo ou não, com SAF ou sem SAF, sempre haverá essa interferência na visão de Bracks, porque o futebol, antes de ser um negócio, é uma paixão coletiva e um espaço de poder. Continua após a publicidade O Atlético tenta, portanto, consolidar um novo ciclo. Sai da fase de sobrevivência financeira e entra na de expansão estratégica. A lógica é de empresa: previsibilidade, metas e responsabilidade sobre resultados. Mais do que um novo CNPJ, a SAF do Galo representa uma mudança de mentalidade. O Atlético entende que o futebol moderno exige menos improviso e mais método. E o desafio, agora, é provar que pode ser grande também na gestão, conseguindo, aos poucos, a diminuição da dívida que o clube já tinha antes de ser comprado por investidores. Fair Play Financeiro A noite no Instituto Iter também contou com a participação de Thiago Scuro, diretamente da França. O CEO do Mônaco falou sobre o modelo empresarial adotado pelo clube, as diferentes formas de avaliação dos investimentos que as SAFs fazem e também trouxe à discussão o Fair Play Financeiro, já que na Europa os times não podem investir acima do que geram. De acordo com Scuro, o ideal seria balizar o teto na maior receita para que se tenha mais competitividade. "Na Europa é mais organizado do que no Brasil, porque existem regras. Entretanto, há clubes que faturam 1 bilhão e outros, 180 milhões. Fica difícil competir", afirmou. Scuro também abordou a questão dos direitos de transmissão, em que ele percebe ser melhor dividido na Europa, quando se fala do "direito doméstico", e tendo mais variação no "internacional", comparado aos valores pagos aos clubes no Brasil. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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