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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Ao falar sobre aborto, Messias revela por que não deveria ser indicado Milly Lacombe Colunista do UOL 29/04/2026 14h51 Deixe seu comentário Jorge Messias em sabatina na CCJ do Senado Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× "Eu quero deixar vossas excelências tranquilos quanto a isso". Jorge Messias, indicado do presidente Lula ao STF, deu essa declaração aos homens presentes a sua sabatina. Ele se referia ao aborto e dizia que jamais fará nada em nome de uma eventual aprovação. "Sou totalmente contra o aborto". "Não haverá ativismo da minha parte". Era um homem falando abertamente com outros homens sobre aborto. Depois, para amenizar a colocação apaixonada contra o aborto, disse que uma eventual decisão a respeito do tema caberia ao congresso nacional porque assim reza a constituição. Obviamente disse isso porque sabe que o tema é tabu e não pode sequer ser levemente mencionado dada a histeria com que a maioria dos homens reage. Não queríamos escutar de um indicado à mais alta corte de justiça quem deve legislar sobre o aborto muito menos o que ele e os demais pensam. Queremos que o tema seja debatido em toda a sua complexidade e que não faça parte de sabatinas como essas. A pergunta sobre aborto abriu a sessão, para que não percamos de vista o horror da misoginia em toda a sua amplitude. E o indicado disse claramente, falando com os homens: quero deixar vossas excelências tranquilos quanto a isso [aborto]. Tranquilos. No masculino mesmo. Adriana Fernandes Rejeição de Messias é vitória da baixa política Josias de Souza Boca-livre de político em jatinho é escandalosa Alicia Klein O futebol está destruindo sua classe trabalhadora José Paulo Kupfer Prévia da inflação reforça lentidão no corte dos juros É uma abominação esse tipo de posicionamento. Uma manifestação categórica de um homem em situação de poder dizendo um imenso "danem-se" para as mulheres. Messias é terrivelmente evangélico, verdade, mas se o debate fosse religioso não haveria nem o que discutirmos. Quando começa uma vida? Ninguém sabe, ninguém tem autoridade sobre essa resposta. Não sabemos e ponto final. Quem acha que começa no coito então não tire o feto do útero. O debate não é moral; é econômico, social e patriarcal. Aborto é questão de saúde pública e não é, nem nunca foi sinônimo de assassinato. Não há registro, nem nos países onde ele pôde ser praticado irrestritamente, de mulheres fazendo aborto depois do quarto mês. Vejam a história do aborto na Irlanda quando o país liberou a pratica sem limite de semanas. Messias poderia ter respeitado sua crença e ter se dirigido às mulheres dizendo que entende que ninguém gostaria de fazer um aborto. Não há mulher que diga que está ansiosa por fazer um aborto na vida. E poderia ter emendando que, para evitarmos abortos na nossa sociedade, então os responsáveis por suas ejaculações precisariam simplesmente usar camisinhas ou fazer vasectomia. Correria o risco de não ser aprovado se falasse essa brutal verdade? Correria. Mas teria sido digno de sua fé ao incluir todas as pessoas envolvidas dentro de um tema tão complexo. Lula acredita honestamente que faz muito pelas mulheres, mas ele faz muito apenas porque os anteriores não fizeram nada. Seguir indicando homens terrivelmente evangélicos ao STF, como fez Bolsonaro, é uma violência com todas as mulheres. Um governo progressista e preocupado com a vida de suas cidadãs descartaria homens que nutram posições extremistas como a de Messias. Ter que escutar homens tranquilizando outros homens sobre como jamais mexerão uma palha pelo direito ao aborto é abjeto. O STF tem hoje uma mulher entre muitos homens. Lula poderia ter equilibrado essa composição mas preferiu não fazer. É um detalhe, deve pensar. Não é um detalhe. Assim como não é um detalhe a colocação apaixonada de Messias contra o aborto. Teríamos que ter adultos na sala para conseguirmos tratar do tema com tudo o que ele envolve. Mas não temos. E teríamos que saber em que ambientes o tema deve ser discutido. Uma sabatina para vaga no STF não seria um deles. Estamos tratando de um tópico que para as mulheres é da ordem do viver e do morrer e tudo o que temos é demagogia, hipocrisia, misoginia e masculinidade. Continua após a publicidade Para falar de aborto não precisamos sequer falar a palavra aborto. Falar de aborto é falar de creches públicas, de escolas públicas de qualidade, de apoio médico de qualidade e gratuito à gestante, de transporte público de qualidade para que tutores possam estar com seus filhos por mais tempo, do fim da escala 6x1, de salários iguais para homens e mulheres, de vasectomia, de camisinha, de ejaculação responsável. Uma sociedade assim organizada só falaria de aborto para registrar a mais completa ausência de necessidade de pratica-lo. Se não temos como saber quando uma vida começa, sabemos exatamente quando uma vida acaba. Posições extremistas como a de Jorge Messias acabam com muitas vidas todos os dias. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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