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Futebol Clubes defendem bets no STF e falam em 'ponderação dos dramas' das famílias Do UOL, no Rio de Janeiro 03/11/2026 13h38 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Representantes dos clubes brasileiros estão participando hoje da audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito das bets e defenderam o mercado regulado. Dirigentes, executivos e advogados bateram na tecla dos impactos financeiros e da falta de segurança jurídica gerada pela Medida Provisória editada pelo governo que veta a atividade. O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, chegou a dizer que a discussão é uma "ponderação dos dramas" das famílias brasileiras, endividadas e lidando com vício, e dos eventuais cenários de desemprego gerados pela proibição das bets. Janaína Figueiredo Visita de Janones à Argentina prejudica Lula Milly Lacombe Clubes afundam e passam vergonha no STF Chico Barney Descobri o que deu errado em A Fazenda esse ano PVC Chape pode ser rebaixada; os palpites do Brasileirão "Ouvi muito atentamente aqui toda a manifestação do Governo Federal, e o ponto que me chamou muita atenção é que ouvi muito se falar sobre o drama. O drama das famílias, o drama do indivíduo. E isso, na verdade, ninguém nega. Só que também existe o drama do desemprego. O que os clubes vão fazer se a receita acabar?", disse Mattheus, que em seguida emendou: Eu já vi muitas vezes esta corte discutir a ponderação de princípios, mas aqui, neste caso, infelizmente, nós teremos que fazer a ponderação dos dramas. O drama de uma família individual não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, especialmente nas agremiações menores, com base nessa perda de receita. Na fala de abertura, o ministro Luiz Fux, relator das ações diretas de inconstitucionalidade que tramitam no STF sobre o assunto, disse ser contra as bets. Mas chegou a mencionar também o argumento da segurança jurídica. Esse foi o gancho de parte da fala do Flamengo, representado pelo vice-presidente geral, Flavio Willeman. 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no "Foi com base nesses contratos e na legislação vigente que o Flamengo planejou a sua estruturação financeira para os anos seguintes à celebração desses contratos. O Flamengo se organizou financeiramente para os próximos quatro, cinco anos com base no contrato assinado de acordo com a legislação vigente", disse ele. Continua após a publicidade Segundo o Fla, a MP põe em risco cerca de R$ 430 milhões em receitas anuais. "O Flamengo acreditou que o Brasil, após amplo debate no Congresso Nacional, regulou as apostas neste país e, portanto, confiou que essa atividade econômica teria perenidade", acrescentou o dirigente, que depois ainda fez comparação com outras indústrias de produtos que geram vícios: As apostas aparecem em terceiro lugar entre as atividades econômicas que propiciam vícios à população, atrás do cigarro e da bebida — e nem por isso se proibiram cigarro e bebida. Os clubes defenderam, no mínimo, uma transição mais longa para um eventual fim definitivo da atividade, ao contrário da interrupção imediata trazida pela MP em vigor. São Paulo, Corinthians e mais A advogada Daniele Maiolini falou em nome do São Paulo e abordou a questão da manipulação de resultados. Ela argumentou que a proibição não tira o futebol brasileiro do mercado de apostas, só o empurra para empresas fora do alcance do Estado. Continua após a publicidade "O combate às organizações criminosas de manipulação de competições, que antes recaía de forma desproporcional e, se formos muito honestos, de forma infrutífera sobre os clubes — passou a ser compartilhado. Às operadoras reguladas coube monitorar, reportar e retirar apostas suspeitas de suas plataformas", defendeu. O superintendente de marketing do Corinthians, Vinicius Manfredi, disse que o dinheiro dos patrocínios serve para "transformar receitas em excelência esportiva, desenvolvimento institucional e benefícios para a sociedade", sem distribuição de lucros — já que o clube é associativo. Ele apontou as plataformas ilegais como "o grande inimigo em comum". Para Manfredi, os clubes poderiam levar mensagens sobre os riscos das apostas, a prevenção da ludopatia e a proteção de menores a um público que as campanhas oficiais nem sempre alcançam. O advogado Udo Seckelmann, que falou pelo Botafogo, disse que nem a exposição de motivos da MP nem a AGU mostraram "um exemplo sequer de país que tenha proibido as apostas online de forma integral, como o Brasil está fazendo, e tenha, a partir disso, reduzido os índices de ludopatia, de endividamento e de mercado ilegal". "E eu sei por que não foi trazido, Excelência: porque a experiência internacional mostra o oposto." Continua após a publicidade Ele citou que mais de 90% dos 38 países da OCDE e mais de 75% dos países do G20 regulamentam as apostas online. Em seguida, falou da China, que segundo ele já foi apontada como modelo para o Brasil, e leu trechos de um relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), de julho de 2026. O relatório diz que, apesar da proibição em vigor desde 1949, a Grande China responde por cerca de metade das apostas ilegais do mundo, um mercado estimado entre US$ 340 bilhões e US$ 1,7 trilhão. A audiência foi interrompida às 13h e vai ser retomada a partir das 14h30. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Microbiota intestinal: 7 alimentos que fortalecem a saúde do intestino Rafael Câmara será titular da Haas em Interlagos e em Las Vegas Jornais criticam Filipe Luís após 'pesada derrota' do Monaco: 'Desastre' Após reconhecer derrota, Paes pede 2º turno no Rio: 'Povo tem direito' Vini Jr. leva fora de atriz de Stranger Things, diz jornal