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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Consumo crescia antes de bets saírem do ar, mostram dados da própria ABRAS Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 31/10/2026 05h30 Deixe seu comentário Flamengo e Fluminense estamparam em suas camisas frase em protesto contra o veto às bets Imagem: Gilvan de Souza / Flamengo Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) atribuiu à proibição das bets o crescimento de 6,5% nas vendas do varejo alimentar entre 5 e 11 de outubro. Os números foram publicados em reportagem do UOL no dia 28, quarta-feira. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) divulgou nota questionando os números propagados pela ABRAS. O blog confirmou que eles não comprovam que a proibição das apostas tenha provocado o aumento das compras de alimentos. De fato, levantamentos da própria entidade que reúne os supermercados mostram que o setor já avançava antes da medida. Entre 14 e 20 de setembro, as vendas em valor cresceram 7,9% em relação à semana correspondente de 2025. A Hora Confiança do mercado cai, e a do consumidor, sobe Rodrigo Ratier IA ameaça o pensamento crítico na faculdade Paulo Camargo Seu chefe merece bônus se a equipe não confia nele? Julián Fuks A ideia que tomou o mundo: Lula como antítese do ódio Sobre o aumento de consumo, ele já crescia antes de as bets serem retiradas do ar, em 6 de outubro https://t.co/SRoF2kUMqf -- Mauro Cezar (@maurocezar) October 29, 2026 A MP foi publicada em 25 de setembro e a retirada das plataformas legalizadas do ar em 6 de outubro. O crescimento, portanto, já ocorria antes da medida do governo, que mal explorou esses índices, a ele favoráveis, na campanha pela reeleição do presidente Lula. O percentual de 7,9% está na página 2 do Monitoramento Semanal NielsenIQ e ABRAS da semana 38 . Trata-se de aumento das vendas em dinheiro, sem descontar a inflação , e não necessariamente de maior quantidade de produtos comprados. Há evidência de crescimento real anterior à proibição. No indicador de Consumo nos Lares referente a agosto , a própria ABRAS informa alta de 2,69% sobre agosto de 2025 e de 2,71% no acumulado do ano, descontada a inflação. Ou seja, a expansão das compras já aparecia quando as bets legalizadas ainda operavam! A cronologia é importante. Segundo o calendário divulgado pela Câmara dos Deputados, novos depósitos foram proibidos em 25 de setembro. O prazo para saques voluntários terminou em 5 de outubro, e o bloqueio dos sites e aplicativos foi estabelecido para o dia seguinte. São datas distintas, que precisam ser consideradas ao avaliar eventuais efeitos sobre o orçamento das famílias. Para a semana de 5 a 11 de outubro a página 2 do monitoramento ABRAS/NIQ da semana 41 registra alta de 7,4% nas vendas em valor. Continua após a publicidade O fato de as vendas crescerem antes do veto às bets não demonstra que a proibição deixou de produzir algum efeito adicional. Ao mesmo tempo, também impede que se apresente a expansão posterior como prova suficiente do sucesso da medida. A redução das transferências via PIX também não significa, obrigatória e isoladamente, que o dinheiro antes destinado às apostas chegou aos supermercados. Seria preciso identificar quanto deixou de ser apostado e qual foi o destino dos recursos. E não se deve ignorar a presença das bets piratas. Sem as legalizadas o mercado ficou à disposição delas, consequentemente ainda mais fortes após a proibição das casas de apostas que haviam sido autorizadas pelo governo. Como escrevi nesta coluna em 28 de setembro , extinguir as autorizações não elimina automaticamente a atividade. Como previsto, operadores clandestinos continuam captando clientes por novos endereços e outros canais. Você acessa um site e veja o que aparece. E tem gente acreditando que "acabaram com as bets". Tolinhos. https://t.co/IOrJmBR02r -- Mauro Cezar (@maurocezar) October 28, 2026 A pergunta permanece: quantos brasileiros deixaram de jogar e quantos migraram para plataformas ilegais? Essa migração envolve perda de controle sobre identificação de apostadores, acesso de menores e mecanismos de auto-exclusão. Continua após a publicidade O Estado também perdeu arrecadação e informações úteis à fiscalização, enquanto os custos sociais e de saúde associados às apostas continuam existindo. Os danos da ludopatia e do endividamento exigem políticas eficazes e avaliações rigorosas. Se a Associação Brasileira de Supermercados sustenta que a proibição aumentou as compras de alimentos, deveria comprovar qual parcela do crescimento decorreu dela. Contudo, os documentos da própria entidade mostram que o consumo já avançava antes da MP e da data determinada para a retirada das plataformas do ar. Atribuir à proibição o resultado apresentado exige mais do que constatar que os mercados associados à ABRAS estão vendendo mais. No entanto, como diz o jornalista Lucio de Castro, "sob tortura os números dizem qualquer coisa". Siga Mauro Cezar no X Siga Mauro Cezar no Instagram Siga Mauro Cezar no Facebook Continua após a publicidade Inscreva-se no Canal Mauro Cezar no YouTube Siga Mauro Cezar no Threads Siga Mauro Cezar no BlueSky Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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