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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Seleção feminina do Irã expõe os dilemas de ser mulher num mundo em guerra Milly Lacombe Colunista do UOL 13/03/2026 12h19 Deixe seu comentário 8.mar.2026 - Equipe de futebol feminino do Irã posando antes de jogo contra as Filipinas, durante a Copa da Ásia de Futebol Feminino Imagem: Dave Hunt/AAP Image via Reuters Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Sete jogadoras da seleção de futebol feminina do Irã, que viajou para jogar a Copa Asiática na Austrália, pediram para não retornarem ao Irã e receberam de imediato vistos humanitários do governo australiano para permanecerem no país. O restante do time voltou para casa. O episódio precisa ser analisado com cuidado. A teocracia iraniana, agredida militarmente por Israel e Estados Unidos, faz uso de violentas tecnologias de repressão a mulheres e imagino que a decisão de voltar para casa seja para essas jogadoras uma das mais difíceis de suas vidas. Ainda assim, a maior parte da delegação optou por retornar a um país que, além de maltratar meninas e mulheres, está em guerra contra dois dos exércitos mais poderosos do planeta. Daniela Lima Cresce a chance de delação de Vorcaro Josias de Souza Toffoli deveria pensar em sair do Supremo Mauro Cezar É incrível como toleram o futebol pobre do Palmeiras PVC São Paulo não tem uma única verdade Por que voltaram? O que o ataque estadunidense-israelense fez de mais concreto até aqui foi articular um nível de nacionalismo que parecia estar abalado no Irã. Quando mulheres decidem voltar a um país extremamente violento contra elas é porque existem outras coisas envolvidas na cidadania. Essas mesmas mulheres estavam, há algumas semanas, nas ruas protestando contra o regime iraniano, exigindo mudanças e vendo o seu próprio governo atirar contra os manifestantes, matando centenas. São elas que agora, de forma voluntária, decidem retornar para o mundo dos maníacos Aiatolás. Nesse momento, não voltar talvez fosse a alternativa mais fácil, ainda que envolva deixar vínculos para trás. Voltar certamente envolve mais complexidades. Uma delas é a de escolher não apoiar o imperialismo sanguinário dos Estados Unidos. Teerã e Beirute, no Líbano, estão sendo bombardeadas pelas forças de Trump e de Netanyahu, e milhares de inocentes estão morrendo. O ato inaugural dessa guerra foi o assassinato de 168 meninas entre sete e 12 anos e de 14 professoras, atingidas por mísseis Tomahawk dentro de uma escola primária. Só os Estados Unidos e alguns aliados na Europa têm os mísseis Tomahawk que foram jogados sobre a escola e, por mais que Trump continue covardemente negando a autoria do massacre, já é sabido que foram os Estados Unidos que cometeram esse ato inominável. Ser mulher é ter que lidar com esses dilemas: voltar para um país que as reprime violentamente e honrar suas raízes na luta contra o imperialismo, ou usar a rota de fuga que foi apresentada? Continua após a publicidade "Qualquer regime que precise ser derrubado, incluindo o dos Estados Unidos, de Israel ou [do Irã], deve ser derrubado por sua população e não por [uma nação] mentirosa, gananciosa, bélica e imperialista ou por seus aliados que estão tentando colocar o mundo inteiro em posição de sujeição", disse a escritora indiana Arundhati Roy essa semana durante evento de lançamento de seu novo livro. A escolha de voltar para casa, nesse cenário, é uma escolha audaciosa, corajosa e patriota. Lutar contra o imperialismo e, na sequência, lutar pelo fim das repressões contra elas mesmas. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Morre Nelson Tatá Alexandre, do 'Show de Rádio' e do 'Perdidos na Noite' Ratinho diz que defende população trans: 'Crítica não é preconceito' Brasileira que sumiu na Inglaterra usou barco e ficou à deriva, diz polícia Diogo Nogueira explica fim de namoro com Paolla: 'Não estava legal' São Paulo abre negociações para renovar contrato de Calleri