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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Futebol feminino representa a força e a coragem de todas as mulheres Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 31/10/2026 12h07 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Corinthians e Cruzeiro vão se enfrentar na final da Libertadores Feminina de 2026 Imagem: Caique Coufal/Cruzeiro Neste sábado, às 21h, acontece em Cali (Colômbia) a grande final da Copa Libertadores do Futebol Feminino. O Corinthians, cansado de vencer a competição — já são 7 títulos —, terá pela frente o ótimo time do Cruzeiro, que chega pela primeira vez, mas já vem rondando um título faz tempo. Já disputou a final do Campeonato Brasileiro com o próprio Corinthians e, nesse ano, também no Brasileiro, foi eliminado novamente pelas Brabas na semifinal. Bom, sempre apoiei o futebol feminino desde a escola, porque, onde estudei, podíamos jogar futebol, vôlei e basquete juntos em alguns momentos nas aulas de educação física. Então, cresci vendo meninas jogando bola. A Hora Confiança do mercado cai, e a do consumidor, sobe Rodrigo Ratier IA ameaça o pensamento crítico na faculdade Paulo Camargo Seu chefe merece bônus se a equipe não confia nele? Julián Fuks A ideia que tomou o mundo: Lula como antítese do ódio Lá nos anos 80, sempre passavam jogos no domingo pela manhã no Esporte Espetacular e também na Band com o saudoso Luciano do Vale. Mas duas vezes participei diretamente em defesa do futebol feminino. A primeira vez foi em 12 de setembro de 1982, um domingo muito importante para a Democracia Corinthiana, mas principalmente para mim. Jogaríamos o jogo decisivo do primeiro turno do Campeonato Paulista, no Morumbi, contra o São Paulo, e uma vitória nos daria o título do turno e, consequentemente, nos colocaria nas finais do campeonato. O regulamento dizia que o campeão e o vice de cada turno estariam no possível quadrangular final. Nesse dia, haveria pela primeira vez uma partida de futebol feminino na preliminar do nosso jogo. A intenção era mostrar ao público do futebol masculino o futebol de mulheres e, ao mesmo tempo, dar a experiência para elas jogarem num grande estádio e para um grande número de torcedores. O Magrão estava machucado, mas foi com a gente no ônibus para o estádio. Sentamos lado a lado, fomos conversando e falei: Continua após a publicidade — "Magrão, quando chegarmos lá, vamos assistir à preliminar das meninas?" Ele respondeu: — "Claro, já havia esquecido que teria esse jogo." Chegamos no estádio, fomos para dentro do campo e sentamos num banco atrás do gol de entrada do Morumbi, onde naquela época ficavam os jornalistas. De repente, veio um cara com três meninas chateadas, cabisbaixas, e perguntamos: — "Que horas começa o jogo de vocês?" Continua após a publicidade Elas responderam indignadas: — "Vocês acreditam que não vai mais ter o nosso jogo?" Perguntamos: — "Por quê?" Aí elas explicaram: — "O diretor da federação falou que era para não estragar o gramado para vocês jogarem." Continua após a publicidade Olhei para o Magrão e falei para elas assim: — "Nós vamos falar com ele para entender o que aconteceu." Fomos lá, chegamos no diretor e dissemos: — "Está sol e, se elas jogarem, não irá estragar o gramado." Ele respondeu: — "Só recebo ordens e falaram para não ter jogo." Continua após a publicidade Aí eu e o Magrão olhamos um para o outro e jogamos verde: — "Bom, nesse caso, nós não entraremos em campo e o senhor assume a responsabilidade." Nesse momento, ele gaguejou e falou: — "Não, vamos resolver isso com calma." Bom, elas jogaram uma partida de 20 minutos por 20 entre uma seleção carioca e paulistas. E isso virou, mais de 40 anos depois, uma grande matéria, porque algumas senhoras que jogaram naquele dia falaram dessa nossa participação. Me encontrei com elas e foi muito emocionante. Continua após a publicidade Já em 1983, junto com o Wladimir e o Pitta, que jogava na Portuguesa, fomos convidados para participarmos do filme Onda Jovem , que antes se chamaria Gaivotas FC . Foi um filme dirigido por Ícaro Martins e José Antônio Garcia, tendo como tema principal o futebol feminino, relações, juventude, sexualidade, música; enfim, um filme tratando de temas importantes até hoje. O elenco era ótimo, com Carla Camurati, Tânia Alves, Regina Casé, Vera Zimmermann, Cida Moreira, Naris Lima, entre outros, mais Wladimir, Pitta, Caetano Veloso e eu. Walter Casagrande, em cena no filme "Onda Nova" Imagem: Reprodução Esse filme foi remasterizado e exibido em vários festivais de cinema pelo mundo. Me lembro que foi difícil gravar, porque eu era muito tímido e fiz uma cena "mais picante" com a Naris no antigo bar da Alameda Lorena, o Victoria Pub . Continua após a publicidade Ficamos nus por horas e eu não sabia onde enfiar a cara, mas filmei. Ela fazia uma jogadora que era minha fã e acabamos nos relacionando. O time do filme chamava Gaivotas FC , e foi um marco e considerado um clássico, principalmente por ser sobre o futebol de mulheres. Portanto, gosto de assistir a alguns jogos de futebol feminino porque há poucas faltas, elas não fazem cera, não se jogam no chão, não simulam e existe mais espaço para jogar. Claro que ainda precisam evoluir em algumas coisas, mas estão jogando muito bem futebol. Sem contar que em 2027 a Copa do Mundo será aqui no Brasil, e muitas garotas desses dois times poderão estar no grupo do treinador Arthur Elias. Continua após a publicidade O Corinthians é favorito, mas o Cruzeiro tem um time muito competitivo e pode sim ser campeão pela primeira vez. Do Corinthians, adoro a Gabi Zanotti. Camisa 10, é uma lenda do futebol feminino do clube e talvez seja a grande jogadora da história corinthiana. Lá no Cruzeiro tem uma jogadora, a Byanca Brasil, também camisa 10, da qual sou muito fã. Ela joga muito. Claro que os dois times são formados por grandes jogadoras, como a experiente Tamires (Corinthians) e a artilheira Marília (Cruzeiro), mas destaquei as duas consideradas as craques dos times. O futebol feminino representa não só o esporte, mas a força, a determinação e a coragem de todas as mulheres revolucionárias que vieram lá de trás, lutando para serem reconhecidas como profissionais. Mesmo hoje, ainda continuam nessa luta. Então, parabéns a todas as mulheres do futebol por todas as conquistas! Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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