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Opinião Esporte Futebol Copa do Mundo Comemorar o gol é positivo; xingar Virgínia, não Eduardo Carvalho Colunista do UOL, no Rio 01/06/2026 17h47 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Virginia comemora gol de Vini Jr. no Maracanã Imagem: Agnews Quando Vinicius Jr. marcou ontem o gol, houve razão para celebrar, já que abriu o placar. Não apenas o gol em si, mas o que ele simboliza. Cada gol dele é uma resposta dada sempre aos ataques que sofre, uma afirmação e também permanência. É político, inclusive, no melhor sentido da palavra. Mas a celebração de Vinicius em campo não pode fazer da ex-companheira pauta, ainda que a vida privada tenha virado conteúdo. Virgínia Fonseca é um fenômeno de outro campo, mas submetida à mesma lógica. Ela construiu uma audiência massiva, fala com uma parcela significativa da sociedade brasileira que se sente genuinamente representada por ela. Criticar Virgínia é legítimo. O que ela vende, o que representa, o mercado que alimenta, o apoio ao chamado "tigrinho ". Tudo isso é um debate válido. O que não é válido é quando a crítica abandona o argumento e escolhe o corpo. Sakamoto Prefeitura de SP pode ter financiado traição ao Brasil Alicia Klein Por que o estádio que vaia Virginia louva Neymar? Wálter Maierovitch Flávio incorporou terror com pitadas milicianas Alexandre Borges O debate político morreu, e ninguém chora por ele O que não é legítimo é quando essa crítica descamba para o xingamento sexual. Para o ataque ao corpo. Para a humilhação que usa o gênero como arma. Neste momento, não se está mais criticando o que ela faz; está atacando o que ela é. E o que ela é, antes de qualquer coisa, é uma mulher. Filha e mãe. "Vai tomar no c*" direcionado a uma mulher não é apenas um palavrão. Ele carrega dentro de si uma longa história de silenciamento, de sexualização como punição, de uso do corpo feminino como campo de batalha para disputas que frequentemente nem dizem respeito a ela. Estamos às vésperas de mais uma Copa, onde as esposas e companheiras dos jogadores ficam em destaque, seja nos estádios, nas redes sociais, nas câmeras que as encontram nas arquibancadas e pra quem acompanha o esporte, não é novidade. É formato. É produto. É parte do espetáculo que o futebol moderno aprendeu a vender junto com a bola. E funciona. O futebol está mudando não por acaso. A visibilidade do futebol feminino, o enfrentamento público ao racismo dentro e fora dos campos, a presença cada vez maior de torcidas organizadas com pautas que vão além do placar: tudo isso é resultado de pressão, de escolha, de pessoas que decidiram que torcer também é um ato político. A torcida sempre teve poder. A questão é para onde ele aponta. Se já ocupamos as arquibancadas, as redes, as conversas, e se já somos parte do espetáculo que movimenta bilhões, também estamos e somos parte da cultura que esse espetáculo produz. E cultura se muda de dentro. Recusar o xingamento misógino não é pauta de minoria sensível. É decidir que o futebol que queremos ver não cabe no mesmo gesto que humilha uma mulher. Esse pode ser o gol mais difícil. E o mais necessário. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Dá pra viver sem carne? Especialistas avaliam argumentos de Gisele Bündchen Renan Santos lidera como principal nome da '3ª via', diz RealTime Big Data Como é o bairro na Holanda onde moradores são 'obrigados' a ter uma horta Samir: Memphis deixou hotel onde morava; 30 malas estão em contêiner Miniatura em Lego da McLaren de Senna está com 40% off; confira opiniões