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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Paralisação do Brasileiro: a hipocrisia dos clubes de futebol Alicia Klein Colunista do UOL 29/09/2026 20h05 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Bets, Casa de Apostas, Apostador Imagem: Pedro Affonso/Folhapress Em mais um movimento que demonstra seu completo descolamento da realidade, alguns clubes resolveram ameaçar o governo federal com — pasmem — a paralisação do Campeonato Brasileiro. Esvaziaram a reunião que aconteceria no Ministério do Esporte para tratar de suas preocupações pós-proibição das bets. O encontro acabou cancelado. Devem bilhões, inclusive ao Estado (de quem querem obter benefícios) e acham que a melhor estratégia é algo que eles não consideraram fazer em situações verdadeiramente críticas. Houve quem quisesse jogar no auge da pandemia. No fim, os torneios pararam por apenas três meses, retornando em junho de 2020, quando já tinham morrido 40 mil brasileiros e batíamos a marca de mil mortes diárias. O show tem de continuar. Daniela Lima Campanha de baixo nível mostra falha em instituições Alexandre Borges Mensagens de ex-sócio de Flávio não furam bolha Alicia Klein Paralisação do Brasileiro: a hipocrisia dos clubes Casagrande Viu Ancelotti? Seleção melhora com três no meio Não toparam suspender o Brasileirão em 2024, quando o Rio Grande do Sul ficou debaixo d'água no maior desastre natural da história do estado, que afetou 2,4 milhões de habitantes. Transferiram os mandos dos times gaúchos para o Paraná e tudo resolvido. Segue o jogo. Gente morrendo? Lamentamos. Mexeram com uma categoria de patrocínio que mesmo com cifras estratosféricas mantiveram as entidades atoladas em dívidas? Cuidado, que a gente paralisa tudo, hein! Como o país vai sobreviver sem a competição? Não custa reforçar que os clubes não conseguiram até hoje se reunir em torno de um acordo de liga, muito menos para combater episódios pavorosos de assédio, racismo, misoginia, LGBTFobia. Mas foi só atingir o bolso furado dos dirigentes que, de repente, a comunhão se tornou possível. Não surpreende o egoísmo e a certeza do resgate pelos cofres públicos. Surpreende, sim, o descaso escabroso com o custo social de incentivar as pessoas a apostarem. A ideia de que o governo deveria sacrificar seus cidadãos e o PIB para salvar a pele de péssimos gestores de futebol seria cômica não fosse trágica. Assim como a ameaça de paralisar o Brasileiro. Não o fizeram quando pessoas estavam morrendo. Querem agora usar desse artifício para protestar uma medida que pode literalmente salvar vidas. E estão tentando apavorar justamente aqueles a quem precisam pedir arrego. Continua após a publicidade Arrogância é pouco para definir o que está acontecendo nos corredores de poder do futebol. Siga Alicia Klein no Instagram Se inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTube Assine a newsletter da Alicia Klein Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Alicia Klein por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Seria bom se Mendonça deixasse eleição correr fora do STF, diz professor Advogado Willer Tomaz tenta na Justiça recuperar R$ 163 mi perdidos em bet 'Poderia ter acontecido uma tragédia', diz mãe de bebê que fugiu de creche Rolex, Kassio e prostitutas: os arquivos do ex-sócio de Flávio Bolsonaro Prefeitura cancela cadastro de taxista após golpe de R$ 30 mil em argentino