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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Internacional deveria demitir Ramón Díaz imediatamente por discurso canalha Milly Lacombe Colunista do UOL 09/11/2025 09h17 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Ramón e Emiliano Díaz em jogo entre Internacional e Bahia, pelo Brasileirão Imagem: Ricardo Duarte/Internacional "Futebol é para homens, não é para meninas." A frase foi dita assim, sem rodeios, sem firula, sem intenção de esconder a violência do que estava sendo dito. Depois do empate com o Bahia no Beira-Rio o argentino achou que devia vomitar essas palavras. Fica claríssimo o recado. Meninas, mulheres: esse jogo não é para vocês. Mulheres coloradas: vazem. Vocês servem para comprar: ingressos, sócio-torcedor e produtos - e para nada além disso. Mulheres que amam esse esporte: não as queremos. Vocês são desprezíveis. A classe de nossos colegas jornalistas estava ali na frente dele quando o treinador cometeu a misoginia. O que ela fez? Nada. Não teve gritaria, não teve indignação, ninguém se levantou e saiu. A pergunta que se seguiu ao crime (sim, deveria ser considerado crime e o Senado já aprovou um PL que prevê que assim seja) foi sobre as substituições feitas pela dupla de treinadores. O que deixa bastante evidente que todos concordaram com a colocação. Becky S. Korich Como gabaritar na redação do Enem Milly Lacombe Internacional deveria demitir Díaz imediatamente Thais Bilenky Impacto da violência despedaça família Fernando Canzian Golpe livrou PT de assumir caos econômico da gestão Náuseas é o que sentimos. Não sei se havia mulheres na sala, sei que todas as perguntas foram feitas por vozes masculinas. Vejo agora comentários de homens indignados querendo saber o que nós mulheres faremos com essa declaração. Nós? É nossa obrigação lutar no mano a mano com cada babaca do futebol? Nós queremos saber o que vocês vão fazer. Lutar contra a misoginia e o machismo é tarefa de homens assim como a luta antirracista é tarefa da branquitude. Duas dúzias de jornalistas estavam na coletiva; ninguém se manifestou. Essa é a realidade do nosso futebol. É um esporte que nos detesta, que nos exclui, que nos afasta, que nos silencia. Esse tipo de posicionamento é o que autoriza todo tipo de violência contra mulheres e isso precisa ser encarado. Vejam: Ser menina, na colocação abjeta de Díaz, é ser menos porque ser menina é ser frágil. Se ser menina é ser "frágil", meninos devem se afastar urgentemente de tudo ligado ao feminino e ser fortes. Assim são criados os meninos: em oposição ao que é ser menina. As características ligadas ao feminino, por serem frágeis, devem ser silenciadas, neles mesmos ou, lá na frente, nas mulheres. Se ser "mulher" é uma coisa tão pequena e evitável, então podemos silenciá-las, assediá-las, estuprá-las, matá-las. Não há nada, cientificamente falando, que diga que mulher é assim e homem assado. Meninos e meninas são frutos de construção social. Tudo é internalizado, nada vem de fábrica. Até porque, uma sociedade decente, entenderia que características como sensibilidade, solidariedade, amabilidade e doçura são sinal de força e dignidade e não de fraqueza. Continua após a publicidade Todo feminicídio começa na fala. Todo. Não há tiro, murro ou facada que tenha deixado de ser, muito antes, um verbo. A gravidade de colocações miseráveis, imundas, repugnantes, canalhas e abomináveis como essa precisa ser compreendida. E os clubes devem punir os autores das violências. Ramón Díaz é reincidente. No Vasco, disse que mulheres não tinham condições de arbitrar jogos. Como nada aconteceu com ele, decidiu ser mais direto. E nada vai acontecer. Os contratos com treinadores deveriam ter cláusulas contra esse tipo de aberração e de desvio de caráter. Num mundo decente, o argentino seria demitido por justa causa. No nosso mundo, vai receber alguma medalha da broderagem. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora 'Não dar certo não era opção': ela criou marca sustentável aos 23 anos Menos crente? Marcha e dança em cultos expõem julgamento entre evangélicos Carro caçador de traição: uso de rastreador vira febre, mas pode ser ilegal Alívio ou problema: Cartões são dilema no Palmeiras contra o Mirassol Palmeiras ainda não venceu equipes do atual G4 do Campeonato Brasileiro