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Futebol Botafogo social quer se livrar de Textor, mas não sem um 'salva-vidas' Igor Siqueira Do UOL, no Rio de Janeiro 25/03/2026 10h12 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× John Textor, dono da SAF, e João Paulo Magalhães, presidente do Botafogo social Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF Viagens e reuniões com o BTG não são por acaso. É por esse caminho, em busca de um possível novo investidor, que o Botafogo social se articula e tenta uma solução viável para um futuro sem John Textor à frente da SAF. Embora, por estratégia, não verbalize isso publicamente. Para Textor, isso não é surpresa. Tanto que ele mesmo já esteve em uma dessas reuniões, em São Paulo, com a tarefa de mostrar quais soluções imediatas teria para resgatar a saúde do Botafogo. Nada que tenha sido executado efetivamente. O UOL apurou que a ideia no associativo é ter algum tipo de respaldo para uma ruptura considerada iminente, diante do cenário cada vez mais complicado do dono atual — imerso em uma briga judicial e de poder na Eagle. José Fucs A herança perversa deixada por Haddad na economia Sakamoto Com acesso a Bolsonaro, Michelle abala a 'filhocracia' Maria Prata Vida além da morte: parece 'Black Mirror', mas já é real Narrativas em Disputa Saída de Ratinho Jr. é celebrada por bolsonaristas O processo de arbitragem entre Eagle e Textor — derivado de uma guerra na Justiça comum — é visto como crucial. É difícil precisar um prazo para decisão, mas a expectativa entre as partes é que a tramitação comece para valer em abril. É um caminho visto como viável para o afastamento de Textor. O dinheiro é escasso. O buraco no caixa inviabiliza o pagamento de contas no Botafogo. Há uma preocupação que salários dos jogadores sejam afetados nos próximos meses. E isso agrava mais o "tempo extra" dado a Textor na SAF. Muito além de transfer bans por dívidas que foram parar na Fifa, o americano vive um derretimento de popularidade e de credibilidade. As promessas e soluções vendidas por ele não empolgam mais na SAF e nem no associativo. Isso ajuda a configurar um cenário para afastar o empresário que, em 2024, viveu o ápice, com as conquistas de Libertadores e Brasileirão. Continua após a publicidade A consequência da alavancagem daquele ano mágico e dos que vieram a seguir é o caos administrativo, antecipação de recebíveis e incerteza sobre o futuro próximo. Mas para viver um mundo sem Textor, o Botafogo precisa de alguém disposto a assumir essa conta e também investir de forma sustentável. É nesse exercício que o BTG se envolveu, mas essa captação passa longe de ser simples. O associativo não tem condições de bancar apenas o movimento de saída sem ter um salva-vidas que evite que a SAF se afunde ainda mais. Qual o tamanho da dívida? Em nota, a SAF Botafogo disse ontem que o endividamento atual está entre uma e duas vezes a receita bruta. Pelas contas de Textor, cerca de R$ 1,5 bilhão. Mas isso só será possível verificar com a publicação do balanço. "A maior parte da dívida são pagamentos a vencer de investimentos realizados na contratação de ativos (jogadores), que ainda vão render frutos no futuro", explicou a SAF. Continua após a publicidade Textor bate na tecla que o modelo de caixa compartilhado com Lyon e outros integrantes da Eagle era a receita do sucesso. Só que a interrupção na ingerência sobre o clube francês, na guerra com a Ares pelo controle da Eagle, gerou os problemas financeiros atuais, segundo esse posicionamento: "O Botafogo iniciará em breve um processo judicial contra o Lyon e os indivíduos que interromperam o modelo de negócios da Eagle para recuperar os valores devidos". Associativo não quer ser cúmplice O clube associativo se recusa a assinar um documento para que Textor emita novas ações e as coloque no mercado para tentar arrecadar mais dinheiro. Uma decisão judicial em vigor veta esse movimento. Ao mesmo tempo, Ares Management e Eagle já notificaram o Botafogo social, dizendo que Textor não tem voz para representá-las. Se o presidente João Paulo Magalhães eventualmente topasse esse tipo de movimento, seria tratado como cúmplice do americano. Continua após a publicidade Ainda que o clube associativo topasse, a arbitragem poderia invalidar todo esse movimento — o que traz insegurança jurídica para os malabarismos atuais de Textor. Para o clube associativo, não faz sentido ser visto como corresponsável pelo caos financeiro da SAF. A alternativa de Textor para cobrir despesas recentes foi um empréstimo, em condições consideradas duras para os cofres da SAF. Foi assim que o Botafogo saiu momentaneamente do transfer ban da Fifa pela dívida com o Atlanta por Almada. Mas o cobertor é curto. Há 10 dias, uma nova parcela venceu, e Textor, sem dinheiro, pediu que o prazo para pagar fosse esticado por mais duas semanas. Mesmo que escape dessa dor de cabeça, outros problemas batem à porta e insistem em não ir embora. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Com acesso total a Bolsonaro, Michelle abala 'filhocracia' CEO da Fictor é alvo da PF em operação contra fraudes de R$ 500 milhões RS: Estudantes fazem ranking sexual com fotos de alunas em colégio federal A herança perversa deixada por Haddad na economia Ancelotti confirma seleção com Léo Pereira e 4 atacantes contra França