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Análise dos Times

Sao Paulo

Principal

Motivo: Critica duramente a crise e a gestão ('trágico estado', 'pior balanço da história'), mas com tom construtivo e afeto pela tradição e torcida do clube.

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Palavras-Chave

Entidades Principais

São Paulo Juca Kfouri SAF Morumbi Kodak Blockbuster Pan Am

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Opinião A reconstrução do São Paulo - Parte I Juca Kfouri Colunista do UOL 23/09/2026 10h11 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Imagem: Reprodução RODRIGO R. MONTEIRO DE CASTRO Não, não há qualquer fato novo que mude a situação atual do São Paulo; ao contrário. A situação é complicadíssima - para se dizer o mínimo. Mas há caminho para solucionamento do trágico estado de coisas. Antes da apresentação do caminho, faz-se uma breve recapitulação de avisos sobre o que aconteceria com o São Paulo - e, infelizmente, aconteceu. Tatiana Farah Lula vai ao Nordeste para socorrer candidatos Aline Sordili David Ellison herda CNN em meio a furacão Tony Marlon Futebol é a maior plataforma cultural do Brasil Elio Gaspari A favor da jogatina, só o Ministério da Fazenda Publiquei neste espaço, em 20 de fevereiro de 2019, um texto com o seguinte título: "O fim da história do São Paulo Futebol Clube". Afirmava-se, ali, que não, o time não deixaria de existir, mas ingressara em nova fase, de apequenamento, que não seria, portanto, soberana. Tratava-se do fim do poderio que o caracterizou entre as décadas de 1980 e 2000. Dizia-se, ademais, que o clube havia sido, com efeito, o maior durante a prevalência (ou monopólio) do clubismo, mas que este modelo fora substituído na Europa - e futuramente o seria no Brasil - por outro, caracterizado pela organização empresarial, para a qual o São Paulo não estava preparado; pior, a rejeitava. Também se dizia que, enquanto o São Paulo autoadmirava a sua suposta soberania, outros times se preparavam para a revolução futebolística-empresarial e o superariam, com folga. E ainda se acrescentava que a politicalha, tão presente em outros clubes durante o auge do São Paulo, e que a sua institucionalidade soubera conter, passou a dominar o ambiente são-paulino com diversos partidos políticos, reformas estatutárias promovidas no interesse de incumbentes - e consolidadas com apoios grupais -, escândalos envolvendo mal uso do cargo, renúncias e outros eventos maléficos que se avolumaram com o tempo. Importante, muito importante: naquele texto se apontava que, em 2017, promoveu-se uma reforma estatutária do clube, que foi anunciada pelos dirigentes como a retomada do caminho da vanguarda, mas que foi implodida pelos seus próprios dirigentes e conselheiros, que (i) usaram o novel conselho de administração - que devia ser composto de membros realmente independentes e reconhecidos por suas carreiras empresariais e financeiras, e cumprir função de passagem para o ambiente de mercado - como palco de conchavos e articulações políticas e (ii) não apresentaram e submeteram à votação estudo de criação de uma entidade autônoma, uma SAF antes da Lei da SAF, realizado por uma das quatro maiores auditorias do planeta. A proposição, lamentavelmente, foi engavetada, por anos, pelo órgão que deveria tê-la encaminhado para o conselho deliberativo, com a conivência da diretoria. Concluía-se, por fim, que a crise política, a situação financeira precária e a preponderância de interesses pessoais talvez indicassem "o fim de um grande time, que apenas terá um grande passado". Continua após a publicidade Outro artigo foi escrito, também neste espaço, em 26 de maio de 2021, com o seguinte título: "Salve o tricolor paulista". Ou seja, logo após o título de campeão paulista. Apesar da celebração, perguntava-se: e agora? E a resposta vinha com o seguinte conteúdo: "(...) pouco mudará, financeira ou estruturalmente, por conta do título estadual - além do nível de felicidade ou de aliviamento da torcida e dos próprios jogadores, que afastaram o peso de insatisfações acumuladas após quase dez anos de jejum de taças. Mais do que isso: a estrutura associativa ainda é um impeditivo para que o SPFC se financie adequadamente; e o sistema político uma prisão que há muito cobra seu preço - e reduz a sua importância". O São Paulo já sinalizava, em comparação a outros times, conforme números ali apresentados, que caminhava para o apequenamento estrutural, administrativo, gerencial, econômico, financeiro e, os anos mostraram, esportivo, moral e ético. E assim se concluía: "para que o São Paulo volte a ser grande, deve almejar mais, muito mais do que a própria limitação da estrada física: haverá de saltar num avião e alçar voos ambiciosos". Os artigos, a respeito da situação do São Paulo, se avolumaram. Mais um, contendo a mesma temática, foi publicado neste mesmo espaço em 15 de dezembro de 2021, e assim denominado: "O fim do fim da história do São Paulo". Nele se indicava que já era evidente a aceleração do processo de decadência e que somente a arrogância (ou a negligência diante de movimentos disruptivos) impediam que se percebesse que o São Paulo seguia o caminho de grandes marcas ou empresas, que não souberam se adaptar às mudanças estruturais, como Pan Am, Kodak e Blockbuster. Continua após a publicidade Mais: afirmava-se que o pior estava por vir, na esteira de um processo político-absolutista, comandado pelo então presidente, que anos depois movimentou a estrutura para reformar o estatuto em favor de sua permanência, e deixou como legado a maior crise da história, desnudada após a sua renúncia. Enfim, para finalizar as referências aos quinze artigos sobre o São Paulo publicados neste espaço, menciona-se apenas mais um, de 27 de abril de 2022, chamado "Salve o Tricolor Paulista - Parte II". Nele se questionou a defesa que a diretoria fazia do associativismo como forma de direcionamento do São Paulo ao futuro, associado à construção da imagem de um presidente messiânico, que soube usar, talvez como nenhum outro, as fragilidades do sistema estatutário e impor uma dominação que terminou apenas por motivos extra políticos - algo que subsiste apenas em estruturas que podem ser apropriadas pelo populismo antieconômico. E assim se concluía: "agora, antes que as 'profecias' se realizem, e times sem tradição histórica se tornem realmente relevantes e superiores àqueles que o foram (...) não resta outro caminho ao da segregação da politicalha clubística da atividade futebolística". E, na sequência: "aí está, aliás, a origem da decadência, na trajetória são-paulina, e que se espalha, há anos, em metástase. Só não reconhece quem não quer. Ou quem tem interesse em não reconhecer". Eis que, quase cinco anos após aquele último vaticínio, o time do São Paulo luta, mais uma vez, contra o fantasma do rebaixamento, algo que já se tornou rotina - e ainda não se materializou pela força e fé de sua torcida - e imponência de seu estádio. E se submeterá, no final do ano, para o bem ou para o mal, a mais um processo político, consubstanciado em uma eleição para membros do conselho deliberativo, cujos próprios membros elegerão - e não os associados e muito menos os torcedores - o futuro presidente, que receberá o pior, repita-se, o pior balanço da história, que reflete a também pior crise futebolística da história. Continua após a publicidade Por isso tudo, a próxima eleição não deveria ser sobre situação e oposição, que, ao final, se formam por interesses casuísticos, em função de poder e dominação - e não de projetos transformacionais. Daí, aliás, a dificuldade que se tem encontrado na diferenciação dos programas de governo, inclusive, desde 2017, no tocante ao projeto de criação de uma entidade autônoma e apta ao recebimento de investidor e investimentos (projeto que está lá, pronto como ideia, em gavetas ou memórias de computadores encostados nos corredores do Morumbi). Sobraram, até hoje, discursos amorfos que se propuseram a despistar o enfretamento da realidade e da inevitabilidade. O cerne da próxima eleição também não deveria ser sobre a reforma do estatuto, pois sobre essa farsa já se deveria ter aprendido com a tragédia de 2017. Reforma-se para deixar as coisas como estão. O estatuto deveria ser problema dos associados - muitos e muitos deles, é o que se diz pelo clube, torcedores de outros times -, e não do time e muito menos da torcida. Se o campo de debate permanecer em âmbito político-associativo, pautado por reformas estatutárias, em micro ou macro escala; redução de dívida pelo clube, sem capital externo e uma entidade autônoma; moralização gerencial; redução de folha salarial; e temas conexos, o time estará perdido. Mesmo a história e as glórias do passado serão sombreadas pelos dramas do presente e a hecatombe do futuro. O sistema é bruto e, com o tempo, irá se recompor, em prol de interesses micro-coletivos ou individuais. Não há mais tempo, credibilidade e dinheiro para a troca de poder, pelo poder. Passou da hora, mas ainda há tempo, para um - e necessário - movimento transformacional. Continua após a publicidade Sobre ele se falará na sequência desta série. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Apartamento de Ana Hickmann é levado a leilão por dívida de R$ 11 milhões Série B tem novo líder e briga pelo acesso fica mais acirrada; veja chances Corpos de Rick e das 4 vítimas de acidente aéreo são liberados à família App e-Título vale como título de eleitor? 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