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Sem receber salários, funcionários da Ponte Preta relatam dificuldades A crise financeira da Ponte Preta vai além dos números. Os recorrentes atrasos salariais que atingem jogadores e funcionários desde 2025 pesam na rotina de quem mantém o clube funcionando - seja dentro ou fora de campo. É um drama silencioso, que não aparece em balanços ou estatísticas, mas que impacta na vida de famílias. Uma reportagem exibida pelo Globo Esporte mostrou relatos de como a falta de pagamento mudou a realidade de pessoas nos últimos meses. + ge Ponte Preta tem canal no WhatsApp; clique aqui para seguir! 1 de 5
Ponte vive grave crise financeira — Foto: Reprodução EPTV Ponte vive grave crise financeira — Foto: Reprodução EPTV É o caso, por exemplo, do massagista Dauller Luiz, que trabalhava nas categorias de base da Ponte até pouco tempo atrás (hoje está no Hyper, de Valinhos). - Último salário foi em fevereiro de 2025. De lá para cá bagunçou tudo. Os reflexos foram diversos na vida dele e também do filho, de apenas 11 anos: - Eu moro em apartamento, o condomínio ficou atrasado. Fiz acordo, mas os 11 meses que não recebi não conseguia pagar o condomínio. Meu filho estudava em colégio particular. Quando atrasou, precisou sair do colégio. Eu faço massagem particular, dou aula de massagem, então a gente consegue apertar daqui e ali, vai fazendo, mas não é o correto. 2 de 5
Dauller recebeu o último salário da Ponte em fevereiro de 2025 — Foto: Oscar Herculano/ EPTV Dauller recebeu o último salário da Ponte em fevereiro de 2025 — Foto: Oscar Herculano/ EPTV O Globo Esporte também ouviu um funcionário que preferiu não se identificar e que disse estar há 11 meses sem receber: - É matar um leão por dia. Tentar pelo menos colocar alimento dentro de casa, pagar aluguel, água e luz para ter o mínimo de condições. Você trabalhou, fez a sua parte, e o clube não cumpre a dele. - Tem casos de atletas que até mesmo durante o vínculo optaram por fazer Uber (trabalhando como motorista de aplicativo), não para completar uma renda, uma vez que nem estava tendo renda - diz o advogado Filipe Rino, com aproximadamente 50 processos trabalhistas contra a Ponte. Desde a campanha do título da Série C do ano passado, diversos jogadores entraram na Justiça para deixar o clube. O lateral-direito Pacheco foi um deles. O episódio foi emblemático por ter viralizado um print de uma publicação de Pacheco nas redes sociais fazendo rifa de artigos utilizados na final da Série C do Brasileiro (camisa, shorts, meiões, além de chuteira e um par de luvas) a R$ 20. 3 de 5
Ex-funcionário da Ponte relata drama com salários atrasados — Foto: Reprodução EPTV Ex-funcionário da Ponte relata drama com salários atrasados — Foto: Reprodução EPTV Para quem teve a vida revirada, ficam o sentimento de frustração e a sensação de abandono. - Como pontepretano, fico magoado da maneira que eles estão tratando a instituição. Como funcionário, fico triste. A gente trabalha com amor, carinho e dedicação. E a gente esperava um algo a mais. Não vejo uma luz no fim do túnel para esse ano - afirmou Dauller. O que diz a Ponte A reportagem do Globo Esporte falou com o diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, sobre a situação dos salários atrasados. - São vários cenários. O pagamento dos salários dos funcionários do clube está em dia praticamente. O 13º ainda não foi pago, e estamos fazendo acordo para parcelar. Fora isso não tem pendências com funcionários administrativos. Pode ter havido atraso, mas a diretoria está empenhada em resolver. 4 de 5
José Henrique Specie, diretor jurídico da Ponte Preta — Foto: Reprodução EPTV José Henrique Specie, diretor jurídico da Ponte Preta — Foto: Reprodução EPTV Em relação ao departamento de futebol, Specie não estipula um prazo, mas acredita na resolução das dívidas em breve. - Futebol é mais complexo. São vários cenários. Até pela questão do valor do custo do futebol, a gente tem negociado individualmente, caso a caso, para buscar uma saída e uma solução. A gente pretende, e a gente está empenhado para que essa questão seja solucionada no máximo até o próximo mês. - A prioridade da diretoria é a solução definitiva da Ponte, especialmente em relação aos pagamentos de colaboradores e atletas de forma geral. A gente está empenhado diariamente em buscar essa solução - concluiu o dirigente. VEJA TAMBÉM: + Ponte é punida pela CNRD e fica impedida de registrar jogadores De acordo com o balanço financeiro da Ponte em 2025, o clube acumulou um déficit de R$ 33 milhões no período. Os problemas extracampo refletem no desempenho do time na atual temporada. A Ponte foi rebaixada no Paulistão como lanterna, com apenas um ponto em oito jogos, sem conseguir inscrever os atletas contratados nas três primeiras rodadas por estar punida com transfer ban. 5 de 5
Salários atrasados atingem jogadores e funcionários da Ponte desde 2025 — Foto: Reprodução EPTV Salários atrasados atingem jogadores e funcionários da Ponte desde 2025 — Foto: Reprodução EPTV Durante a campanha do estadual, três atletas chegaram a sair antes mesmo de estrear: o zagueiro Wallace, o lateral-direito Igor Inocêncio e o atacante Hebert - que depois foi para o Guarani e fez o gol da vitória alviverde no dérbi que praticamente decretou a queda da Ponte. Agora, a Ponte está à beira da zona de rebaixamento da Série B do Brasileiro, com sete pontos em 21 possíveis. Posições do Sindicato dos Atletas e do Ministério Público do Trabalho Em nota, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo informa que intermediou as conversas entre diretoria e jogadores e que o clube apresentou prazos para regularização dos pagamentos, mas eles não foram integralmente cumpridos. + CLIQUE AQUI e leia mais sobre a Ponte O Ministério Público do Trabalho diz que recebeu denúncias de atrasos salariais na Ponte e que agora faz o levantamento das provas. Se as irregularidades forem comprovadas, será aberta uma ação de execução na Justiça do Trabalho.