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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Os emails de um morto têm mais peso do que a palavra de centenas de vítimas Milly Lacombe Colunista do UOL 06/02/2026 14h07 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Arte da série documental "Sobrevivendo a Jeffrey Epstein", do Lifetime Imagem: divulgação/Lifetime São centenas de vítimas que decidiram expor os horrores do que viveram sob o sequestro de Jeffrey Epstein e de sua gangue de homens poderosos. Elas relataram à polícia, sob juramento, o que passaram. A maior parte nem se conhece, e as histórias batem. Deram detalhes assombrosos durante anos e anos. Ainda assim, até as investigações acharem emails, vídeos e fotos que comprovaram o que elas diziam, elas eram desacreditadas. Mesmo agora, com os documentos sendo parcialmente liberados, há pouco interesse em ouvi-las. Queremos mesmo é saber dos arquivos. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou em campanha de gaslighting contra a sociedade. Libera aos poucos, libera com censura para proteger o nome de pedófilos, torturadores e assassinos, diz que não vai liberar mais do que já liberou - que é a metade das seis milhões de páginas. O que restaria? Ir atrás dos advogados das vítimas para saber o que está sendo escondido e quem está sendo protegido. Mas a palavra delas (e deles, porque há homens que foram estuprados e torturados) ainda importa pouco diante da palavra de um cadáver e da palavra de seres grotescos como Woody Allen, envolvido até a alma com Epstein, de Bill Gates, de Elon Musk, de Noam Chomsky (que imensa e inominável decepção) e de dezenas de outros citados. Amanda Klein Lula convoca Haddad e põe Alckmin de sobreaviso Alexandre Borges Lula arrisca reeleição se ignorar segurança pública PVC Entre o novo Brasileirão e a bolha que vai explodir Mariana Sanches Os vários tons de ICE nos Estados Unidos Os arquivos de Epstein contam uma história de colapso moral no interior do patriarcado. Homens tão poderosos que achavam que podiam torturar, estuprar a canibalizar crianças porque nada aconteceria. Cruzaram todos os círculos do inferno e inauguraram outros tantos. Os crimes falam mais sobre dominação de alguns poucos sobre muitas e muitos do que sobre um plano de bilionários para conquistar o mundo político. O projeto de conquista vem na esteira dado que o fim é viver uma vida em que podem exercer seu poder gozando sobre corpos indefesos. O poder absoluto permite esse tipo de horror. O meio era conquistar mais poder; o fim era o canibalismo - em sentido simbólico e, pelo que os documentos nos fazem supor, também literal - impune. Trump, envolvido nessa bestialidade toda, quer que mudemos de assunto. Mas a história ganhou volume e não vai ser esquecida. A menos, claro, que uma terceira guerra mundial seja iniciada. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Corinthians negocia contratação de ex-parceiro de Memphis no PSV O que explica pessoas que parecem mais jovens do que são? EUA deportam 3ª fugitiva do 8 de Janeiro; condenada é presa no Brasil O que é a estratégia de Fernanda Lima de ser 'mãe invisível' na Itália Foragido nos EUA, Ramagem presta depoimento ao STF por vídeo