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Futebol Cade quer esclarecer relação entre clubes da FFU, investidor e dona da Cazé Igor Siqueira Do UOL, no Rio de Janeiro 16/10/2026 11h32 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Reunião da CBF com os clubes sobre a liga única Imagem: Rafael Ribeiro / CBF O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu mais alguns passos para ter uma conclusão sobre a relação comercial que envolve clubes, investidora e a cadeia que abrange a Futebol Forte União (FFU). Uma nota técnica emitida ontem aponta caminhos para sanar questionamentos a respeito de pontos que abraçam a relação contratual no bloco e também a venda de direitos de transmissão do Brasileirão. Na avaliação conduzida pelo Cade, a chefia da autarquia declarou o ato de concentração (processo) sobre o tema como "complexo". Tecnicamente, isso quer dizer que ele demanda uma investigação mais profunda para averiguar riscos eventuais à concorrência no mercado. Thais Bilenky Meta passou a ser a arena da disputa eleitoral Wálter Maierovitch Problema do STF não é estrutura, mas as pessoas Juca Kfouri Os cuidados da Caixa ao negociar com o Corinthians Rômulo Mendonça Empate do Fla perdeu para a festa do Vorcaro Em nota, a Sports Media Entertainment (SME) disse ao UOL que vê com bons olhos o aprofundamento da análise do Cade sobre a venda coletiva de direitos de transmissão da FFU, pois permitirá mostrar os ganhos do modelo. A empresa considera a declaração de complexidade um procedimento normal e defende que o prazo de 50 anos se justifica por ser um investimento de longo prazo, com pagamento antecipado e remuneração do capital. Na nota técnica, o Cade apontou quatro tópicos principais para destrinchar: Aprofundar a compreensão dos efeitos dos contratos de investimento de longo prazo firmado entre clubes e SME — investidora da FFU — no mercado afetado pela operação. Verificar as condições de entrada e saída dos clubes do arranjo proposto. Identificar a existência de eventuais relações verticais entre o Condomínio Forte União e a Live Mode (agência que negociou os direitos e dona da CazéTV). Aprofundar o conhecimento no mercado e no contexto geral que envolve o arranjo da FFU, especificamente diante da coexistência de ao menos um outro arranjo (Libra) para comercializar direitos de transmissão. Continua após a publicidade As explicações do Cade Ao longo da nota técnica, assinada pela cadeia de superintendentes do órgão, o Cade detalhou mais os motivos para a conclusão. "É preciso verificar também se há efeitos concorrenciais relevantes relacionados ao prazo de vigência de 50 anos do contrato/condomínio", disse o texto. O Cade sublinhou que o esse prazo "é coincidente com o período referente ao qual foram adquiridas, pela SME, as frações (de até 20%) dos direitos de arena antes pertencentes aos clubes". Há um interesse em entender as diferenças dos contratos da FFU assinados individualmente com Corinthians, Atlético-MG e Vitória. Sobre a relação entre a SME e a LiveMode, a nota traz: "Indica-se, além dessa relação comercial, que poderia haver relações de natureza vertical entre ambas, uma vez que a LiveMode é controladora da CazéTV, empresa que adquiriu um pacote comercializado pelo CFU no ciclo de negociação 2025-2029 e é compradora potencial de direitos de transmissão referentes a competições esportivas de uma maneira geral, inclusive das séries A e B do Campeonato Brasileiro em próximos ciclos de negociação". O Cade pontuou que "trata-se de relação que precisa ser esclarecida de forma definitiva e se confirmada, precisa ter seus efeitos à concorrência analisados". Continua após a publicidade Newsletter MÍDIA E MARKETING Grandes cases de marketing, entrevistas e notícias sobre mídia e comunicação. Toda sexta Informe seu email Quero receber A autarquia ainda está de olho nas reclamações dos clubes. Há dirigentes da FFU que pedem mudanças nas regras do condomínio, com redução de poder do investidor, mas "alegam dificuldade", segundo o Cade. "Não se pode deixar de entender em maior profundidade também as repercussões concorrenciais derivadas dos argumentos trazidos por clubes, que apontam dificuldades relacionais junto a investidora e a aspectos de governança relacionados ao funcionamento do condomínio", diz ainda o texto. O prazo para apresentação das informações é de dez dias. A Superintendência-Geral do Cade pode pedir aumento desse período, caso entenda ser necessário. O que a SME diz A Sports Media Entertainment (SME) considera que o aprofundamento da análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a comercialização coletiva dos direitos de transmissão dos clubes da Futebol Forte União (FFU) é positivo e permitirá examinar os resultados econômicos positivos e eficiências do modelo, que reúne investimentos de longo prazo e dezenas de clubes. Além disso, afastará todas as ilações trazidas por terceiros aos autos. Estudo da LCA Consultores, apresentado ao Cade, aponta que a receita média de direitos de transmissão dos clubes da Série A integrantes do Condomínio Forte União (CFU) cresceu 47% entre 2024 e 2025, passando de R$ 95 milhões para R$ 140 milhões. No mesmo período, a relação entre a maior e a menor receita caiu de 4,80 para 1,98 vez. O levantamento registra ainda um aumento de 93% nas exibições em janelas gratuitas, de uma média anual de 92 no ciclo anterior para 178 em 2025. Continua após a publicidade O novo ciclo de comercialização, iniciado em 2025, reúne contratos com Globo, Record, YouTube/CazéTV e Amazon, ampliando a diversidade de compradores e formatos de distribuição dos direitos esportivos. A declaração de complexidade é um procedimento previsto na legislação concorrencial para operações que exigem análises adicionais e que contam com terceiros interessados, como é o caso (SINAFUT, ANAF e FENAPAF). A SME mantém diálogo transparente com o CADE e detalhará com rigor analítico ainda maior as eficiências e resultados econômicos já alcançados, os fundamentos dos contratos de investimento e os mecanismos de governança do CFU. A análise desses elementos permitirá avaliar os efeitos da operação sobre a geração de receitas, o equilíbrio econômico entre os clubes e o acesso dos torcedores às transmissões. O horizonte de 50 anos previsto nos contratos está associado à natureza dos investimentos realizados pela SME e à natural remuneração do capital investido, haja vista a aquisição de participações minoritárias nos direitos de arena e nas propriedades comerciais dos clubes, com pagamento antecipado. Essa estrutura permite organizar a exploração econômica dos ativos ao longo de diferentes temporadas, com ciclos próprios de negociação dos direitos de transmissão, como o atual, de 2025 a 2029. O prazo integra a lógica econômica de um investimento de longo prazo, combinado entre partes empresárias, com inequívocos benefícios mútuos. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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