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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Proibir as bets não é ação eleitoreira; é ação humanitária Milly Lacombe Colunista do UOL 26/09/2026 09h59 Deixe seu comentário Lula assinou MP contra as bets na última sexta (25) Imagem: Nelson Almeida/AFP Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Com a medida do presidente Lula que proíbe as apostas online no Brasil, o futebol da série A vai perder um bilhão de reais, dinheiro arrecadado em 2025 diretamente das bets. Parece muito, de fato. Um bilhão é um bilhão. Mas números, assim como acontecimentos e palavras, precisam ser contextualizados. Um bilhão é 62 vezes menor do que 62 bilhões e essa associação conta uma outra história. Os dados mais recentes estimam que as bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025. Dinheiro transferido para as mãos da banca e sabe-se mais para que negócios. Para as pessoas preocupadas com o impacto que a proibição das bets terá na tal economia, dizendo que trabalhadores perderão seus empregos etc e tal, seria importante também oferecer o contexto. Mariana Sanches Assembleia da ONU: cenas inusitadas e humanas Julián Fuks Algumas perguntas extras para conhecer candidatos PVC Futebol brasileiro tem semana do arrependimento Luiz Henrique Matos Um manifesto pela improdutividade Dinheiro apostado é dinheiro que deixa de circular em gastos cotidianos, e muitos setores estão sendo afetados por essa transferência de renda. Contrariando o argumento de que o mercado de apostas pode dinamizar a economia e gerar empregos, dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024 mostram que a contribuição do setor para o mercado de trabalho é irrisória: No subsetor em que o segmento de apostas atua, havia apenas 1.144 empregos formais ativos em 31 de dezembro de 2024; média de 19 empregos por empresa. Aqui seria bom lembrar que pessoas que adoecem ou se matam - um dos sintomas de uma sociedade viciada em jogos de azar - também ficam sem seus empregos. No setor de apostas online, de cada R$ 291 de receita obtida pelas empresas, apenas R$ 1 se transforma em salário formal. Enquanto cada trabalhador formal no setor gera cerca de R$ 3 milhões mensais em receitas para as empresas - já descontados os pagamentos de prêmios -, ele próprio recebe uma fração mínima (0,34%) desse valor. O setor também se caracteriza por um alto grau de informalidade, mas essa característica, como sabemos, é generalizada a outras indústrias. Chega de economia; falemos de saúde. Os danos à saúde associados a apostas e jogos de azar podem gerar um custo de pelo menos 30,6 bilhões por ano à sociedade. Um dossiê inédito que se chama "A saúde dos brasileiros em jogo: análise político-econômica da regulamentação de apostas online e seus impactos para a saúde da população brasileira"faz um retrato desse colapso social. O custo dos danos associados ao jogo é estimado em R$ 17 bilhões para mortes por suicídio, R$ 13,4 bilhões que se referem à depressão, sendo R$ 10,4 bilhões pela perda de qualidade de vida e R$ 3 bilhões em tratamentos médicos. O Banco Central informa que as famílias brasileiras movimentaram cerca de R$ 240 bilhões em apostas ao longo de 2024. Segundo levantamento feito por O Globo, 13% dos inquilinos já deixaram de pagar ou atrasaram o aluguel por causa de apostas online, e um terço diz conhecer alguém que passou por essa situação. Continua após a publicidade A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior diz que 34% dos jovens brasileiros com idade entre 18 e 35 anos que pretendiam iniciar um curso de graduação em 2025 disseram ter adiado seus planos educacionais por causa dos gastos com apostas e cassinos online. Oito em cada dez apostadores pertencem às classes C, D e E. Homens são considerados três vezes e meia mais propensos do que as mulheres a se envolverem em jogos de azar, o que aumenta sensivelmente a violência doméstica contra mulheres e crianças. O vício em apostas tem se revelado como uma das causas que mais crescem entre os motivos que tem levado as pessoas a se divorciarem (cadê a turma preocupada com a família brasileira?) Quem paga essa conta: as mulheres, as donas de casa, as mães, as filhas, as avós. Elas estão adoecendo, apanhando mais, sendo mais abusadas, recorrendo mais ao SUS por conta da violência do apostador frustrado que mora com elas. O cenário é de colapso absoluto. Proibir as bets não é ação eleitoreira. É ação humanitária. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Ônibus tomba e deixa 7 mortos na região da Chapada Diamantina, na Bahia MP das Bets: veja datas e prazo para saque e retirada de sites F1: Russell diminui vantagem de Antonelli pelo título; veja classificação Como Rafael Câmara tomou a liderança da F2 e venceu sob os holofotes da F1 Russell aguenta pressão de Verstappen e vence GP com reviravolta em Baku