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Opinião Esporte Não culpe a SAF, mas ajude a acabar com uma cultura do futebol Andrei Kampff Colunista do UOL 03/02/2026 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia John Textor, dono da SAF do Botafogo, durante jogo do Mundial Imagem: Agustin Marcarian/Reuters Tem pipocado notícia sobre SAFs em crise no futebol brasileiro. A tentação é imediata: transformar a SAF no novo vilão da vez. Mas isso seria repetir o mesmo erro que nos trouxe até aqui, buscar explicações fáceis para problemas complexos. Virar empresa, por si só, não é o problema. A SAF não cria crise; ela pode ser apenas a vitrina de mais uma das tantas crises do nosso futebol. O equívoco está na ilusão de que a migração jurídica funciona como pó de pir-lim-pim-pim: muda-se a natureza do clube e, bingo, os problemas desaparecem. Desde a edição da Lei da SAF escrevo que no futebol não existe solução mágica. O modelo pode ser associação ou empresa. Sem gestão profissional, governança efetiva e responsabilidade, qualquer estrutura fracassa. Daniela Lima Pesquisa: Lula lidera ranking de relevância digital Sakamoto PM 'assassina' o português na escola em São Paulo Ricardo Kotscho Castro conseguiu se esconder de escândalo Alexandre Borges Israel não reconheceu 70 mil mortos em Gaza O mundo do futebol mostra, aliás, exatamente o oposto do discurso simplista. A imensa maioria dos clubes competitivos no mundo hoje opera como empresa. Não porque a forma jurídica resolva tudo, mas porque ela veio acompanhada de gestão profissional , controles internos, transparência, compliance e responsabilidade financeira. No Brasil, muitas vezes, invertemos a lógica. Debatemos o modelo jurídico antes de enfrentar o essencial: quem vai gerir , com quais regras , com quais controles e com qual compromisso institucional . SAF não é fuga do passado. É escolha de futuro, e escolhas exigem método. Se a opção for transformar a associação em empresa, isso impõe deveres jurídicos claros. Exige diligência rigorosa sobre o investidor, análise da origem do capital, avaliação da governança proposta, regras de saída, mecanismos de fiscalização e, sobretudo, proteção do patrimônio material e imaterial do clube, marca, história, identidade e vínculo com sua torcida. Ignorar esses cuidados não é falha da SAF. É falha de quem a utiliza como atalho. O que estamos vendo agora não é ausência de aviso nem defeito estrutural do modelo. É a velha cultura do improviso, do "depois a gente resolve", agora usando escudo de modernidade empresarial. Antes de discutir se o clube deve ou não virar SAF, o debate precisa ser outro: há gestão profissional? Há capacidade técnica? Há governança? Há transparência? Sem isso, a SAF vira apenas um novo rótulo para práticas antigas. A SAF pode ser ferramenta poderosa. Milagre, nunca foi. Continua após a publicidade Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Tesão demais para esperar: transamos gostoso na cadeira de praia Resumo novela 'Três Graças' da semana: confira capítulos de 4/2 a 14/2 Aposta de SP acerta Lotofácil e leva sozinha mais de R$ 1,8 milhão; confira BBB 26 - Enquete UOL: quem é o favorito a vencer após a 3ª eliminação? Palmeiras oferece R$ 154 milhões por Arias e confia que baterá Fluminense