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Só para assinantes Assine UOL Opinião Milhões por Paquetá, polícia e calotes expõem abismo do futebol brasileiro Pedro Lopes Colunista do UOL 28/01/2026 05h30 Deixe seu comentário Paquetá festeja gol em Brasil x Chile, partida das Eliminatórias Imagem: Alexandre Loureiro/AGIF Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O final de 2025 e o começo de 2026 têm sido emblemáticos ao ilustrarem o abismo que se formou no futebol brasileiro. De um lado, o Flamengo fazendo uma oferta agressiva, que chega perto de R$ 250 milhões, para tirar Paquetá da Premier League, aos 28 anos. Do outro, Corinthians desistindo diante de uma pedida de R$ 1 milhão para tirar Alisson do São Paulo, enquanto os dois clubes são focos de investigações criminais. No debate público, rivais e adversários costumam apontar o dedo para a diferença de receitas: o Flamengo faturou R$ 2,1 bilhões em 2025. A discussão é legítima. O patrocínio master do alvinegro, de R$ 268,5 milhões, rende mais que o dobro do segundo colocado na lista. O Flamengo também entrou em rota de colisão com a Libra sobre a divisão de direitos de transmissão. Sem entrar aqui no mérito dos argumentos, mas o cenário defendido pelo Flamengo aumentaria a distância de faturamento para o segundo colocado Palmeiras de R$ 17 milhões no cenário pretendido pela liga para R$ 70 milhões no preferido pelo alvinegro. José Fucs Abstenção do Brasil contra massacre no Irã é infame PVC Palpite para os jogos da 1ª rodada do Brasileirão Alexandre Borges O Holocausto retórico que o governo Lula promove José Paulo Kupfer Corte dos juros pode ter tamanho maior Por fim, há o sucesso, que traz dinheiro. Foram R$ 418,7 milhões em premiações em 2025. O Palmeiras, segundo no ranking de faturamento, teve R$ 1,3 bilhão em receitas. A diferença de mais de R$ 700 milhões é muito grande. O próprio alviverde, entretanto, também dá demonstrações de força e olha para a Premier League: quer tirar Jhon Arias do Wolverhampton. O Cruzeiro acaba de quebrar o recorde histórico de transferências do Brasil ao contratar Gerson por 27 milhões de euros. O abismo existe também entre eles e São Paulo ou Corinthians, muito mais do que entre eles e o Flamengo. A explicação é um pouco óbvia, mas precisa ser repetida. Os dois clubes paulistas são alvos de múltiplos inquéritos civis e criminais que apuram supostos desvios de dinheiro cometidos por dirigentes. Os dois passaram por processos de destituição de presidentes, ambos relacionados a essas investigações. Continua após a publicidade Os dois acumulam crescimentos brutais de dívidas nos últimos anos: o Corinthians saltou de R$ 1,6 bilhão em 2021 para R$ 2,7 bilhões em 2025. A do São Paulo subiu de R$ 574 milhões para cerca de mais de R$ 900 milhões. Ambos frequentemente atrasam os pagamentos aos jogadores. As montanhas a serem escaladas ficam cada vez maiores. Na reestruturação do Palmeiras, iniciada em 2014, o então presidente Paulo Nobre pegou uma dívida de R$ 292 milhões. Bandeira de Mello no Flamengo lidou, em 2013 com R$ 800 milhões. O valor equivaleria hoje a cerca de R$ 1,7 bilhão, mas o Flamengo precisou de cinco anos para consolidar a reestruturação. São Paulo e Corinthians estão sob nova direção: veteranos de clube, Harry Massis Jr. e Osmar Stabile assumiram as presidências em meio às crises e tentam dar passos para que as casas sejam colocadas em ordem. Quanto mais o tempo passa, maior a chance de que ajustes não bastem, e seja necessária uma revolução. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Pedro Lopes por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Existe pobreza na Suíça? Sim, mas ela é bem diferente do que se imagina PE: investigação informal de secretário de João Campos acirra base de Lula Semáforo da faixa azul: como é a sinalização rara que tem gerado confusão Adriano diz que vai achar golpista que tirou R$ 15 mil da mãe. É possível? Fim da negociação por Alisson gera atrito entre setores do Corinthians