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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Antes da MP, Caixa registrou 'Betcaixa' e foi conhecer bet estatal uruguaia Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 02/11/2026 12h15 Deixe seu comentário O presidente Lula em encontro com o presidente do Uruguai, Yamandu Orsi, em 2024 Imagem: Sergio Lima / AFP Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, marcou para terça-feira, às 10 horas, audiência pública sobre a MP que proibiu as bets no Brasil. Relator das ações contra a proibição, ele manteve a medida em vigor enquanto analisa o caso. O debate foi agendado com o propósito de discutir efeitos sobre saúde, segurança, consumo e economia, além da perda de patrocínios esportivos. Reunirá 34 entidades e órgãos, incluindo ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública, representantes das casas de apostas, CBF e clubes de futebol. Resta saber se o governo federal cogita retomar planos prévios à MP. Antes, enquanto Lula decidia proibir as casas legalizadas, dirigentes da Caixa Econômica Federal (CEF) viajavam ao Uruguai para conhecer o modelo de apostas esportivas controlado pelo Estado . Lara Mesquita PL quer tirar Moraes, mas não quer indicação de Lula Luiz Felipe Pondé O elo entre mortos, vivos e gerações futuras PVC Por que é tão difícil fazer gol no Palmeiras Juca Kfouri É preciso reapresentar Weverton a Ancelotti Três executivos da Caixa e da Caixa Loterias estiveram em Montevidéu entre 24 e 26 de setembro para uma visita institucional relacionada às apostas. A viagem coincidiu com a edição da medida provisória que proibiu a atividade no Brasil, publicada no dia 25 daquele mês. Poucos dias antes, Lula havia conversado com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi. Ele manifestou interesse em conhecer a experiência do país vizinho na estatização das apostas online, como mostram matéria do Estadão publicada no UOL e no site da CNN O Uruguai adota um sistema diferente do que funcionava no Brasil. Lá não existe mercado aberto com casas licenciadas. A única plataforma autorizada para apostas esportivas online é a Supermatch , submetida ao controle do Estado por meio da Dirección Nacional de Loterías y Quinielas . Cassinos online, caça-níqueis virtuais e outras modalidades do tipo são proibidos. A visita chamou ainda mais atenção porque, antes, a própria estatal havia se preparado para entrar no mercado brasileiro de bets. A Caixa Loterias recebeu autorização do Ministério da Fazenda para explorar apostas pelas marcas BetCaixa, MegaBet e XBet Caixa . Pagou R$ 30 milhões de outorga com o intuito de obter autorização para operar as três marcas. As plataformas, entretanto, não chegaram a ser lançadas após a medida provisória do governo e o projeto foi paralisado. Assim, a Caixa desembolsou por autorização inviabilizada antes de sua bet entrar em operação. Bets da Caixa Econômica Federal que foram autorizadas: pagamento de outorga em vão Imagem: Reprodução Continua após a publicidade Mas o que aconteceu no Uruguai com o modelo que os representantes da CEF foram conhecer? Em 2024, a Supermatch recebeu o equivalente a US$ 177,3 milhões em apostas, crescimento real de quase 20% em relação ao ano anterior. Tornou-se a modalidade supervisionada pela loteria uruguaia com maior volume. O modelo estatal encontrou apostadores, o problema mora em outro desafio para o sistema uruguaio: concentrar as apostas na plataforma autorizada e combater o mercado clandestino. Apesar do monopólio legal da Supermatch nas apostas esportivas online, o próprio governo uruguaio informa que 1.730 sites ilegais já haviam sido bloqueados até 29 de julho de 2026. Mesmo com a proibição das concorrentes, centenas de operações clandestinas continuaram aparecendo na web, problema semelhante ao que é enfrentado no Brasil após a MP. A experiência uruguaia, portanto, produziu um cenário curioso. A bet do governo cresceu e movimenta centenas de milhões de dólares, mas a proibição das demais plataformas não acabou com as apostas clandestinas, incontroláveis, mesmo no país de apenas 3,5 milhões de habitantes. Imagine no território brasileiro com cerca de 215 milhões. Obviamente, enquanto a CEF dava passos na direção do lançamento de sua bet, o discurso oficial sobre os riscos da ludopatia parecia outro. E como no Uruguai, apostadores que não conseguem parar de apostar seguem vulneráveis diante de tantos sites ilegais que a Anatel não consegue derrubar ágil e rapidamente. Tudo isso, após a MP, sem os bilhões de reais em tributos que as casas legalizadas pagavam. Dinheiro que poderia ser investido em saúde e trecnologia, para tratar quem se viciou em qualquer tipo de jogo e combater a pirataria, as operações clandestinas. Continua após a publicidade Siga Mauro Cezar no X Siga Mauro Cezar no Instagram Siga Mauro Cezar no Facebook Inscreva-se no Canal Mauro Cezar no YouTube Siga Mauro Cezar no Threads Siga Mauro Cezar no BlueSky Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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