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Viagem para o Chile e recado de Lucas: as últimas do São Paulo A Polícia Civil instaurou nesta semana um inquérito para apurar possível falsidade ideológica cometida por Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo . A investigação é conduzida pelo delegado Tiago Fernando Correia, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). A investigação foi iniciada pela Polícia Civil depois de um pedido da Comissão de Ética do São Paulo . Em um relatório do dia 29 de abril, o colegiado apontou que Olten Ayres pode ter cometido o crime de falsidade ideológica e determinou que o documento fosse encaminhado às autoridades. Procurado pela reportagem, Olten Ayres disse ainda não ter sido notificado. + Siga o canal ge São Paulo no WhatsApp Neste inquérito, a Polícia Civil vai investigar se um documento do dia 17 de dezembro de 2025, assinado por dois membros do Conselho Consultivo do São Paulo (Sérgio Pimenta e Ives Granda) foi, na verdade, entregue já pronto a eles pelo presidente do Conselho Deliberativo do clube, Olten Ayres, apenas para que fosse assinado. Mais do São Paulo : + Onde assistir e escalações do jogo de logo mais 1 de 2
Olten Ayres, presidente do Conselho do São Paulo — Foto: Bruno Giufrida Olten Ayres, presidente do Conselho do São Paulo — Foto: Bruno Giufrida Esta investigação não tem nenhuma ligação com a força-tarefa, formada pelo Ministério Público com a Polícia Civil, que conduz outros três inquéritos relacionados ao São Paulo para apurar possíveis irregularidades na gestão de Julio Casares: lavagem de capital, caso de exploração clandestina de camarotes no Morumbis e corrupção no departamento social. Entenda o caso A Comissão de Ética do São Paulo apontou, em seu relatório, com base numa denúncia do presidente Harry Massis, que no dia 17 de dezembro de 2025 o então mandatário Julio Casares iniciou um processo de reforma estatutária, encaminhando sua proposta para o Conselho Deliberativo. Eram duas sugestões: acabar com o quórum qualificado para aprovar a criação de uma SAF no São Paulo (hoje, é necessário mais de dois terços dos votos favoráveis para que o assunto vá em frente) e separar o futebol do clube social. No mesmo dia, Olten Ayres encaminhou o pedido ao Conselho Consultivo, seguindo o rito necessário para a discussão de uma reforma estatutária. Ainda em 17 de dezembro, o Conselho Consultivo emitiu um relatório favorável às mudanças no Estatuto Social: “Esta reforma não é apenas pertinente, mas, sobretudo, vital para a salvaguarda e o crescimento futuro do São Paulo Futebol Clube”, diz um trecho do parecer, assinado por José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Granda da Silva Martins, presidente e secretário do Conselho Consultivo, respectivamente. + Leia mais notícias do São Paulo 2 de 2
Julio Casares e Olten Ayres de Abreu Júnior no São Paulo — Foto: Marcelo Hazan Julio Casares e Olten Ayres de Abreu Júnior no São Paulo — Foto: Marcelo Hazan A proposta, então, foi para a Comissão Legislativa, que no dia 6 de abril elaborou um parecer contrário à aprovação da reforma estatutária . Esse documento foi encaminhado ao Conselho Deliberativo no dia 8. Olten Ayres, de imediato, invalidou o parecer a Comissão Legislativa, por apontar que ela havia extrapolado o prazo de 30 dias previsto no Regimento Interno para emiti-lo. O presidente Harry Massis alegou, em sua representação contra Olten, que o não cumprimento desse prazo não invalidaria o parecer. A Comissão de Ética do São Paulo , ao investigar o caso, afirma ter ouvido os membros do Conselho Consultivo sobre o parecer pedindo a aprovação da reforma estatutária e concluído que o colegiado não se reuniu para discutir o tema, ao contrário do que indicava o parecer pedindo a aprovação da reforma. “Após um detido exame do teor da proposição, cujos fundamentos se alicerçam no artigo 145, alínea “c” do Estatuto Social, ESTE CONSELHO CONSULTIVO manifesta seu mais absoluto e irrestrito endosso às modificações estatutárias ali preconizadas”, apontava o relatório do Conselho Consultivo. A Comissão de Ética, portanto, entende que o relatório, assinado por Pimenta e Ives Granda, deveria refletir a vontade de todo o Conselho Consultivo depois de uma possível discussão do colegiado. A investigação interna, porém, concluiu que: o assunto não foi debatido pelo Conselho Consultivo; não houve reunião para debater a reforma estatutária; e não houve debate entre os membros do colegiado. A Comissão de Ética ainda cita um e-mail de Ives Granda da Silva Martins em que o advogado apontou que o relatório do Conselho Consultivo reflete, na verdade, “apenas conversas isoladas com alguns conselheiros”. Ives ainda alegou, de acordo com a Comissão de Ética, que a “carta” sugerindo a aprovação da reforma estatutária “terminou não refletindo, exatamente, o tipo de discussão que resultou na referida sugestão”. Ela teria sido redigida, na verdade, por um advogado do São Paulo , não pelos membros do Conselho Consultivo, como está no relatório da Comissão de Ética. A Comissão de Ética, então, concluiu que “se corporifica nesse documento utilizado pelo representado (Olten Ayres) para respaldar a proposta de alteração estatutária e encaminhá-la à comissão legislativa, inegavelmente, um eventual falso ideológico, pois o teor do documento não condiz com a realidade e a lealdade dos fatos.” O colegiado, depois, encaminhou à Polícia Civil o pedido de abertura do inquérito para apurar possível crime de falsidade ideológica cometido por Olten Ayres. Por causa deste relatório, o presidente do Conselho Deliberativo pode ser impedido de exercer o cargo. Os conselheiros votarão, na próxima terça-feira, o afastamento preventivo de Olten Ayres. O caso ainda continua em investigação pela Comissão de Ética do São Paulo . 🎧 Ouça o podcast ge São Paulo 🎧 + Assista: tudo sobre o São Paulo no ge, na Globo e no sportv 50 vídeos