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Análise dos Times

Selecao Brasileira

Principal

Motivo: A autora critica a elitização, a falta de inclusão e a hipocrisia em torno da seleção, mas reconhece o talento de Rayan e a importância de Neymar como ídolo, mesmo que questionável.

Viés da Menção (Score: -0.4)

Motivo: Apesar de questionável, Neymar é visto como o único ídolo, recebendo ovacionamento e pedindo desculpas por Virginia.

Viés da Menção (Score: 0.1)

Motivo: Rayan é apresentado como o ponto alto, craque, com grande potencial de brilhar e ovacionado pela torcida.

Viés da Menção (Score: 0.9)

Palavras-Chave

Entidades Principais

flamengo maracana neymar fluminense selecao brasileira ryan lucas paquetá virginia canarinho pistola

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Brasil se despede com festão de bizarrices, delírios e deslizes Milly Lacombe Colunista do UOL 01/06/2026 12h36 Deixe seu comentário Lucas Paquetá comemora gol em amistoso entre Brasil e Panamá, no Maracanã Imagem: REUTERS/Pilar Olivares Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Maracanã estava lotadaço para se despedir da seleção brasileira. Uma imagem bonita e festiva se vista de longe. De perto, seria preciso fazer uma análise que deixa muita gente raivosa: era uma festa muito branca para um país muito negro. As imagens da chegada da torcida, registradas em detalhes porque as transmissões começaram ainda pela manhã, mostravam a realidade. Os ingressos mais baratos custavam 100 reais, e se esgotaram em minutos depois de abertas as vendas online. E havia, claro, outros tipos de ingressos: os caros, os muito caros e os caríssimos se a gente lembrar que o salário mínimo é menos de dois mil reais e também que vivemos a crise do pluriemprego, como diz a feminista e pesquisadora argentina Veronica Gago: as pessoas precisam ter mais de um emprego para no fim do mês conseguirem apenas gerenciar suas dívidas. Alguns desses bancos populares que emprestam dinheiro a juros impagáveis apoiam o futebol brasileiro. Encarecer ingresso é sinônimo de embranquecer estádio e os organizadores do futebol sabem disso. Num país que passou 400 anos escravizando pessoas sequestradas do continente africano e que nunca trabalhou políticas públicas de inclusão, justiça e reparação a equação é direta: falar de classe é falar de raça. Mas quem se importa? Em campo antes do jogo, o mascote da seleção, o canarinho pistola, requebrava dentro de uma roda de samba. Como me disse um amigo querido: que tipo de viagem de ácido é preciso a gente encarar para imaginar um periquito gigante e de cara feia rasgando a fantasia no meio de uma roda de samba dentro de um estádio lotado? Aconteceu. Sakamoto Prefeitura de SP pode ter financiado traição ao Brasil Alicia Klein Por que o estádio que vaia Virginia louva Neymar? Wálter Maierovitch Flávio incorporou terror com pitadas milicianas Alexandre Borges O debate político morreu, e ninguém chora por ele Na arquibancada, o Movimento Verde e Amarelo, a torcida privatizada da seleção, tentou subir o bandeirão de um patrocinador, que tinha as cores do Flamengo, e foi impedido pelas torcidas rivais que certamente não sabiam que se tratava de uma ação publicitária e decidiram que o troço não seria aberto e ponto final. Imagens de um torcedor do Fluminense na resistência estão pelas redes sociais. Talvez o patrocinador tenha achado que seria bacana usar vermelho e preto na ação sem se dar conta de que a torcida do Flamengo é uma imensidão mas não é maior do que as três outras somadas. Caos. Caos também no hino nacional. Alcione, Belo e a banda não ensaiaram e o que ouvimos precisará ser esquecido. Os times enfileirados com muitas crianças segurando seus Canarinhos Pistolas de pelúcia. Bora vender o que pode ser vendido. Vini faz seu gol e a torcida achou que vale xingar a mulher que terminou com ele depois de suspeitar de uma traição. Virginia errou ao não pedir desculpas por ter sido traída e foi escrotizada por 70 mil pessoas. Escrotizar mulher é o esporte nacional predileto, como sabemos. Se ela estivesse sendo xingada por fazer campanha para jogos de azar que acabam com a vida de milhares de brasileiros eu até entenderia, mas aí seria preciso xingar a seleção inteira. Ou por postar vídeo de teor racista: eu também entenderia. Mas sabemos que estava sendo xingada por ser mulher e apenas por isso. Depois, ainda teve que ser "salva" pelo ex, que pediu gentilmente que ela não fosse mais xingada pela torcida. Neymar foi ovacionado e deixou claro por que foi convocado: é o único ídolo que temos, por mais questionável que seja essa idolatria. Rayan foi o ponto alto da tarde. Ovacionado pela torcida que cantou a música feita para ele, fez um gol logo em seguida e ficou visivelmente emocionado. É craque e vai brilhar. Continua após a publicidade Não pode usar camisa de clube, não pode cantar o nome do seu clube, não pode torcer livremente. Quem tem dúvidas sobre como torcer e o que cantar precisa prestar mais atenção no Movimento Verde e Amarelo. É só se esforçar um pouco e todos seremos capazes de cantar as músicas que eles cantam, dançar como eles dançam, vestir o que eles vestem e torcer como eles torcem. Mas a goleada veio e vai fazer todo mundo esquecer as bizarrices que vivemos juntos. O que importa é trazer o hexa. Vai, Brasa. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Morre o jornalista Wianey Pinheiro, ex-marido de Ananda Apple, aos 77 anos Nunes: Se for por causa do filme, operação policial é perseguição política Chevrolet Sonic surpreende rivais em seu 1º mês de vendas; veja ranking Renan Santos lidera como principal nome da '3ª via', diz RealTime Big Data Cancelamentos mostram que choque cultural com k-pop é cada vez mais global