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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Coletiva desastrosa de dirigente do Sport revela por que o clube caiu Milly Lacombe Colunista do UOL 24/11/2025 12h27 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Léo Pereira, do Sport, em ação durante jogo contra o Vitória pelo Brasileirão Imagem: Marlon Costa/AGIF O Sport conseguiu cair para a série B com muitas rodadas de antecedência. Um feito e tanto. Nesse domingo, depois de mais uma derrota em casa, dessa vez para o Vitória, o gerente geral (em inglês fica mais chique: general manager) Enrico Ambrogini, que em sua página do Instagram se apresenta como gestor esportivo, foi para a coletiva numa pegada "deixa comigo que agora vou mandar umas verdades aqui". Fazendo o estilo sincerão-manda-que-eu-mato-no-peito, listou as coisas erradas com o clube em tom de desabafo. Quem não sabe quem ele é poderia achar que Ambrogini não teve nada a ver com isso. Mas aí a gente lembra que ele está no clube há sete meses e se pergunta: what's going on, my friend? Abusando da linguagem corporativa, explicou que o Sport é um transatlântico e por isso demora para mudar de rota, uma imagem que fazia sucesso no mundo empresarial na mesma época do fax. Falou em "timing" e em coisas desse nível, como quem descreve um armazém e não um time de futebol. Reinaldo Azevedo Chegou a hora da extrema direita fingir demência Mônica Bergamo Tarcísio se fortalece em corrida contra Flávio Josias de Souza Centrão chega a 2026 amarrado a um mico Mauro Cezar Abel já jogar a toalha no Brasileirão é inadmissível Fosse apenas isso, nem perderia meu tempo escrevendo texto nenhum. Mas fica pior. Classificação e jogos brasileirao Amborgini disse que para 2026 precisa de gente com hombridade e culhão. Vejamos o que está errado com essa colocação. Olhando a página de Instagram do "gestor" percebe-se rapidamente que ele, bastante jovem, quer se vender como um executivo moderno. Mas que modernidade existe em usar linguagem misógina? O que seria hombridade? Seria ter coragem? Leila Pereira não tem coragem? E culhão? "Ah, mas é força de expressão, Milly". Um dia foi porque era aceitável sair dizendo esse tipo de preconceito em voz alta. Um dia a guilhotina também foi aceitável. Não é mais. E um dirigente moderno precisaria saber disso. A coletiva é uma aula do que não dizer e de como não se comportar. Ambrogini se separa completamente do fracasso do Sport, abusa da linguagem neoliberal que não quer dizer absolutamente nada e, para completar, encerra com declaração machista. Em quinze minutos, o general manager explicou mais sobre os motivos do fracasso do Sport do que qualquer jogo possa ter mostrado. Ambrogini teve sete meses para trabalhar e os resultados nós não vimos (ou vimos e, nesse caso, eles são bastante ruins). Ele vai se demitir? Não me pareceu. Seu discurso é uma aula de como se des-associar do fracasso sendo você um dos responsáveis por ele. Quer se separar de um malogro? Faz assim: vai para a coletiva, fala grosso, fala forte, faz o estilo sincerão, diz que quer homens com testículos para dar continuidade ao projeto e sai batendo o pé. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Shawn Mendes e Bruna Marquezine são flagrados em cinema no Rio de Janeiro PF coloca película preta em portas onde Bolsonaro está preso Sabrina e Karina Sato se tornam sócias do Camarote Nº1 Artilheiro da Série B ressurge no Remo após frustração no Fla e anos ruins Centrão chega a 2026 refém do ex-mito e amarrado a um mico