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Seleção do Irã cobra da Fifa condições melhores do que as oferecidas pelos Estados Unidos Depois do empate em 2 a 2 com a Nova Zelândia, o Irã volta a campo neste domingo pela Copa do Mundo e encara a favorita Bélgica às 16h (de Brasília) em Los Angeles, nos Estados Unidos. Mas em condições ainda mais desfavoráveis do que na estreia, segundo o técnico iraniano, Amir Ghalenoei. + Veja o Guia da Copa do Mundo Em entrevista coletiva na noite deste sábado, horas após chegar à cidade e treinar no Carson Sports Park, o treinador voltou a reclamar das restrições à seleção iraniana e revelou ter conseguido comandar só metade do treinamento na véspera da partida: — Não apresentamos uma reclamação formal (à Fifa), apenas expusemos nossas queixas. Veja bem, precisávamos de um intervalo de 24 horas, mas nos deram 16. Foi por isso que tivemos de interromper nosso treinamento pela metade. Essas restrições dificultaram muito a nossa situação. Sei que a Fifa e o seu estimado presidente estão se empenhando ao máximo para tentar amenizar nossos problemas. Mas isso ainda não aconteceu. Espero que as pessoas percebam que o futebol é sobre a beleza, o que deve ser ético, e a forma como se comportam conosco não foi boa. — Apesar disso, eu gostaria de agradecê-los porque, uma vez que entramos nos Estados Unidos, eles foram de muita ajuda a chegar ao hotel o mais rápido possível. Porém, as condições estão ficando mais e mais difíceis. Para o último jogo tivemos 24 horas, mas neste tivemos menos de 18 horas para treinar. (...) Isso é injustiça contra nosso país e esperamos que esse comportamento não seja repetido no futuro. 1 de 2
Treino do Irã em Los Angeles, nos Estados Unidos — Foto: REUTERS/Matthew Childs Treino do Irã em Los Angeles, nos Estados Unidos — Foto: REUTERS/Matthew Childs Ghalenoei também voltou a reclamar do atraso na preparação do Irã para se adaptar ao fuso horário e ao clima e disse que não recebeu solidariedade de nenhum dos treinadores que comandam as outras 47 seleções nesta Copa do Mundo: — Nós temos muitos desafios, especialmente fora de campo. Eu perguntei aos outros 47 técnicos e nenhum deles me respondeu. Nós chegamos muito tarde, precisávamos de duas semanas para se ajustar, para se adaptar ao novo lugar. E todos os nossos executivos e a mídia não estavam permitidos nos acompanhar. Isso mina o espírito do futebol. Esse tipo de comportamento não é compatível com uma Copa do Mundo. Você convida um time, mas não aceita o seu estafe? — Apesar de tudo, sou grato pela nação iraniana e nós jogamos por eles. Eu sei que esse tipo de comportamento tem ferido nossas pessoas. Mesmo se tivéssemos gastado bilhões de dólares não poderíamos trazer justiça para nosso povo. Isso só mostra que somos um país opressivo, e eu espero que o mundo atinja a paz, e que ela seja sustentável, não algo institucional. + Veja a tabela da Copa do Mundo 2 de 2
Amir Ghalenoei, técnico do Irã, em entrevista na Copa do Mundo — Foto: Reuters Amir Ghalenoei, técnico do Irã, em entrevista na Copa do Mundo — Foto: Reuters Questionado sobre como a Fifa estaria ajudando se as restrições continuam, Ghalenoei disse que reconhece os esforços da entidade e de seu presidente, Gianni Infantino, apesar de terem sido em vão até o momento: — Eu gostaria de dizer que eles nos ajudaram. Eu acho que o Sr. Infantino e a Fifa tentaram minimizar os problemas que enfrentamos, apesar de tudo. Vou dar um exemplo. Ontem, na hora do almoço, me ligaram e perguntaram: "Você estaria pronto se eu conseguisse um voo para às 18h"? Quer dizer, eles não disseram exatamente às 18h, mas perguntaram se estaríamos prontos para viajar no dia. Eu aceitei, mas nós esperamos até 19h e nada aconteceu. — Depois disseram: "Desculpem, não fomos capazes de fazer isso". Olha, isso nos afeta mentalmente, especialmente eu como treinador porque quero focar na parte técnica. Então sei que a Fifa está tentando o melhor e agradeço a eles por isso, mas não significa que eles tenham conseguido. Eu só espero que problemas similares não ocorram em futuras Copas do Mundo. + Simulador: como será a caminhada de cada seleção? As dificuldades da seleção do Irã na Copa do Mundo Na manhã de sábado, Andrew Giuliani, diretor da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, disse ao jornal britânico "The Telegraph" que estaria aberto a renegociar os termos da entrada do Irã nos Estados Unidos para o terceiro e último jogo do país na fase de grupos, contra o Egito no dia 27 em Seattle. Ghalenoei disse já ter recebido essa confirmação: — Sim, eles disseram que em Seattle podemos fazer o que quisermos e ir mais cedo. Mas o meu problema é: por que eles não nos deixaram vir cedo para os primeiros dois jogos também? Só sei que para o último nos permitiram tomar nossas próprias decisões e planejar a viagem. Infelizmente, para os primeiros jogos outros fizeram essa logística para nós. Olhem a Bélgica. Eles chegaram ontem à tarde, estão preparados, conseguiram treinar adequadamente. Nós só pudemos treinar metade do tempo que usamos normalmente. Acho que poderíamos ter feito uma preparação ótima física e técnica, mas nós estamos preparados.