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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte CBF e Inter são co-responsáveis pela misoginia e homofobia de Abel Braga Milly Lacombe Colunista do UOL 02/12/2025 09h47 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O Internacional está nas manchetes e não é pelos motivos que gostaríamos. Um dos maiores clubes do mundo briga para não ser rebaixado mas tem conseguido criar crises ainda maiores do que o risco de queda num ano em que deveria ter brigado por título. O Inter compactuou com o machismo e a misoginia de Ramon Díaz ao optar por não demiti-lo de pronto quando ele disse, com pompa, que futebol não é para mulheres. A CBF fez a egípcia também, ignorou o horror e o resultado foi, dias depois, termos que testemunhar Abel Braga repetir o desperate. Futebol não é para viados, disse Abel. Futebol não é para bichas, maricas, mulherzinhas. Futebol não é para fracos. Percebam que temos aí homofobia + misoginia embora o noticiário só esteja se referindo à homofobia. Um combo de lama moral que aconteceu porque nem Inter nem CBF agiram publicamente quando Díaz, dias antes, fez a declaração criminosa. Wálter Maierovitch Alcolumbre flerta com crime de responsabilidade Carla Jimenez Michelle tem trunfo sobre enteados: o voto feminino Letícia Casado PL tenta domar clã Bolsonaro em reunião hoje Joel Pinheiro da Fonseca Quem pode conter o STF por fora é o Congresso Agir seria demitir Díaz e explicar que foi demitido porque o Inter não tolera misoginia e, na chegada de Abel Braga, educá-lo sobre os motivos da demissão do anterior com uma mini-aula sobre misoginia. A CBF deveria ter soltado um vídeo através de seu presidente dizendo que tampouco tolerará misoginia, explicando o que é a misoginia (Para isso seus diretores e seu presidente teriam que entender o que é a misoginia) e que está trabalhando em punições aos que cometerem atrocidades assim. Esse tipo de ação teria evitado o crime de Abel Braga? Não podemos garantir, mas provavelmente sim. Agora, com Abel, outra vez. o Inter nada faz. O treinador, temendo a repercussão, soltou um pedido de desculpas que não pede desculpas e a CBF, vergonhosamente, calou de novo. Vamos lembrar que Samir Xaud fez questão de defender publicamente Ancelotti da xenofobia. Homens heteronormativos defendendo a honra de outros homens heteronormativos. Isso eles fazem com rapidez e orgulho. Nos últimos dez dias o Brasil assistiu a uma série de assassinatos e agressões feitas por homens contra mulheres. Trata-se de um extermínio que está acontecendo debaixo dos nossos olhos. Quando pessoas importantes no futebol esoclhem calar diante de declarações criminosas como a de Díaz e Abel, elas escolhem promover o extermínio. Ligar esses pontos não é difícil, mas seria preciso ter duas coisas que faltam a muita gente: coragem e cognição. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Grupos LGBT vão ao STJD contra Abel: 'Só pediu desculpa pela repercussão' Michelle rebate enteados e diz que não apoiará Ciro: 'Raposa política' PF faz operação contra ataque hacker a deputados que apoiaram PL antiaborto Pai morre ao saber de assassinato do filho em SC; corpos são velados juntos 'Estrondo e grito': mulher relata momento da queda de mãe e filha de hotel