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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Orgias de poderosos não são nem eventos isolados nem da ordem do privado Milly Lacombe Colunista do UOL 29/09/2026 16h47 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Após polêmica envolvendo padroeira, Flávio Bolsonaro participa de podcast católico Imagem: Reprodução/Youtube O dia começou agitado com o vazamento de mensagens que teriam sido trocadas entre Flavio e amigos que organizavam orgias. Detalhes e mais detalhes a respeito de como essas festas eram pensadas e realizadas. Rapidamente, analistas passaram a dizer que não poderia haver julgamento moral de coisas que se dão no âmbito da esfera privada, e que orgias são da ordem do privado. Temos aí uma ferramenta do machismo em operação. É a mesma que diz que "em briga de marido e mulher não se mete a colher". As festas de Flavio, de Epstein e de Vorcaro não são da ordem do privado. Elas são da ordem das coisas públicas na medida em que revelam uma estrutura. Qual estrutura? A de como o poder é distribuído, como ele circula e como funciona. O poder é distribuído na calada da noite em orgias que contratam os serviços de trabalhadoras sexuais cujas idades no caso de Vorcaro e Flavio não sabemos ainda quais são. Essa não é a exceção; essa é a regra. Repetir que estamos dentro da esfera privada impede que vejamos a ordem patriarcal em operação - e ela importa. Sakamoto Suspeita de promiscuidade, até com STF, atinge Flávio Daniela Lima Disputa interna no Supremo mira a sucessão José Paulo Kupfer Desenrola 3.0 é o melhor da série, mas paliativo Carlos Nobre Quando o fenômeno El Niño encontra o fogo O identitarismo é o centro do debate aqui: homens brancos e heterossexuais em situação de poder. Temos gênero, classe, raça e sexualidade. Está tudo aí bem desenhado. Não existe esse tipo de poder autoritário e totalitário sem que essas mesmas identidades estejam no controle. A quem interessa repetir que o problemas das orgias que o poder realiza é da ordem do privado? O que é da ordem do privado seria uma orgia entre iguais que estão ali por vontade própria. Mas a suruba que expõe a estrutura do poder precisa ser tirada da chave do privado e ser colocada na do público. Ela nos interessa porque diz respeito às nossas vidas na medida em que a distribuição de poder que elas colocam em circulação decidem de forma direta quais políticas públicas interessam, para onde vai o nosso dinheiro, quem ficará no poder, quem será descartado. Em última instância: quem entre nós viverá e quem morrerá. Como, diante dessa obviedade, seguir colocando as surubas dos poderosos na esfera do privado? Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Ex-sócio de Flávio expõe festas com prostitutas, Rolex e lobby com Kassio no STF Nunes Marques sobre Flávio: 'Atendo parlamentares de todos os partidos' Transmissão ao vivo de Espanha x Croácia pela Liga das Nações: veja onde assistir Gilmar barra ação e mantém quebra de sigilo de ex-assessora de Flávio Rubinho e Cíntia Chagas terminam namoro menos de um mês após anúncio