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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Fla e Flu desembolsam milhões com Maracanã em licitação que Vasco contesta Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 07/10/2026 14h02 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Vista aérea geral do Maracanã Imagem: Kirby Lee/Reuters No ano retrasado, Flamengo e Fluminense assinaram o contrato pelo qual assumiram a administração, exploração econômica, operação e manutenção de todo o Complexo Maracanã por 20 anos. O presidente do Vasco disse que vai contestar a licitação. Ela inclui o estádio e o Maracanãzinho. A concessão foi assinada com o governo estadual em setembro de 2024. Portanto, restam pouco menos de 18 anos. A responsabilidade dos clubes vai muito além de organizar seus jogos. Cabe à dupla conservar as instalações e executar as intervenções previstas para manter o complexo funcionando. Na empresa responsável pela concessão, o Flamengo tem participação econômica de 65%; o Fluminense, de 35%. Daniela Lima Bolsonarismo reage com deboche a acenos do STF Igor Gielow Flávio assume sobrenome ao revelar seu programa Sakamoto Não é só vingança que move Flávio contra Moraes Wálter Maierovitch STF agoniza; eleitor quer ver 'cabeças rolando' Essa proporção determina a divisão das obrigações financeiras e dos resultados da concessionária. As receitas e despesas de cada partida, porém, pertencem ao mandante. A bilheteria de um jogo do Flamengo, por exemplo, não é dividida com o Fluminense. O mesmo vale, evidentemente, no sentido inverso. Para explorar o complexo, a dupla ofereceu ao Estado uma outorga anual de R$ 20,06 milhões. Uma média de aproximadamente R$ 1,67 milhão por mês, nos valores originais da proposta. Na divisão entre os sócios, são cerca de R$ 13,04 milhões por ano para o Flamengo e R$ 7,02 milhões para o Fluminense. Além disso, o plano financeiro previa R$ 22 milhões anuais para manutenção geral do Maracanã e do Maracanãzinho, cerca de R$ 1,83 milhão por mês. Dessa manutenção projetada, R$ 14,3 milhões caberiam ao Flamengo e R$ 7,7 milhões ao Fluminense. Somadas apenas outorga e manutenção, a conta anual de referência chega a R$ 27,34 milhões para o clube rubro-negro e R$ 14,72 milhões para o tricolor. E não termina aí: energia elétrica e pessoal aparecem separadamente no plano, com projeções anuais de R$ 8,7 milhões e R$ 9,2 milhões, respectivamente. Somadas à manutenção e à outorga, essas despesas chegam a aproximadamente R$ 60 milhões por ano. Portanto, não se trata de uma prestação fixa nem de um retrato atualizado dos gastos efetivos da concessionária. Para dimensionar o valor, esses R$ 60 milhões equivalem, hoje, a aproximadamente 12 milhões de dólares ou 10,7 milhões de euros. Continua após a publicidade A proposta dos clubes também prevê R$ 393 milhões em obras e manutenções ao longo dos 20 anos. Na média, seriam R$ 19,65 milhões anuais, sendo R$ 12,77 milhões atribuídos ao Flamengo e R$ 6,88 milhões ao Fluminense. Isso não significa que os gastos serão iguais a cada temporada. Como o montante também inclui manutenções, essa média não deve ser simplesmente somada à conta anterior. Os compromissos incluem intervenções em sistemas de água, elevadores, escadas rolantes, climatização, equipamentos eletrônicos e no Museu do Futebol. Há ainda os cuidados com o gramado — que acaba de ser trocado — e as demais instalações. Tudo isso custa dinheiro. O complexo, por sua vez, gera receitas com camarotes, visitas, estacionamento, publicidade e eventos, que ajudam a pagar a conta. Quanto cada clube efetivamente precisa tirar do próprio caixa depende das despesas e das receitas da concessionária. E, obviamente, da competência dos responsáveis por administrá-la. A receita não aparece sozinha: é preciso explorar comercialmente o complexo, controlar gastos e conservar as instalações. Há ainda os imprevistos. Durante a pandemia, na fase anterior da gestão da mesma dupla, o estádio ficou sem público, perdeu receitas e continuou gerando despesas para Flamengo e Fluminense. Continua após a publicidade Se o Estado do Rio de Janeiro continuasse responsável pela gestão direta, teria de bancar a conservação e o funcionamento do complexo. As projeções apresentadas pelos clubes para manutenção geral, energia elétrica e pessoal somam aproximadamente R$ 39,9 milhões por ano. Fora as demais despesas e obras necessárias. Esses quase R$ 40 milhões representam uma referência de custos brutos, não o desembolso líquido que o governo necessariamente teria. Afinal, o Estado também poderia arrecadar com a exploração do Maracanã e do Maracanãzinho. Na gestão direta, porém, não haveria pagamento de outorga. Na concessão, a responsabilidade por administrar, conservar e gerar receitas para sustentar o complexo fica com a empresa dos dois clubes. Ao Estado cabe fiscalizar o cumprimento do contrato e receber a anualmente os R$ 20,06 milhões. Presidente do Vasco da Gama, Pedrinho disse que o clube irá rever a situação da licitação do Maracanã. E prometeu incomodar o consórcio. A concessão obtida por licitação pode ser encerrada antes dos 20 anos. Mas em situações específicas. Levariam à perda da concessão casos de descumprimento contratual, como deixar de pagar a outorga, por exemplo, ou não executar obrigações. Já a retomada por interesse público, chamada encampação, exige lei específica e indenização prévia. Uma mudança de governador, por si só, não seria o bastante para desfazer o contrato. Continua após a publicidade Siga Mauro Cezar no X Siga Mauro Cezar no Instagram Siga Mauro Cezar no Facebook Inscreva-se no Canal Mauro Cezar no YouTube Siga Mauro Cezar no Threads Siga Mauro Cezar no BlueSky Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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