Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Comparar lances de Veiga e Pulgar na final é o puro suco do clubismo Julio Gomes Colunista do UOL 30/11/2025 05h30 Deixe seu comentário Pulgar atinge Bruno Fuchs durante final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras Imagem: Reprodução Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Erick Pulgar deveria ter sido expulso aos 30min da final da Libertadores da América, no sábado. É um lance indiscutível. Vamos à linha do tempo: Há uma falta em Arrascaeta, marcada pelo árbitro. Bruno Fuchs chuta a bola duas vezes com Arrascaeta caído, algo desnecessário e que poderia ter gerado um amarelo para o palmeirense - a depender da temperatura do jogo, da condução do árbitro, etc. Com o jogo parado e falta marcada, já a uma certa distância de Arrascaeta, Pulgar vai tirar satisfações com Fuchs, chuteira na canela. Agressão, estupidez, irresponsabilidade. E vermelho (só que não). Talvez o que tenha confundido o VAR tenha sido o amarelo mostrado ao volante rubro-negro pelo árbitro argentino Dario Herrera - que foi impecável na partida, diga-se, à exceção deste lance. Como o árbitro decidiu pelo amarelo no campo, o VAR acabou não intervindo. Pode ter sido um fator a demora para encontrar uma câmera que mostrasse a agressão de Pulgar em Fuchs, o que é especulação da minha parte. O fato é que o VAR errou. Deveria ter chamado Herrera para rever a agressão, pois ali, no campo, talvez o argentino não tenha tido a plena visão do que havia ocorrido. Dito isso - e a expulsão, pelo que notei, é uma opinião quase unânime, até entre flamenguistas -, absolutamente nada garante que o destino da Taça Libertadores teria sido outro. No ano passado, o Botafogo jogou com dez homens desde o primeiro minuto e ainda assim ganhou a final contra o Atlético-MG. Talvez Pulgar fosse expulso e o Flamengo tivesse vencido do mesmo jeito, não dá para saber. É um lance importante, mas que não pode ser tratado como necessariamente decisivo. Domitila Becker Parem de zoar os palmeirenses Casagrande O Fortaleza tem tudo para fugir do rebaixamento Milly Lacombe Posição do Corinthians no Brasileiro é um milagre Sakamoto A melhor notícia para Lula na semana que passou O que incomoda bastante é a colocação de outro lance, um de Raphael Veiga sobre Carrascal, aos 13min de jogo, como "idêntico" ao de Pulgar. É quando o clubismo entra em ação com toda a força. A nação flamenguista brada nas redes sociais que "Pulgar deveria ser expulso, mas Veiga também". Uma artimanha já bastante conhecida e utilizada por parte de torcedores de futebol, igualando lances que não são iguais. Classificação e jogos libertadores Veiga e Carrascal estão em disputa de bola. O toque do flamenguista na bola acontece um milisegundo antes da chegada da perna do palmeirense que, como consequência, acerta o adversário. Em câmera lenta, dá até para pensar em um vermelho para Veiga. Mas esse é o grande problema do VAR no Brasil e na América do Sul, que constantemente chama o juiz de campo para reapitar os jogos - e o pior, em câmera lenta. Em divididas assim, o que importa é a velocidade real do lance e a observação de campo. Não há um jogador flamenguista sequer pedindo vermelho direto, porque todo mundo que está em campo sabe qual a natureza daquele lance. Na vida real, é uma dividida, uma falta dura, Veiga rabisca a canela do adversário (não pega em cheio, como as imagens congeladas que invadiram a Internet fazem acreditar), é uma entrada temerária e um amarelo bem dado. Expulsar um jogador por um lance como esse com 13min de uma final seria uma crime, simples assim. O lance de Veiga precisa ser analisado sem levar em conta o do Pulgar. Precisa ser pensado de forma isolada. Seria um absurdo completo uma expulsão em lance assim no começo do jogo. O palmeirense vai na bola, o flamenguista tira antes, isso gera o choque, que é duro, amarelo, ponto final. Se o juiz, no campo, tivesse optado pelo vermelho a Veiga, eu acharia errado, mas seria uma decisão aceitável. Já uma interferência do VAR seria inadmissível. Já a entrada de Pulgar em Fuchs não tem nada a ver com esse lance. O jogo estava parado, não era uma disputa de bola. É um vermelho muito, muito fácil de ser dado e em qualquer momento do jogo - começo, meio ou fim. É uma agressão e o VAR deveria ter corrigido o árbitro. Usar um lance para "justificar" o erro no outro é o puro suco de clubismo que marca as discussões aqui no Brasil. É insuportável, na verdade. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Julio Gomes por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora SP: suspeito de arrastar mulher foi preso em 2023 por porte ilegal de arma Fortaleza bate Atlético-MG e mantém arrancada na busca para fugir do Z4 Com saída de David Junior, veja quem é trio finalista da Dança dos Famosos 'Posição do Corinthians no Brasileirão é um milagre', diz Milly Lacombe Corinthians e Botafogo só empatam em resultado ruim para ambos