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Análise dos Times

Santos

Principal

Motivo: A matéria foca na recepção negativa de Gabigol ao retornar ao Santos, criticando a abordagem da torcida organizada. O tom é de alerta sobre a cultura.

Viés da Menção (Score: -0.3)

Motivo: Gerson também é mencionado como alvo de uma recepção intimidatória, mas o foco principal não é exclusivamente o Cruzeiro.

Viés da Menção (Score: -0.2)

Palavras-Chave

Entidades Principais

santos neymar cruzeiro gerson gabigol torcida organizada

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte A nova cultura: jogadores chegam e são recebidos com enquadro da torcida Milly Lacombe Colunista do UOL 10/01/2026 10h17 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Gabiogol voltou ao Santos e teve um tete-a-tete com a torcida organizada. O diálogo, mais um monólogo, foi bastante assustador. "Nós só quer que tu represente. Nós tá comprando teu bagulho, mano. Tá ligado? Maior galera não queria você aqui, mas nós vamos comprar teu bagulho. Mas não esquece do gol". Foi assim que a torcida organizada santista deu as boas vindas ao atleta. No Cruzeiro, Gerson teve também um rápido encontro com a organizada: Bem vindo, você é craque, mas o que a gente quer é título então se liga. Foi nesses termos o diálogo, que também teve cara de monólogo. Tanto Gabriel quanto Gerson pareciam assustados durante esses encontros. Paulo Camargo O que líderes podem aprender com a Venezuela Diogo Cortiz Cortes em pesquisas sufocam futuro do país Casagrande Há 49 anos, Ademir fazia seus últimos gols na Lusa Juca Kfouri O melhor Campeonato Paulista dos últimos tempos Temos muitos problemas com essa dinâmica. O primeiro é o enquadro. O jogador é um trabalhador, não importa se ganha milhões por mês. Ele chega para trabalhar. Não é aceitável que alguém se apresente ao trabalho levando um pito com cara de "é para o seu bem" - que, aliás, é uma dimensão importante da dominação. É quase sempre pelo nosso bem, eles dizem. Depois eu argumentaria que o que esperamos de um jogador não pode ser títulos porque futebol é jogo coletivo e nem Gerson nem Gabriel conseguirão, sozinhos, fazer chover. Entrega, concentração, respeito, disciplina, foco, seriedade. Tudo isso acho que pode ser colocado como "o que esperamos de você". Mas cobrar por título é uma maluquice. Do lado da torcida, a exaustão se explica porque o futebol atual separou o time da massa. Os atletas são como celebridades protegidas por seguranças do contato direto com aqueles que os idolatram. O ingresso é caro, nem todos podem frequentar estádio, os treinos são fechados, a torcida interessa enquanto consumidora, mas não como fã. Sai pra lá e vão contratar o sócio-torcedor porque, com sorte, ganham algum sorteio que deixa vocês irem até o clube e tirar uma foto de cinco segundos com o jogador. Numa sociedade que divide pessoas entre vencedores e perdedores, o futebol passa a ser válvula de escape ainda maior para aqueles que, na vida real, acham que estão perdendo. Só vencer importa, nada mais existe. E as coisas não são assim: a definição de perdedor e de vencedor envolve a participação num jogo que está sendo roubado pelos privilegiados. Embora o neoliberalismo todos os dias tente nos dizer que é isso mesmo, só existem vencedores e perdedores, nosso dever segue sendo o de lutar contra esses consensos fabricados que acabam destruindo também o futebol. Não acho um absurdo que o craque vá falar com a organizada quando chega. As organizadas têm inúmeros problemas - o machismo avassalador entre eles - mas têm também importância central no nosso futebol e na forma como as periferias se manifestam artística e politicamente. Mas o fato de só haver homens dando enquadro em jogador diz muito a respeito da misoginia que circula no interior dessas torcidas. Na maioria delas, mulher não pode segurar bandeira ou tocar instrumentos. Para abordar a primeira prateleira do problema. Continua após a publicidade Por fim, seria importante dizer que ameaçar jogador que chega não é das atitudes mais inteligentes. O atleta vai se sentir livre para exercer sua melhor capacidade dentro de um ambiente tenso? Neymar foi enquadrado pela mesma torcida que recebeu Gabriel com a ameaça. Neymar tinha acabado de bater boca com um torcedor depois de um jogo medonho em termos nada profissionais. Neymar, que foi recebido com uma festa sem precedentes pela mesma torcida - ao contrário de Gabriel - e depois não se dedicou como a torcida esperava. Acho que no caso de Neymar havia espaço para a torcida se manifestar no tete-a-tete em termos educados. Gerson é craque e pode ajudar o Cruzeiro a levantar taças. Mas Gerson é humano e precisa, como todos e todas nós, se sentir seguro para trabalhar em sua potência máxima. Não foi assim em Marselha ou em Moscou. Será que a parte azul de Belo Horizonte saberá criar o ambiente necessário para Gerson entregar tudo o que pode? Estamos prestes a saber. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Emilio Dantas compra Playstation, mas sofre golpe e recebe galão de azeite Caças, ciberataque e fator surpresa: como os EUA romperam a defesa aérea venezuelana Escorpiões podem aparecer em apartamentos? Veja por onde eles entram Palmeiras estreia no Paulista com time bem distante do que torcedor imagina Piscinas, torneira de ouro e mais: como é a nova mansão de R$ 215 mi de CR7