Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Como assassinato de mulher branca pela polícia pode decretar o fim de Trump Milly Lacombe Colunista do UOL 09/01/2026 11h10 Deixe seu comentário Multidão visita um memorial em homenagem a Renee Nicole Good, morta a tiros por um agente do ICE durante uma abordagem no sul de Minneapolis Imagem: Scott Olson/Getty Images via AFP Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Renee Nicole Good, de 37 anos, foi executada pela polícia-milícia que caça imigrantes de Donald Trump. Tiros no rosto e, ato contínuo, o impedimento de que médicos que estavam no loca a socorressem. Nicole sangrou até morrer por quinze minutos. Nem os paramédicos tiveram livre acesso a ela quando chegaram. Good não é a primeira pessoa executada pela polícia-milícia que Trump criou. Mas é a primeira considerada branca e era cidadã estadunidense. Pela primeira vez, parte importante da base eleitoral de Trump, que são as donas de casa dos subúrbios, está vendo o rosto de alguém que poderia ser o delas ou o de suas filhas. Os assassinatos anteriores foram de pessoas negras ou latinas - e a América branca dos subúrbios não pareceu se importar. Amanda Klein A bolsa de apostas para o Ministério da Justiça Daniela Lima TCU recuou no Master pela perda de apoio e pressão Sakamoto Trump ameaça México para abafar revolta nos EUA Maria Ribeiro Paolla, tem como nunca se separar do Carnaval? Mas agora o rosto executado se parece com o dela. E o jogo muda. Nas ruas, as cidades protestam. Nas redes sociais, a indignação é imensa. Na imprensa Trumpista tentam desqualificar Good. Na Fox, emissora que serve como assessoria de imprensa do governo, o apresentador chegou a dizer debochadamente que em seus perfis nas redes sociais Good usava pronomes e se declarava lésbica. Sabemos como o processo de desmoralização se segue a assassinatos de pessoas inocentes cometidos pelo estado, mas a América branca não passa por isso - ou não passava. O rompimento das mulheres conservadoras com Trump vem acontecendo gradualmente. Um marco foi a saída da deputada republicana Marjorie Taylor-Greene de sua base. Uma das mulheres mais atuantes para a eleição de Trump, força política inconteste, Greene rompeu oficialmente com Trump por ocasião dos arquivos de Epstein. Trump prometeu divulgá-los e, eleito, faz de tudo para escondê-los. Greene não gostou e foi para o confronto. Trump a humilhou e fez de tudo para silenciá-la. Greene disse chega, pediu para sair do congresso e, ao que consta, se articula contra o mandatário. A revista The New Yorker escreveu um perfil recente muito interessante de Greene e da história do rompimento. Agora, com a execução de Good, a América branca compreende que a polícia que caçava apenas os outros que com ela não se pareciam pode estar à espreita - dela, de seus filhos, daqueles que ela amam. E isso não é tolerável. O desespero de Trump para desumanizar Good indica a gravidade do momento. Some-se a isso o sequestro de um presidente estrangeiro e os gastos colossais com exército, armamentos e operações, em detrimento da saúde que foi abandonada pelo governo, e voilà . Estadunidenses podem não saber onde fica a Venezuela, mas sabem que estão sem assistência médica - e isso basta. Continua após a publicidade Se perder a dona de casa dos subúrbios, Trump vai levar uma surra nas eleições para congresso e senado ainda esse ano. Se levar, acabou para ele e seu fascismo escancarado e galopante. Antes, os Estados Unidos já viram outros pêndulos políticos virarem para o lado oposto quando mulheres disseram chega. Foi assim na luta por direitos civis (salve Rosa Parks), foi assim contra Nixon e vai ser assim com Trump. Dentro de uma estrutura racista como é a estadunidense, esse tipo de erro de cálculo pode mudar bastante coisa. O local onde Good foi executada pela polícia não fica distante daquele onde George Floyd também foi, há seis anos. A história não se repete, mas manda recados. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Presidente da Colômbia diz que temeu ser preso pelos EUA assim como Maduro Família de Leonardo escondeu totem de Neymar em visita de Bruna Marquezine Patrícia Poeta ousa com tomara que caia de bolinha: 'Estilo dos anos 60' Arnaldo: Casares está sendo blindado no São Paulo por seu parceiro de golpe A bolsa de aposta para o Ministério da Justiça