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Futebol Crise política amplia pressão por intervenção judicial no Corinthians Fábio Lázaro Do UOL, em São Paulo 25/03/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Parque São Jorge, sede social do Corinthians Imagem: Divulgação/Corinthians As divergências políticas que impactam a administração do Corinthians ampliaram, nos últimos dias, o coro por uma possível intervenção judicial no clube. O que isso significa Nesta terça-feira, o movimento "Salvem o Corinthians", formado por sócios e torcedores, protocolou um pedido para que o presidente Osmar Stábile seja substituído por um interventor. A solicitação foi encaminhada à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo , a mesma que, em janeiro, homologou o Regime Centralizado de Execuções (RCE) do clube. José Fucs A herança perversa deixada por Haddad na economia Sakamoto Com acesso a Bolsonaro, Michelle abala a 'filhocracia' Maria Prata Vida além da morte: parece 'Black Mirror', mas já é real Narrativas em Disputa Saída de Ratinho Jr. é celebrada por bolsonaristas Um dos principais argumentos apresentados pelo grupo é a reunião extraordinária realizada na segunda-feira, que aprovou o afastamento de Romeu Tuma Júnior da presidência do Conselho Deliberativo. Na avaliação do coletivo, o episódio representaria uma tentativa de golpe institucional , sob a alegação de que a convocação e a reabertura da sessão, após um encerramento inicial, teriam ocorrido de forma irregular. Paralelamente, há um inquérito civil em andamento na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, vinculada ao Ministério Público de São Paulo, que apura a possibilidade de intervenção judicial no clube. O procedimento está suspenso após recurso apresentado pelo Corinthians em dezembro do ano passado, mas a tendência é de retomada nas próximas semanas. Pedido de intervenção por sócios e torcedores Na petição, os autores descrevem um cenário de suposta desorganização administrativa, conflitos institucionais e dificuldades financeiras. O documento sustenta que haveria falhas nos mecanismos internos de controle e fiscalização, além de críticas a diferentes gestões do clube. A argumentação inclui questionamentos sobre contratos, decisões financeiras e processos internos, citando episódios envolvendo ex-dirigentes e a atual administração. O texto também se apoia em acontecimentos recentes do ambiente político do Corinthians. Continua após a publicidade Entre eles, a reunião do Conselho Deliberativo realizada no dia 23 de março é apontada como um dos elementos centrais. Segundo os autores, houve irregularidades na condução do encontro, cujas decisões foram contestadas por parte dos conselheiros e ampliaram o cenário de instabilidade institucional. Com base nesse conjunto de fatores, o pedido solicita a nomeação de um interventor judicial, que assumiria temporariamente a gestão do clube. A medida incluiria ainda o afastamento de dirigentes, acesso a documentos e revisão de atos administrativos. Inquérito civil está suspenso após recurso Em parelelo, um procedimento foi instaurado no fim do ano passado pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, a partir de representação do promotor Cássio Roberto Conserino. Após a abertura do inquérito, o clube foi notificado a prestar esclarecimentos no prazo inicial de 20 dias, podendo também apresentar recurso. O Corinthians optou por recorrer da instauração e não se manifestou, naquele momento, sobre o mérito das questões levantadas. Com isso, a tramitação foi suspensa até a análise do recurso por instâncias internas do Ministério Público. Antes de ser apreciado, o caso passou por uma etapa preliminar, na qual se discutiu a necessidade de retorno à promotoria para verificar se a representação inicial havia sido formalizada corretamente. Superada essa fase, o processo foi redistribuído e voltou a tramitar. Continua após a publicidade Atualmente, o recurso está sob análise de um relator. A expectativa é de inclusão em pauta para julgamento nas próximas semanas. Na manifestação, o Corinthians sustenta que não há irregularidades que justifiquem a investigação, afirma que medidas de regularização já estariam em curso e questiona a pertinência da atuação do Ministério Público, incluindo a discussão sobre a natureza jurídica da entidade. Por outro lado, há entendimento de que os elementos reunidos indicam a necessidade de aprofundamento das apurações. Embora trate de temas semelhantes aos do pedido de intervenção, os dois processos tramitam de forma independente. O inquérito civil é um instrumento investigativo que pode resultar em diferentes desdobramentos, como a proposição de ações judiciais, a celebração de termo de ajustamento de conduta ou o acompanhamento de medidas já em andamento. A intervenção judicial é considerada uma medida excepcional, mas o caso vem sendo acompanhado pelo potencial impacto institucional e pelo alcance social do clube. Disputa política no centro da crise A escalada da crise interna tem como pano de fundo o embate entre Osmar Stábile e Romeu Tuma Júnior , intensificado nas últimas semanas. Continua após a publicidade Os dois protagonizaram uma discussão em uma pizzaria no Parque São Jorge, às vésperas da reunião do Conselho Deliberativo que analisaria a reforma do Estatuto Social do Corinthians. O episódio foi revelado pelo UOL. O conflito se agravou com a possibilidade de contratação de Aldair Borges para a equipe de segurança do clube. O nome é citado em depoimentos à Polícia Civil sobre os acontecimentos de 20 de janeiro, quando houve confusão em uma reunião que discutia o impeachment do então presidente Augusto Melo — encontro que acabou suspenso. As divergências se estenderam à sessão do Conselho realizada em 9 de março. Na ocasião, após uma série de discussões, Romeu Tuma Júnior encerrou a reunião e encaminhou a votação da reforma estatutária para a Assembleia de Sócios, marcada para 18 de abril. No entanto, em 18 de março, foi publicado edital assinado por Osmar Stábile convocando reunião extraordinária para deliberar sobre o afastamento de Tuma da presidência do Conselho Deliberativo. A convocação teve como base o artigo 112 do Estatuto do clube. Tuma contestou a legalidade do ato, argumentando que a medida violaria o artigo 82 do Estatuto, que estabelece rito específico para convocação de reuniões extraordinárias , incluindo requerimento formal à presidência do Conselho e respeito a prazos. O entendimento foi acompanhado pelo vice-presidente do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão , primeiro na linha de sucessão. Continua após a publicidade Diante disso, parte dos conselheiros não reconheceu a validade da reunião realizada na segunda-feira. O encontro foi inicialmente conduzido pela primeira secretária da mesa diretiva, Maria Ângela Ocampos, que encerrou a sessão ao avaliar que a convocação teria ocorrido com base em um documento equivocado. Na sequência, os trabalhos foram retomados sob condução do segundo secretário Denis Piovesan, filho do atual diretor financeiro Emerson Piovesan. Internamente, a justificativa foi de que a reunião não havia sido formalmente encerrada, após pedido de questão de ordem por parte dos conselheiros. Ao final, 115 dos 137 conselheiros votantes se manifestaram a favor do afastamento de Romeu Tuma Júnior, com 15 votos contrários e sete abstenções. Após o resultado, Leonardo Pantaleão afirmou, por meio das redes sociais, que não reconhece a legalidade da votação e que só consideraria eventual mudança caso haja validação judicial. Romeu Tuma Júnior também se manifestou nesta terça-feira, reiterando o posicionamento e afirmando que segue no exercício da presidência do Conselho Deliberativo. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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