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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Caso Textor expõe necessidade de pena dura no Fair Play a clube quebrado Rodrigo Mattos Colunista do UOL 25/04/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Em apenas quatro anos, John Textor conseguiu gerar um passivo na SAF do Botafogo de R$ 2,5 bilhões. Iniciou um processo de recuperação judicial para sobreviver. Ao mesmo tempo, tentava transferir o Alvinegro para empresa nas Ilhas Cayman. Esse processo foi interrompido pela decisão do tribunal arbitral de afastar Textor, a pedido da Eagle, no Reino Unido, atualmente sob o controle dos credores do empresário norte-americano. Não se sabe se ele volta ao poder. Não se sabe se a Recuperação Judicial, ainda válida, vai ser mantida, já que a Eagle se mostrava contra a medida. Sakamoto O elo entre o fim da 6x1 e 840 mil mortes no trabalho PVC Atlético-MG x Flamengo é o destaque da rodada Christian Dunker O papel da psicoterapia em tempos de guerras Helio de La Peña No bota-fora do Bota, quem vai substituir Textor? Mas fato é que, com a RJ, Textor se preparava para pendurar R$ 1,1 bilhão de dívidas em contratações. Boa parte disso cobrado na Fifa e na CNRD, tribunal da CBF. Como punição, pelas regras de Fair Play, poderia - repita-se poderia - ficar com uma folha salarial limitada e a impossibilidade de gastar mais em contratações do que a arrecadação em vendas. Uma restrição que seria fácil de cumprir para um clube sufocado sem recursos. Ainda há uma dúvida se essas penas se aplicariam por conta da data do início da Recuperação Judicial. A validade da regra é a partir de maio. O Botafogo SAF entrou com um pedido de liminar em abril, mas há uma discussão se vale já como início da RJ ou se isso só aconteceria no deferimento da recuperação. A agência da CBF vai analisar o caso. De qualquer maneira, a questão é que se trata uma pena muito leve para quem subverteu completamente o sistema de mercado de transferência com uma gastança em dois anos seguidos sem nenhum lastro. Montou um time campeão do Brasileiro e da Libertadores, garantiu participação no Mundial com esse sistema. Depois, simplesmente parou de pagar. Agora, com a RJ, se confirmada, poderia ter de quitar as dívidas com deságio e com prestações longínquas. Na Inglaterra, um time que entre em administração, correspondente à RJ, perde de cara 12 pontos, naquele ano ou do seguinte. E há a ameaça real de falência no Reino Unido. Sem conseguir pagar credores, o Rangers, tradicionalíssimo na Escócia, acabou e teve de ser refundado. Iniciou sua história do fim da última divisão. Continua após a publicidade Não se está defendendo algo similar para o Botafogo agora. Espera-se que novos investidores assumam o clube e possam iniciar o pagamento de credores, e a geri-lo de forma mais responsável. Mas, se a punição for só gastar um pouco menos por uns meses ou anos, o sistema brasileiro de Fair Play vai incentivar "novos Textors". Gasta o que não tem, quebra o clube, pede Recuperação Judicial e aguenta uns anos sem punição relevante. Óbvio que não se defende dureza total para qualquer clube com dificuldade financeira. O Fair Play tem que ser também um indutor de boas práticas, com penas que levem os clubes a acertar sua situação. Mas casos extremos como esse do Botafogo e Textor têm o potencial de desmoralizar o sistema se passarem com sanções leves. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Rodrigo Mattos por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Fonseca encara espanhol amanhã pelo Masters de Madri; veja horário Atriz de novelas da Globo faz 'rolê de busão' com filho: 'Bom exemplo' Imagens de satélite mostram destruição após ataques de Israel ao Líbano Militão precisará de cirurgia após lesão e está fora da Copa do Mundo O que o fim 6x1 tem a ver com 840 mil mortes por saúde mental no trabalho?