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Análise dos Times

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Lula Bolsonaro STF Daniela Lima Malu Gaspar Banco Central Vladimir Safatle Manoel de Barros Frantz Fanon Walter Benjamin Rosa Luxemburgo Emma Goldman James Baldwin Carolina Maria Yuval Harari

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Se me permitem uma previsão: 2026 será diferente de tudo o que já vimos Milly Lacombe Colunista do UOL 01/01/2026 12h54 Deixe seu comentário Mulher caminha na orla da praia de Copacabana durante comemoração do Ano-Novo, no Rio de Janeiro Imagem: Daniel Ramalho/AFP Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Começou. Mas pensemos o que de fato muda de um dia para o outro? Trinta e um de dezembro, primeiro de janeiro. Somos as mesmas pessoas submetidas a um calendário inventado que diz, por imposição, que um ano acaba e outro começa entre esses dois dias. Mesmo quem não se guia espiritualmente pelo calendário gregoriano acaba tendo que se guiar administrativamente, politicamente, logisticamente. Divergindo de mim mesma, quero apresentar um contra-argumento. Tudo muda entre 31 de dezembro e primeiro de janeiro. Sakamoto Clã Bolsonaro faz plot twist oportunista e ruim de doer Casagrande Neymar e Gabriel juntos é aposta arriscada do Santos Demétrio Magnoli Difamadores de Malu são militantes políticos Mariliz Pereira Jorge A pauta do feminismo em 2026 será o homem Muda justamente porque as coisas têm a importância que damos a elas. Rituais de finalizações, de agradecimentos, de renovação de sonhos, de revisão da vida. O fim de um ano oferece a todas e a todos nós esse convite. Recomeçar. Renovar votos. Renascer. Do mesmo jeito que nada deveria mudar numa partida de tênis quando um game ou um set se encerra - e sabemos que muita coisa muda com a simples chance, que chega mentalmente, de jogar diferente - tudo muda entre um ano e outro. Começa hoje, portanto, um dos anos mais desafiadores das nossas vidas. Pessoal e coletivamente, porque essas coisas não se separam. Dependemos uns dos outros. Não somos nem jamais seremos independentes; somos e sempre seremos inter-dependentes. No final de 2026, teremos a eleição mais tensa que já vivemos. Mas ela começa a ser disputada hoje (ou já começou). A extrema-direita entendeu que o Brasil é um território de resistência ao fascismo cujo monstruoso cavalo galopa furiosamente pelo planeta e colocará tudo o que tem de conhecimento em manipulação de desejos em circulação. Lula, mantendo-se são, liderará o lado oposto, o que indica que todas as pessoas com consciência do feminismo estarão sem trincheira. Inevitavelmente teremos que pular na trincheira que se opõe ao fascismo, mas isso não precisa ser feito de imediato. Continua após a publicidade Lula, apesar de não se achar machista, é extremamente machista e está cercado de machistas como ele executando políticas de exclusão. A imagem da subida na rampa em 2022, tão bonita e poética, foi enterrada. Vai ser o ano em que escutaremos o campo da esquerda dizendo coisas como: "parem de cancelar esse e aquele só porque foram acusados de assédio, abuso, estupro. Eles são importantes na luta". Ou: "Silenciem sobre aborto e outras bobagens porque existem coisas mais importantes em jogo. Se o fascismo vencer a culpa será de vocês". Argumentos que já ouvimos em 2018 porque os movimentos do "Ele Não", organizados por mulheres e que colocaram multidões nas ruas, foram responsabilizados pela derrota de Fernando Haddad. Uma epidemia de notícias falsas e de mentiras geradas por inteligência artificial vai infectar milhões de pessoas no Brasil. Ninguém vai escapar de se sentir confuso e perdido. Em que acreditar? Precisaremos escolher os Virgílios que nos guiarão pelos círculos do inferno e, depois, para fora dele. Eles existem, eles estão a nosso serviço, basta que recorramos às apurações que fazem e depois mastigam para a gente. O fim de 2025 deu uma ideia do que vem aí: Malu Gaspar noticiou, no melhor estilo Lava Jato, supostos e graves malfeitos que teriam sido cometidos por um dos ministros do STF em conivência com o presidente do Banco Central. Daniela Lima, um de meus Virgílios, precisou interromper seu descanso para colocar tudo em contexto. Dias depois, Malu Gaspar voltou atrás e Daniela saiu grandona da ocasião. O episódio é apenas um aquecimento para 2026. Escolham em quem confiar, informe-se através daqueles que seguem acertando em série, não acreditem em coisas que chegam pelos grupos de mensagens, recorram a seus Virgílios para tentar entender quando a circunstância ficar nebulosa. Continua após a publicidade A oposição ao governo vai usar de todos os meios para interromper a criação de políticas que podem fazer o Brasil crescer porque, com o caos, têm a chance de ganhar votos nas eleições. Ano de Copa e de aumento da temperatura no futebol porque o machismo e a misoginia se renovaram nas atitudes e nas palavras de dirigentes sem noção que incentivam, querendo ou não, uma onda de violência concreta, que seguirá forte em 2026. Os anti-identitaristas de esquerda e de direita estarão em ebulição, aproveitando cada brecha para dizer que o identitarismo é a culpa de todos os males sem jamais levar em consideração que qualquer luta anti-identitária deveria começar pela crítica à identidade que nos trouxe até aqui: a do homem cis-hetéro e branco. Na dúvida sobre como pensar, recorram a vozes como a de Vladimir Safatle. Busquem conforto na poesia (salve Manoel de Barros), em autores que passaram por guerras e pelo fascismo e nos deixaram de presente uma rota de fuga. Leiam Frantz Fanon, leiam Walter Benjamin, leiam Rosa Luxemburgo, leiam Emma Goldman, leiam James Baldwin, leiam Carolina Maria. E, como pede o historiador e escritor israelense Yuval Harari, aprendam a meditar. Esse talvez seja a dica mais valiosa de todas. Que possamos caminhar pela lucidez, que não percamos de vista as paixões alegres, que possamos enxergar as frestas e dançar nelas, e que escolhamos ficar perto daqueles que amamos. Encontrem seus coqueiros e se segurem porque a ventania vai ser forte. Bora lá. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Neymar e Gabriel juntos é aposta arriscada que o Santos está fazendo Chinesa BYD tem recorde, supera Tesla e lidera mercado de carros elétricos Após 'saidinha' de Natal, 150 presos do CV não voltam à prisão no RJ Preso hoje, Filipe Martins é apontado como articulador da trama golpista Myrian Rios defende ex-marido Roberto Carlos por críticas a vídeo em show