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Análise dos Times

Fifa

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Motivo: A matéria critica fortemente a FIFA por aceitar patrocínio da Saudi Aramco, ignorando violações de direitos humanos e compromissos ambientais.

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Formula 1

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Motivo: A Fórmula 1 também é criticada por manter acordos com a Saudi Aramco, apesar das preocupações com direitos humanos e sustentabilidade.

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Palavras-Chave

Entidades Principais

Fifa ONU Newcastle United Formula 1 Concacaf Catar Saudi Aramco ICC Aston Martin Amaury Sport Organisation Human Rights Watch ALQST ESOHR FairSquare Mohammed bin Salman

Conteúdo Original

Reportagem Esporte Dilema ético: esporte ignora direitos humanos em nome do dinheiro? Gabriel Coccetrone Repórter 29/10/2025 12h21 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Dez organizações internacionais ligadas a causas ambientais e de direitos humanos enviaram cartas a seis grandes entidades esportivas globais — entre elas, Fifa e Fórmula 1 — alertando para "graves preocupações" sobre os acordos de patrocínio firmados com a petrolífera árabe Saudi Aramco. De acordo com essas organizações, há possíveis violações de leis e normas internacionais de direitos humanos, além de inconsistências com compromissos de sustentabilidade assumidos por essas entidades esportivas. As comunicações foram enviadas em 15 de setembro para Fifa, Fórmula 1, ICC (Conselho Internacional de Críquete), Concacaf, Aston Martin e Amaury Sport Organisation (ASO), responsável pelo Rali Dakar. Josias de Souza Combate-se melhor o crime na Faria Lima que na favela Helio de La Peña Rio tem nova operação e velho resultado: tragédia Raquel Landim Castro fez operação em zona de maior risco Carla Araújo Para governo Lula, Castro fez trapalhada em operação Segundo o portal 'SportsPro', as cartas incluíam questionamentos sobre os vínculos comerciais com a patrocinadora árabe e davam prazo de duas semanas para resposta, o que não teria sido cumprido. Entre os signatários estão Human Rights Watch, ALQST, ESOHR e FairSquare, que atua na área de responsabilidade social no esporte. As entidades citam ainda pareceres da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2023, que apontam violações da Saudi Aramco a tratados internacionais de direitos humanos. "Enquanto especialistas da ONU alertam para o impacto das atividades da Aramco no planeta e nas pessoas, organizações esportivas como a Fifa, a Fórmula 1 e o ICC seguem aceitando seu dinheiro, ignorando não apenas suas declarações de responsabilidade social, mas também o futuro dos próprios esportes", disse James Lynch, da FairSquare. A petrolífera saudita mantém contratos de patrocínio com diversos eventos globais. O acordo com a Fifa inclui as Copas do Mundo masculina de 2026 e feminina de 2027, com valores estimados acima de US$ 100 milhões por ano. A empresa também patrocinará a Copa do Mundo T20 de Críquete de 2026, na Índia e no Sri Lanka, e esteve presente no recente GP de Singapura de Fórmula 1. Além disso, é parceira principal da Copa do Mundo Feminina de Críquete. "A Saudi Aramco é uma fonte crucial de receita para o regime de Mohammed bin Salman, que mantém forte repressão interna. Entidades esportivas que oferecem uma vitrine global à empresa acabam fortalecendo um sistema autoritário, onde críticas ao governo podem resultar em prisão — e até em execuções", citou Maryam Aldossari, integrante da ALQST e professora da Royal Holloway, Universidade de Londres. As críticas ganham ainda mais peso diante do fato de que tanto a Fifa quanto a Fórmula 1 são signatárias do Quadro das Nações Unidas para Ação Climática no Esporte, compromisso que prevê redução de emissões de carbono e adoção de práticas sustentáveis. Continua após a publicidade Caso expõe dilema atual do esporte Para especialistas, o caso expõe um dilema ético do esporte contemporâneo: o conflito entre responsabilidade social e interesses comerciais. "O esporte, embora de natureza privada, exerce uma função social de relevância pública e está juridicamente vinculado aos princípios universais dos direitos humanos. A autonomia esportiva não pode servir de escudo para práticas empresariais que contrariem obrigações internacionais de proteção à dignidade humana e ao meio ambiente", explica Alessandra Ambrogi, advogada especializada em direitos humanos. "Quando entidades como Fifa ou Fórmula 1 aceitam patrocínios de empresas envolvidas em denúncias graves, afastam-se dos compromissos éticos que elas próprias assumem. Ignorar esse dever transforma o esporte em instrumento de sportswashing, corroendo sua legitimidade e a confiança pública", acrescenta. Na mesma linha, o advogado, jornalista e colunista do UOL Andrei Kampff ressalta que o momento exige coerência entre discurso e prática. "O esporte vive um dilema ético. Ao mesmo tempo em que busca promover direitos humanos e sustentabilidade, segue firmando parcerias com empresas acusadas de violar esses mesmos princípios. O verdadeiro teste das políticas de integridade da Fifa e de outras entidades está agora: não em discursos, mas em decisões que mostrem que o patrocínio não pode valer mais do que o compromisso ético do esporte", avalia o mestre em direito desportivo. Continua após a publicidade Sportswashing Nos últimos anos, o esporte tem sido palco de diversas discussões envolvendo patrocínios e investimentos de países e empresas com histórico de violações de direitos humanos. A Copa do Mundo do Catar, em 2022, marcada por denúncias sobre condições de trabalho de migrantes, e a compra do Newcastle United por um fundo soberano saudita são exemplos de como o esporte tem sido usado como instrumento de sportswashing — a tentativa de melhorar a imagem internacional por meio de grandes eventos e marcas esportivas. "O esporte não pode ser um atalho reputacional para quem viola direitos humanos ou compromete o futuro do planeta. A força simbólica e social das grandes entidades esportivas vem justamente da confiança pública em seus valores universais, como igualdade, respeito, sustentabilidade e dignidade. Quando o esporte aceita parcerias que afrontam esses princípios, ele não apenas se contradiz: ele ajuda a normalizar práticas que o direito tenta coibir. Com sua forca, ele ajuda a melhorar a imagem de quem tem conta a prestar com a sociedade", diz Andrei Kampff. Esses episódios reforçam o desafio ético enfrentado por federações e entidades globais, que é de conciliar a força econômica do mercado com os compromissos públicos assumidos em defesa dos direitos humanos e da sustentabilidade. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Ex-número 1 do mundo exalta Fonseca e diz: 'Está mandando recado para 2026' 'Caldeirão do inferno': como era a prisão onde Comando Vermelho nasceu Paes faz contraste sóbrio com marketing da tragédia de Castro em operação 'Continua orando': mulher de PM morto em operação mostra última conversa Ximbinha admite perrengue nos tempos da banda Calypso: 'Fundo do poço'