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Marcus Salum explica porquê SAF do América-MG não foi vendida Em coletiva no CT Lanna Drumond nesta quinta-feira, Marcus Salum, coordenador do grupo de gestão do América-MG , detalhou as negociações pela venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. O dirigente explicou o impasse com investidor externo. Notícias do América Contratações do América: veja quem chega, quem sai e quem fica A proposta A proposta apresentada ao América previa um aporte próximo de R$ 1 bilhão por 80% das ações da SAF, com os 20% restantes mantidos pela associação. Do montante, R$ 187 milhões seriam destinados à quitação de dívidas da associação e da própria SAF. Outros R$ 800 milhões seriam investidos ao longo de 10 anos no futebol, com valores corrigidos pelo IPCA. Pelo acordo, o grupo assumiria o controle do futebol e também passaria a ser proprietário do CT Lanna Drumond. O Independência, no entanto, ficaria fora da negociação e permaneceria com a associação. - A negociação comercial 80/20, incluído o CT (Lanna Drumond), operação em Santa Luzia, operação no Independência, R$ 187 milhões para quitar a dívida, investimento de R$ 800 milhões em 10 anos, com fluxo descontado da receita, contra a minha vontade, porque eu queria um mínimo anual (de investimento), e eles não colocaram. Eu não vi nenhum projeto esportivo, eu vi um projeto imobiliário - afirmou Salum. 1 de 4
Itabirito x América-MG — Foto: Divulgação/América-MG Itabirito x América-MG — Foto: Divulgação/América-MG O dirigente do América revelou que foi contatado pelo empresário Vinícius Diniz, que estava interessado em fazer uma proposta pela SAF do clube. Diniz já participou da administração do Athletic, pelo Grupo FutBraz, e também da SAF do Santa Cruz. - Ele procurou o José Flávio, que é presidente do Conselho (Deliberativo), e o Délcio Tolentino, para fazer uma proposta para o América. Fizemos um grupo e começamos a conversar com este grupo, que é a GPA, e começamos a negociar. Salum afirmou que o Memorando de Entendimento (MoU), documento preliminar que formaliza um acordo entre as partes, não agradava ao América. Além disso, o dirigente disse que a decisão de não assinar o documento também passou pelo Conselho Consultivo do América e que contatou o investidor para avisá-lo sobre a impossibilidade de firmar o acordo. - A negociação comercial andou, e eu confesso que não era a negociação dos meus sonhos, mas eu concordei com a negociação. Fiz uma viagem, quando eu voltei, o MoU estava pronto para ser analisado. Ao tomar conhecimento de um documento que não foi feito pelo jurídico do América e que li as condições do documento, eu procurei o José Flávio e o Délcio e falei: ‘Esse documento não tem a mínima condição de ser assinado pelo América. - Qualquer associado do América que ler este documento fala: "É loucura assinar este documento. Vamos negociar este documento’. Não conseguimos. Conversei com o rapaz da GPA, conversei com o Vinícius. O documento era inviável. Ele foi enviado ao Conselho Consultivo, que tomou a mesma decisão: ‘Não dá para assinar este documento. "Aí (o documento) foi para a reunião do Conselho Consultivo, e os conselheiros decidiram que não dava para assinar da forma que estava." - completou, Salum. Entrave significativo Salum revelou que os representantes alviverdes não conheciam o investidor, o que causou preocupação. O dirigente também afirmou que o América queria uma declaração de fundos do investidor para que comprovasse que estavam dispostos a investir no clube. - Nessa negociação entrou patrimônio e não foi apenas um, foram dois. As reuniões com os investidores foram de altíssimo nível, não tive nenhum problema. O que não dá é não discutir o documento. Então, vamos lá. Nós não conhecemos o investidor, tem um senhor chamado Elias Webber, que é a pessoa da GPA, cujo capital social se não me engano é de R$ 159 mil, que é gestor de fundo que, segundo ele, iriam investir no América. - O que o América queria: uma declaração dos fundos que, caso a due dilligence desse certo, eles estivessem dispostos a investir no América. Então, eu estou assinando um documento para uma pessoa que não vai investir, é uma pessoa que vai vender o América. Eu quero assinar com a pessoa que vai investir. Eu não sei quem é o investidor. Ele afirma que vai levar para os fundos e que os fundos vão investir. Então, me manda uma declaração dos fundos autorizando ele a negociar. Isso, eu pedi. Eu acho que estou no meu papel. Eu tenho responsabilidade aqui. E não fui eu quem vetou, foi o Conselho Consultivo, foi o Conselho de Administração. Eu faço parte do processo. 2 de 4
Marcus Salum, coordenador do Grupo de Gestão do América-MG — Foto: Mourão Panda / América Marcus Salum, coordenador do Grupo de Gestão do América-MG — Foto: Mourão Panda / América Entretanto, para Salum, a segunda condição era a pior, pois eram só 30 dias para avaliar o documento e depois de 90 dias o investimento estaria no caixa do América. O dirigente ainda afirmou que, se fizessem um investimento imediato, ele seria o primeiro a estar a favor, por lutar para pagar as contas do clube. “Se alguém fosse colocar R$ 187 milhões aqui imediatamente eu seria contra? Eu seria o primeiro a estar a favor. Estou lutando para pagar as contas. Tem dinheiro meu lá emprestado, tem dinheiro do Alencar, tem dinheiro até do Baltazar." - Lógico que eu ia querer (a venda da SAF) se tivesse segurança. No MOU, a cláusula é a seguinte: você tem 15 dias para entregar os documentos para um possível investidor, porque não tem investidor ainda. Eu conheço o Elias (Weber), que é, por sinal, muito educado, bacana, reuni com ele várias vezes, e eles têm que dar aceite (na proposta). Depois, são 45 dias de due dilligence e mais 90 dias para decidir se vão investir. Além disso, Salum revelou que o América não poderia movimentar ativos do clube no mercado. O dirigente afirmou que o documento afirmava que o investidor é quem decidiria quando colocaria dinheiro no Coelho. - Depois de 150 dias, com todos os ativos do América parados, eu não posso vender jogador, não posso vender patrimônio, não posso fazer negociação, não pode fazer nada, ele vai decidir se vai investir. Sem data para pôr o dinheiro e sem falar que vai pôr à vista, isso é o que está escrito no documento. Aí você conversa com ele e ele fala: ‘Eu tenho o dinheiro, vou pôr à vista’. Então escreve, não está escrito. “Como que eu vou ficar 150 dias sem vender jogador, sem fazer operação de crédito com a quantidade de contas que temos que pagar? E depois ele fala assim: ‘Se você descumprir, você tem que me pagar R$ 5 milhões para saída dele’. Eu nunca vi isso na minha vida. Isso não é normal, está errado o documento”, acrescentou o dirigente. 3 de 4
Jogadores do América-MG comemoram gol diante do Athletic — Foto: Mourão Panda Jogadores do América-MG comemoram gol diante do Athletic — Foto: Mourão Panda Venda do CT Lanna Drumond O CT Lanna Drumond entraria na negociação comercial. O dirigente revelou que a "cereja do bolo" que estava no contrato seria vender o centro de treinamento, com a garantia que faria outro. Entretanto, para Salum, isso é inviável. - Agora, tem a cereja do bolo: eu (investidor) posso alienar e vender o CT, desde que eu faça outro em outro lugar - sem a autorização do América. Ele só tem que falar que tem que ser um bom CT. Como eu vou assinar um documento autorizando ele a vender o CT dizendo que vai fazer outro? Isso é fora do normal. 4 de 4
CT Lanna Drumond, do América-MG — Foto: Site do América-MG CT Lanna Drumond, do América-MG — Foto: Site do América-MG Negociações encerradas por e-mail Segundo Marcus Salum, as negociações com a GPA Capital foram encerradas nessa quarta-feira. O clube recebeu um e-mail no qual foi comunicado do encerramento das tratativas. No e-mail, um dos representantes do grupo, também subiu o tom em protesto pela forma como a negociação acabou sendo conduzida. O dirigente ainda falou que o América está no mercado para vender a SAF, seja parte dela ou 100%. - O papel veio feito pelo advogado dele, tinha que mudar o papel. Tinha, porque a partir do momento que ele falou que não quer mais, eu não quero também. Já que ele não quer, eu não quero mais. Ele (Weber) que mandou a carta dizendo que não quer. A decisão da reunião do Conselho Consultivo era para conversar para mudar o MoU, não era para desfazer o negócio. E ele mandou uma carta dizendo que não quer mais o negócio, e pronto. - O América está no mercado, estamos trabalhando, vamos vender ou parte, ou tudo. Temos um projeto de sócio-minoritário. O América é muito maior que um negócio desses. Eles vendem para a torcida que vão colocar dinheiro aqui e vai chegar um monte de craque. Isto é mentira, isto não é verdade. Assista: tudo sobre o América-MG no ge, na Globo e no Sportv