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Análise dos Times

Motivo: Mencionado como exemplo de investigações de desvio de dinheiro e irregularidades na gestão anterior.

Viés da Menção (Score: -0.3)

Motivo: Citado em relação a investigações de movimentações financeiras atípicas na presidência.

Viés da Menção (Score: -0.3)

Motivo: Apresentado como um caso exemplar de responsabilização de ex-dirigentes e consequências penais.

Viés da Menção (Score: 0.4)

Palavras-Chave

Entidades Principais

internacional corinthians lei geral do esporte ministerio publico sao paulo futebol

Conteúdo Original

Opinião Esporte Gestão amadora no banco dos réus: o futebol sob vigilância Andrei Kampff Colunista do UOL 14/01/2026 10h44 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia As manchetes recentes sobre suspeitas de desvios de recursos, uso irregular de cartões corporativos, notas fiscais frias e movimentações financeiras atípicas em grandes clubes não surgem por acaso nem em um vácuo institucional. Elas são sintomas de um fenômeno maior: o fechamento progressivo do espaço para a gestão amadora, personalista - e, em alguns casos, até criminosa - no esporte. As investigações em curso envolvendo Corinthians e São Paulo Futebol ilustram bem esse novo momento. No Corinthians, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar suspeitas de desvio de dinheiro, uso de notas fiscais frias e irregularidades no uso de cartões corporativos durante gestão anterior. No São Paulo, relatórios apontaram movimentações financeiras fracionadas em contas pessoais da presidência , levantando questionamentos que já são objeto de apuração e defesa pública. São situações distintas, com estágios diferentes de investigação, mas que revelam um padrão comum: a fragilidade no respeito aos controles internos e a crescente disposição das instituições de fiscalização em olhar para dentro dos clubes. Por décadas, o futebol conviveu com práticas que jamais seriam toleradas em qualquer outro setor econômico relevante. Reembolsos em dinheiro vivo, ausência de segregação de funções, contratos opacos, despesas sem rastreabilidade e dirigentes confundindo patrimônio do clube com interesses pessoais eram tratados como "folclore". Esse tempo acabou. José Fucs A 'extrema direita' e o 'gabinete do ódio' petista Daniela Lima Centrão acredita que Tarcísio perdeu timing Sakamoto Intervenção dos EUA só irá bombar a tragédia no Irã Maria Prata Já foi em um aquadate? O novo vocabulário do amor No plano estatal , o cerco ampliou. A Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023) não apenas reorganizou o sistema esportivo nacional como tipificou a corrupção no esporte como crime , criando deveres objetivos de gestão responsável e abrindo caminho para responsabilização civil, administrativa e penal de dirigentes. O futebol deixou de ser uma bolha normativa. Hoje, responde aos mesmos padrões de integridade exigidos de qualquer atividade econômica relevante. Esse movimento vem acompanhado de uma atuação cada vez mais atenta do Ministério Público, das polícias judiciárias e dos órgãos de controle financeiro. Inquéritos, relatórios de inteligência, investigações patrimoniais e pedidos de intervenção judicial em clubes já não são exceção. São consequência lógica de um ambiente em que o dinheiro circula em grande volume, mas os controles internos ficaram no século passado. No plano privado , o cerco se fecha por outro flanco. As regras de licenciamento de clubes tornaram-se mais exigentes, vinculando a participação em competições à adoção mínima de práticas de governança, transparência financeira e regularidade fiscal. Não se trata de moralismo institucional, mas de gestão de risco. Um clube mal administrado contamina o sistema inteiro. E, talvez pela primeira vez de forma consistente, o Brasil começa a se alinhar a um movimento global: a chegada efetiva do Fair Play Financeiro - UFA! Ainda que tardio, o mecanismo representa uma mudança profunda de mentalidade. Gastar sem lastro, antecipar receitas de forma irresponsável, empurrar dívidas para a próxima gestão e maquiar balanços deixa de ser "estratégia esportiva" para se tornar infração regulatória com consequências esportivas e institucionais. Esse novo ambiente não é apenas teórico. O caso do Internacional é exemplar. A partir de uma investigação interna conduzida pelo próprio clube , ex-dirigentes foram responsabilizados, banidos do quadro social , e os documentos produzidos no âmbito associativo foram formalmente encaminhados ao Ministério Público . O desfecho rompe com a tradição de impunidade: houve denúncia criminal , processamento judicial e condenações com penas de prisão . O episódio demonstra que mecanismos de governança e conformidade não servem apenas para "inglês ver". Quando bem estruturados, eles produzem provas, acionam o sistema de justiça e geram consequências reais, inclusive penais , para quem confundiu o clube com um projeto pessoal de poder. O efeito combinado de todos esses fatores é claro: o espaço para a improvisação encolheu . O dirigente que insiste em gerir clube como extensão da própria biografia política passa a operar em um ambiente hostil, fiscalizado, regulado e documentado. Não há mais zona cinzenta confortável. Continua após a publicidade É por isso que a conformidade deixou de ser discurso elegante de relatório anual. Ela se tornou uma condição de existência . Moral, porque clubes pertencem a comunidades inteiras, não a indivíduos. Legal, porque a legislação agora é explícita quanto a deveres e sanções. E estratégica, porque clubes que ignorarem esse novo ecossistema correm o risco real de colapsar financeira, esportiva e reputacionalmente. O futebol brasileiro chegou atrasado a essa discussão, mas chegou. A pergunta que resta não é se haverá mais investigações, punições ou quedas de dirigentes. A pergunta é quem terá coragem e competência para mudar antes que o cerco se feche por completo. Porque, agora, não se trata mais de opinião. É regra do jogo. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Palmeiras liberar Weverton seria um erro, diz Mauro Cezar Alvo da PF, Tanure recebeu do Master e atuou como sócio oculto, aponta PGR BBB 26: Henri Castelli convulsiona em prova e recebe ajuda de Cowboy Justiça rejeita recurso do São Paulo para votação de impeachment de Casares Irã ameaça bombardear bases dos EUA em vizinhos se atacado, diz agência