Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Em entrevista, Vitor Roque perde boa chance de argumentar contra punição Milly Lacombe Colunista do UOL 13/11/2025 12h07 Deixe seu comentário Vitor Roque no treino da seleção brasileira em Londres Imagem: Rafael Ribeiro/CBF Carregando player de áudio Ler resumo da notícia "Foi só uma brincadeira", disse o atacante do Palmeiras durante entrevista coletiva da seleção brasileira. Ele se referia à postagem misógina e homofóbica que fez há algumas semanas. Quando a pessoa que comete um crime de preconceito diz "foi só uma brincadeira", então ela não entendeu absolutamente nada - mesmo que em seguida ela tente se desculpar com o grupo ofendido. A postagem de Vitor Roque foi feita no dia 5 de outubro. Há mais de um mês, portanto. Há 39 dias. Trinta e nove dias é tempo suficiente para que um começo de letramento antimachista seja capaz de preparar o atleta para se posicionar de forma madura sobre o tema. Não foi o que vimos. "Foi só uma piada" desmonta qualquer tentativa de se desculpar. "Foi só uma piada" indica que misoginia e homofobia poderiam, na opinião dele, serem usadas para fins de deboche, de riso, de chiste. Mas, né, essa gente chata que não sabe rir quer que eu me desculpe então deixa aqui eu me desculpar formalmente. Os devotos da punição têm aí bons argumentos para dizer: punam! Não aprendeu nada. Juca Kfouri O tapa de luvas de Adriane Galisteu na família Senna Josias de Souza Paixão de Eduardo pelo irracional é correspondida A Hora A insegurança pública de Hugo Motta Marco Antonio Sabino Por que as igrejas e templos não pagam IPTU? Punir tampouco o faria aprender. Sem contar que os mesmos que pedem que ele seja punido calaram quando Ramón Díaz disse que futebol é coisa pra macho. Não teve postagem revoltada, como teve para defender Ancelotti da xenofobia, não teve nada a não ser um tipo de crítica protocolar para marcar território. É que o Inter pouco importa. Não está disputando nada a não ser a série B. Deixa o cara: é ultrapassado. O futebol é o maior reduto do machismo e da misoginia e não deveria ser responsabilidade das mulheres lutarem contra isso. Não cabe à vítima mudar as coisas. A vasta maioria dos homens só se importa com o machismo quando algum tipo de punição pode tirar de um dos candidatos a título a chance de uma vitória. Ou, em outro caso, para partirem para cima de Leila Pereira com cobranças: e ela? Não vai se manifestar? Falsa feminista! Vitor Roque alegou, na mesma entrevista, que ser escolarizado sobre a misoginia (ele cometeu misoginia e homofobia, embora só falem em homofobia, e seria salutar compreender por que a misoginia é uma das mães da homofobia no futebol) seria melhor do que ser punido. Seria, eu concordo. Mas quando será que ele pretende começar esse letramento se faz 40 dias e ele não deu um passo? É tudo triste e revoltante. Piadas preconceituosas matam. Matam corpos, matam vidas, matam dignidades. Parem de usar supostas piadas para manifestar preconceitos e reforçar privilégios. Vitor Roque foi mal demais na entrevista. E quem perde somos todas nós. Mas, francamente, quem se importa? Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Em vez de alívio, decreto de Trump provocou confusão no setor do café Aposta do RS acerta Mega-Sena e ganha R$ 99 milhões; veja dezenas sorteadas Resumo novela 'Dona de Mim' da semana: confira capítulos de 15/11 a 22/11 PF indicia Silvio Almeida em inquérito sobre importunação sexual Lotofácil: Prêmio acumula e chega a R$ 12 milhões; veja números sorteados