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Análise dos Times

Santos

Principal

Motivo: Foco do artigo como líder de punições, com crítica implícita à gestão financeira e inadimplência recorrente

Viés da Menção (Score: -0.4)

Motivo: Citado entre clubes com dívidas e punições, associado ao problema estrutural de gestão

Viés da Menção (Score: -0.3)

Motivo: Listado entre clubes punidos por inadimplência junto à Fifa

Viés da Menção (Score: -0.3)

Motivo: Mencionado entre os clubes da Série A sob transfer ban ativo

Viés da Menção (Score: -0.3)

Motivo: Mencionado entre os clubes da Série A sob transfer ban ativo

Viés da Menção (Score: -0.3)

Motivo: Citado na lista de clubes com duas punições de transfer ban

Viés da Menção (Score: -0.3)

Palavras-Chave

Entidades Principais

internacional santos sao paulo corinthians gremio fortaleza fifa cbf marcelo teixeira andrei kampff

Conteúdo Original

Está virando cada vez mais comum que clubes brasileiros sejam punidos pela Fifa com transfer ban. Em menos de uma semana, o Santos recebeu sete punições da entidade máxima do futebol. A Gazeta Esportiva conversou com Andrei Kampff, advogado especializado em direito esportivo, para entender esse cenário e os motivos que têm levado cada vez mais equipes nacionais a sofrerem esse tipo de sanção. Para ele, a recorrência dessas punições expõe um problema estrutural do futebol brasileiro. "Os clubes assumem compromissos sem garantir capacidade de pagamento, antecipam receitas e deixam obrigações para a próxima gestão. A pressão por resultados ajuda a explicar essas escolhas, mas não as justifica. Quando contratar é prioridade e pagar vira uma preocupação posterior, o risco já está criado", afirmou. "O transfer ban transforma esse descontrole financeiro em consequência esportiva: o clube fica impedido de registrar novos jogadores. É também uma questão de equilíbrio da competição. Quem contrata e não paga pode obter uma vantagem sobre quem respeita seu orçamento. Por isso insisto: governança e compliance são questões de sobrevivência para os clubes", completou. Atualmente, 11 clubes brasileiros possuem transfer bans ativos. O Santos lidera a lista com quatro punições. A equipe presidida por Marcelo Teixeira chegou a acumular sete bloqueios, mas quitou três dívidas nesta terça-feira. Na sequência aparecem Corinthians, Fortaleza e Internacional, com dois casos cada. Com uma punição estão São Paulo, Grêmio, Colorado Atlético Clube-PR, Figueirense, Miramar-PB, Amazonas e Cuiabá. O transfer ban é uma sanção que impede um clube de registrar novos jogadores e pode valer por um período determinado ou até que a pendência seja resolvida. A punição costuma ser aplicada em casos como inadimplência em decisões da Fifa ou da CBF, descumprimento de obrigações contratuais, violações nas regras de transferências e outras infrações regulamentares. Apesar da restrição, o clube continua podendo renovar contratos de atletas já vinculados ao elenco e reintegrar jogadores que estavam emprestados. Com o aumento no número de punições, surge a dúvida sobre a eficácia do transfer ban para combater as dívidas dos clubes com terceiros. Para Andrei Kampff, a medida é importante por atingir um dos principais interesses das equipes: a montagem e a renovação do elenco. O advogado, porém, faz uma ressalva. "O transfer ban cria pressão para o cumprimento de obrigações com atletas, profissionais e outros clubes. Mas impedir registros não coloca automaticamente o dinheiro na conta do credor. A sanção pressiona, mas não substitui a capacidade de pagamento nem garante, por si só, o recebimento. A proteção perde força quando o devedor passa a tratar o bloqueio como um inconveniente temporário e só resolve a dívida quando precisa registrar jogadores. O credor fica esperando e, involuntariamente, financiando o inadimplente", analisou. "O futebol brasileiro está normalizando o transfer ban. Os clubes estão aprendendo a conviver com esse tipo de punição. Quando isso acontece, ela deixa de exercer a função coercitiva que deveria ter e pode tornar necessária a adoção de sanções esportivas ainda mais severas, como a perda de pontos", acrescentou. Kampff evitou cravar que o número de punições esteja aumentando. O especialista em direito esportivo ressaltou que a inadimplência não é um problema recente no futebol brasileiro e destacou que a Fifa tem aprimorado seus mecanismos de cobrança e fiscalização. "Durante muito tempo, convivemos com uma cultura de tolerância ao atraso, à renegociação permanente e à transferência do problema para o próximo dirigente. O que mudou foi a capacidade de essas dívidas produzirem consequências esportivas, além da maior transparência sobre as punições", disse. "A recorrência das punições mostra que o problema segue sem solução. Se o clube paga uma dívida para liberar registros e pouco depois sofre outro bloqueio, resolveu a urgência, mas não necessariamente corrigiu a gestão", completou. Por fim, Andrei Kampff apontou caminhos para reduzir o elevado número de punições sofridas por clubes brasileiros. "Para mim, é combinar cobrança eficaz com prevenção: controle financeiro, transparência, fiscalização e responsabilização dos gestores quando cabível. Renegociar pode ser necessário, mas exige concordância do credor, um plano viável e garantias. Flexibilizar indiscriminadamente para quem não paga pune também quem administra com responsabilidade", finalizou. O cenário brasileiro contrasta com o das principais ligas do futebol mundial. Nenhum clube das cinco maiores ligas da Europa possui atualmente transfer ban ativo. Itália, França e Espanha até registram equipes na lista da Fifa, mas todas elas estão fora da primeira divisão de seus respectivos países. Já Inglaterra e Alemanha não têm nenhum clube punido. No Brasil, por outro lado, cinco integrantes da Série A do Campeonato Brasileiro estão sob transfer ban: Santos, Corinthians, São Paulo, Internacional e Grêmio.