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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Saul Klein, herdeiro de Samuel, vira réu por exploração sexual de mulheres Pedro Lopes Colunista do UOL 14/05/2026 17h46 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A Justiça de São Paulo aceitou parcialmente denúncia formulada pelo Ministério Público e tornou Saul Klein, herdeiro do fundador das Casas Bahia Samuel Klein, réu por exploração sexual de mulheres. A decisão, obtida pela coluna, é da 2ª Vara Criminal de Barueri. A denúncia foi aceita em relação a quatro acusações contra Klein: favorecimento à prostituição ou exploração sexual de vulnerável, favorecimento à prostituição com violência ou grave ameaça, aliciamento mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso e organização criminosa. "Os elementos informativos (..) também descrevem ambiente de exploração sexual contínua, com referência à participação reiterada de determinadas intermediárias, padronização comportamental e submissão psicológica das frequentadoras", diz a decisão. Letícia Casado Reação de Flávio a áudio irrita aliados Sakamoto Flávio-Vorcaro põe Michelle no céu e Tarcísio no inferno Josias de Souza Defesa de Flávio Bolsonaro sobre Master vira pó Gustavo Miller O emprego do futuro é offline? O processo corre em segredo de Justiça. A coluna entrou em contato com a defesa de Saul Klein, representado pelo escritório do advogado Alberto Toron. "A decisão judicial, em linha com o entendimento já parcialmente adotado pelo próprio Ministério Público, afastou as imputações de estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à de escravo. Em relação às acusações remanescentes, o magistrado destacou a relevância da tese defensiva de que a relação mantida entre as partes era livre e consensual, no contexto de uma dinâmica conhecida como "sugar daddy" e "sugar baby", ressalvando que a matéria deverá ser aprofundada ao longo da instrução processual", disse Toron, em nota enviada à coluna. "A defesa permanece confiante de que, ao final do processo, todas as acusações serão integralmente rejeitadas". Klein foi denunciado também por estupro por 14 mulheres - o próprio Ministério Público requereu o arquivamento das acusações de estupro e de exposição a contágio por doenças venéreas, alegando não haver "certeza ou segurança quantos aos atos sexuais não consentidos". As acusações contra Saul Klein foram foco de extensa cobertura do UOL , com matérias trazendo o relato das mulheres autoras da denúncia , detalhes sobre como funcionava a estrutura criada para recrutar mulheres nas mansões do empresário e o documentário "Saul Klein e o império do abuso" . Em sua defesa no processo, Klein afirma que era um "sugar daddy" - mantinha com as mulheres uma relação consensual de fetiche na qual um homem mais velho oferece suporte financeiro, presentes e experiências de luxo a mulheres mais novas, podendo ou não haver relações sexuais. A decisão aponta que a tese será analisada e apurada no curso do processo. Continua após a publicidade "Tal tese defensiva, considerada a natureza complexa dos fatos investigados e as peculiaridades dos relatos colhidos, será objeto de aprofundado exame durante a instrução criminal, especialmente quanto à efetiva liberdade de consentimento das participantes, à eventual existência de fraude invalidante da manifestação de vontade, ao grau de autonomia das vítimas, à possível ocorrência de exploração sexual penalmente típica e à distinção entre prostituição consentida, relações afetivo-patrimoniais e eventual estrutura criminosa organizada". As mulheres que iniciaram o processo relatam que, durante mais de uma década, Klein manteve uma rede de recrutamento com falsas promessas de carreiras como modelo, que terminava em abusos e exploração sexual em suas propriedades, protegidas por grande contingente de seguranças e funcionários. A ação penal também foi aceita em relação a diversas pessoas que, segundo a acusação, eram parte dessa rede. Uma delas é Marta Aparecida Gomes da Silva, apontada como principal recrutadora e chefe da equipe que organizava a rotina de dezenas de mulheres que viviam nas propriedades de Klein. Samuel Klein, pai de Saul, também foi acusado de exploração e violência sexual por dezenas de mulheres , a maioria menor de idade, antes de sua morte, em 2014. As denúncias contra o fundador das Casas Bahia foram reveladas pela Agência Pública e também cobertas pelo UOL. Em um dos casos, Klein chegou a utilizar o São Caetano, clube de futebol sensação no início da década de 90, para fechar acordos e fazer pagamentos a menores de idade que denunciavam. Samuel jamais foi condenado criminalmente. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. 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