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Nesta quinta-feira (1º), Tifanny Abreu voltou a criticar as novas diretrizes da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) para a participação de atletas trans em competições femininas . A única jogadora transgênero em atividade na elite do vôlei nacional marcou presença no evento de lançamento da Superliga 2026/27 , em São Paulo (SP) , mesmo estando impedida de disputar o torneio.
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Em entrevista, a oposta do Osasco demonstrou profunda indignação com a proibição, afirmando que se sentiu tratada "como uma bandida".
— É um momento muito difícil, porque, ao mesmo tempo que a gente tem que estar focado no nosso treinamento diário, em estar competindo, ter que ouvir isso no meio de uma temporada não é fácil. É como se a gente tivesse… como se eu fosse uma bandida, e eu não sou bandida . Sou uma atleta, uma atleta que inspira muitas pessoas — declarou Tifanny.
Em agosto, a CBV adotou os critérios previstos na Política de Proteção da Categoria Feminina do Comitê Olímpico Internacional (COI), que também já foi aderida pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana (CSV). Entre os requisitos, está a realização de uma triagem genética para identificar a presença ou não do gene SRY , relacionado ao desenvolvimento sexual masculino.
Com isso, a participação em campeonatos sob a regência da entidade no naipe feminino fica restrita a "atletas do sexo biológico feminino" , o que afeta diretamente a presença de Tifanny em quadra.
— Eu sinto desprezo, sinto uma falta de empatia muito grande . Raiva, eu acho que é um sentimento que as pessoas não deveriam carregar dentro do coração delas. A gente deveria carregar amor. Faltou muita empatia com o ser humano, com a atleta, com o clube e, principalmente, com todas as pessoas que se inspiram em mim no esporte — continuou o desabafo.
A nova política de elegibilidade foi anunciada um dia antes da estreia do Osasco na temporada, pelo Campeonato Paulista . Por ser um torneio organizado pela Federação Paulista de Voleibol (FPV), Tifanny continua atuando normalmente no estadual, assim como em amistosos, como foi o caso da recém-disputada Brasil Cup, em Belém (PA).
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Com a participação na Superliga ameaçada, a jogadora de 41 anos disse que pretende levar o embróglio ao âmbito judicial, caso não seja liberada para atuar no campeonato.
— Espero que algo possa mudar. Se não for numa boa conversa, de bom acordo, que seja na Justiça. E que a Justiça possa estar do meu lado, porque eu não fiz nada de errado . Só estou trabalhando — ressaltou.
Principal compromisso no calendário de clubes do vôlei brasileiro, a Superliga feminina começa no dia 17 de outubro. O prazo para inscrição de atletas se encerra na próxima segunda-feira (5) .
Tifanny iria para sua décima Superliga, a sexta com o Osasco. Na equipe paulista desde 2021, a oposta conquistou um título da competição, em 2024/25, além de quatro Campeonatos Paulistas, duas Copas Brasil, uma Supercopa e um terceiro lugar no Mundial de Clubes do ano passado.
— Eu quero poder terminar essa minha carreira de atleta com o pé direito e digna de uma aposentadoria, digna de falar assim: "Eu comecei, terminei, inspirei e agora vou começar a ajudar outras pessoas fora da quadra". Não assim, expulsa, proibida, jogada na sarjeta como se nada tivesse acontecido — completou.
Tifanny volta à quadra pelo Osasco nesta sexta-feira (2), no jogo de ida das semifinais do Campeonato Paulista. O time comandado por Luizomar de Moura visita o Pinheiros, no Ginásio Henrique Villaboim, às 21h (de Brasília).
A partida de volta está marcada para a próxima terça-feira (6), no Ginásio José Liberatti. Caso cada time vença um jogo, a definição do finalista irá para o golden set. Na outra chave, Sesi Bauru e São Caetano se enfrentam por um lugar na decisão.