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Reportagem Esporte Série B: dinheiro com contrapartida. O que pensam especialistas? Gabriel Coccetrone Repórter 10/02/2026 08h44 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu aceitar a um pedido dos clubes para arcar com as despesas estruturais da Série B do Campeonato Brasileiro. A iniciativa prevê o custeio integral de itens como arbitragem, uso do VAR (árbitro de vídeo), controle antidoping e logística de deslocamento das delegações, despesas que hoje são suportadas diretamente pelos times participantes da competição nacional. Em contrapartida, a CBF condiciona o benefício à adoção de novas diretrizes de gestão, com foco em governança e na implementação de regras de Fair Play Financeiro, induzindo práticas mais sustentáveis e padronizadas entre as equipes da segunda divisão. Governança em foco Marco Antonio Sabino Tarcísio: o governador que perdeu o sossego Josias de Souza Julgamento vira caso de autocombustão do TSE Wálter Maierovitch Código Fachin e a afronta às regras da moralidade Daniela Lima Sindicalismo terá vitória no Congresso no 1º semestre A advogada Roberta Codignoto destaca que profissionais de governança e compliance há tempos defendem a adoção de mecanismos de proteção e gestão no esporte, inclusive com debates recorrentes sobre a obrigatoriedade de programas de compliance para fortalecer a administração, a transparência e a integridade institucional. Segundo a especialista, a exigência de contrapartidas acaba sendo necessária para viabilizar a adoção de modelos mais sustentáveis. "Experiências como as da Sou do Esporte demonstram que estruturas de governança bem implementadas geram ganhos concretos de credibilidade e confiança. O futebol, porém, avança mais lentamente nessa agenda, o que justifica a proposta da CBF de vincular benefícios financeiros ao cumprimento efetivo de regras de governança, evidenciando que, sem incentivos, a evolução tende a não ocorrer. Longe de limitar dirigentes, estruturas sólidas qualificam decisões, distribuem responsabilidades e ampliam a segurança jurídica. A resistência à sua implementação é mais cultural do que técnica", avalia. Sob o ponto de vista prático, a advogada Ana Mizutori, especializada em direito desportivo, entende que a proposta da CBF tem potencial para promover maior equilíbrio e profissionalização no futebol brasileiro, especialmente na Série B, ao aliviar custos operacionais e, simultaneamente, estimular boas práticas de governança. "No entanto, seu impacto dependerá da forma como os critérios forem estruturados. Do ponto de vista jurídico, ao assumir custos da Série B condicionando o benefício a novas regras de governança, a CBF se ampara na autonomia constitucional das entidades esportivas e se mantém alinhada ao princípio da isonomia, desde que a diferenciação seja razoável, proporcional e voltada a um fim legítimo de fomento e sustentabilidade do futebol. Isso exige que as regras sejam claras, objetivas e compatíveis com o estatuto e os regulamentos da entidade", pondera. Ambiente tensionado O debate ocorre em um cenário já tensionado por acordos comerciais em vigor. Na última sexta-feira (6), clubes da Forte Futebol União (FFU) divulgaram um documento com críticas à própria liga, apontando falhas na condução das negociações de direitos, falta de transparência, tratamento secundário da competição e favorecimento de determinados clubes. Continua após a publicidade De acordo com a coluna do jornalista Rodrigo Mattos, no UOL Esporte, a logística da Série B deve custar à CBF entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões. Embora a entidade já arcasse com parte dessas despesas, o entendimento interno era de que a ajuda deveria ser suspensa, a exemplo do que ocorre na Série A, uma vez que a FFU é responsável pela comercialização da competição e, portanto, também deveria lidar com os custos operacionais. Há insatisfação de parte dos clubes em relação às cotas de TV decorrentes da negociação conduzida pela FFU. Os valores recebidos variam entre R$ 7 milhões e R$ 13 milhões, com complementação da própria liga. Paralelamente, a CBF concordou em repassar R$ 15 milhões a São Bernardo e Náutico, que cederam seus direitos de transmissão à entidade. No Conselho Técnico da Série B, realizado na última quinta-feira, os clubes insistiram na manutenção da "ajuda" da CBF. A FFU chegou a sinalizar que arcaria com a logística, desde que os clubes cedessem propriedades de marketing. Diante desse cenário, a diretoria da confederação passou a temer um possível colapso financeiro da competição — preocupação que refletia a principal queixa de grande parte dos clubes da Série B. Com a entrada da CBF, a FFU acabou retirando a proposta de assumir os custos logísticos. Obrigações financeiras A CBF deve repassar cerca de R$ 3 milhões por clube, a título de empréstimo. No entanto, o valor poderá ser convertido em apoio não reembolsável, desde que as equipes cumpram determinadas obrigações financeiras. Continua após a publicidade Parte das exigências — como a manutenção de salários e contas em dia — já está prevista no Fair Play Financeiro da CBF. Ainda assim, a entidade pretende estabelecer regras mais detalhadas e rigorosas específicas para os clubes da Série B. O conjunto completo de exigências ainda será formalmente apresentado às equipes. Caso os clubes não cumpram os pré-requisitos, o valor repassado será tratado como empréstimo e deverá ser devolvido à entidade. Nessa hipótese, a CBF poderá descontar os montantes de futuras cotas de participação dos clubes na Copa do Brasil. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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