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Lula Bolsonaro Flavio Dino STF Rodrigo Pacheco Luís Roberto Barroso Jorge Messias Damares Alves Janja Janaína Paschoal

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Como o feminismo está sendo distorcido para exigir uma mulher no STF Milly Lacombe Colunista do UOL 25/10/2025 12h36 Deixe seu comentário 16.10.25 - O presidente Lula (PT), o AGU Jorge Messias, Bispo Samuel Ferreira e deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP) em encontro no Planalto Imagem: Ricardo Stuckert / PR Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O feminismo é um conjunto de ideias e de praticas. Trata-se de uma teoria complexa, repleta de pesquisas, estudos e conceitos. Não pode ser simplificado nos termos que vem sendo em relação a exigência de que Lula indique uma mulher para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF. Muitos daqueles que jamais exigiram que Bolsonaro fizesse o mesmo, agora se fantasiam de feministas para apontar seus dedos para Lula. Não funciona assim, meus amigos e minhas amigas. Noto pessoas que não se cansam de criticar Janja usando todas as ferramentas mais machistas que existem pagando de feministas para dizer que Lula não presta porque vai se acanhar na indicação de um nome feminino para a mais alta corte. Não importa tampouco que se indique qualquer mulher ao STF. Numa situação hipotética, entre indicar Damares Alves ou Jorge Messias, o feminismo no qual acredito me obrigaria a fazer campanha por Messias. A questão que se impõe é perceber que existem inúmeras mulheres com consciência de gênero e de raça, e com currículos melhores do que os de Messias e Rodrigo Pacheco. Pacheco, aliás, é dos currículos mais pobres para a vaga, entre homens e mulheres. Jamil Chade Empresários apostam em queda de tarifas dos EUA Thais Bilenky A foto de Lula com bispo e o recado dos evangélicos Julián Fuks Sobre uma menina e seu desejo de ter uma filha PVC Informações e palpites para a rodada do Brasileirão A Agência Pública fez um levantamento do nome de juízas e advogadas cuja competência é altíssima para o STF. No total, 13 nomes femininos. Todas possuem carreiras mais técnicas do que as de Messias e Pacheco. O feminismo que busca a emancipação de homens e mulheres das garras do machismo sabe perfeitamente que Flavio Dino é um nome melhor do que o de Janaína Paschoal para qualquer cargo público. O debate, jogado em termos tão simplórios como vem sendo, serve apenas à perpetuação do machismo e ao feminismo de ocasião. Não é novidade para ninguém que o presidente Lula reproduz machismos e misoginia. Também não deveria ser surpresa que, mesmo sendo um machista bastante comum, do tipo que acha adequado colocar mulheres em redomas e elogiá-las por traços físicos, ele parece escutar o calor que vem das ruas. Por isso defendo que nos manifestemos vocalmente. Correlação de forças a gente faz assim também. E Lula já mostrou que sabe aceitar transformações pessoais. Lula 3 é seu governo com maior número de mulheres em situação de poder. Lula não está mudando porque é um cara bacana: está mudando porque é capaz de escutar o que estamos dizendo. Se indicar Pacheco ou Messias, Lula terá agido movido por sua agenda identitária. Homens brancos e heterossexuais compõe uma identidade, e essa identidade manda no Brasil em todas as instâncias. Pedir uma mulher no STF é pedir que a correlação de forças na mais alta corte comece a ser equilibrada. Se Lula vencer as próximas eleições poderá indicar mais dois ou três nomes. Se conseguisse compreender toda a potência do feminismo, colocaria no STF mais três ou quatro mulheres com consciência de classe, raça, de sexualidade e gênero. Mulher negras, mulheres trans, lésbicas. Teríamos, ao fim de um possível quarto mandato, revolucionado o sistema judicial na medida em que a composição da mais alta corte aponta caminhos e chacoalha estruturas. Caso insista em colocar seus amigos para dentro do STF, reforçando o pacto da masculinidade, Lula estará prestando um imenso desserviço ao país. E, se não houvesse tantos nomes de mulheres com currículos adequados à vaga, mulheres com consciência social e técnica apurada, talvez pudéssemos até aceitar passivamente Messias ou Pacheco. Mas não é o caso. Bem longe disso, aliás. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora João Fonseca vence espanhol e vai disputar maior final da carreira Reze para não bater: esses carros custam uma fortuna para arrumar Ivete inicia turnê de samba em SP sem pirotecnia: 'Me dispo de tudo' Secretário deixa cargo após Ibaneis sancionar lei para vítimas do comunismo Michelle e Shia se beijam em A Fazenda: 'Que bom que eu te encontrei aqui'