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Análise dos Times

Cbf

Principal

Motivo: O artigo foca na posição da CBF sobre a liga única, defendendo seus interesses e modelo organizacional com tom favorável.

Viés da Menção (Score: 0.8)

Ffu

Motivo: O artigo critica a estrutura da FFU, especialmente a participação do investidor com poder de veto, apresentando-a como um obstáculo.

Viés da Menção (Score: -0.7)

Motivo: O modelo da Libra é apresentado como mais alinhado ao desejado pela CBF, com uma perspectiva mais neutra ou ligeiramente positiva.

Viés da Menção (Score: 0.3)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Flamengo CBF Leila Pereira Libra FFU clubes investidor Sports Media Participacoes Beto Pereira

Conteúdo Original

O plano da CBF para uma liga única no Brasil inclui autonomia total dos clubes nas decisões comerciais do bloco, sem a presença de um investidor externo que tenha poder sobre esses temas. Essa é a diretriz que será discutida com dirigentes das 40 equipes das Séries A e B que vão se reunir no Rio de Janeiro, no próximo dia 6, no primeiro encontro promovido pela entidade para tratar do assunto. Desde a criação da Libra, o primeiro bloco, em 2022, a CBF se manteve fora das discussões – ao menos, formalmente. Era um acordo do então presidente, Ednaldo Rodrigues, que garantiu aos clubes liberdade para que se organizassem. Leia também: + Órgão do Ministério do Esporte aponta restrição a investidores na FFU Nunca houve um acordo, porém. Dissidências depois levaram à criação do que hoje é o Forte Futebol União, e os dois grupos tiveram foco, principalmente, na venda de direitos de transmissão para o ciclo atual, que termina em 2029. A promessa de que se juntariam para a criação de uma liga jamais avançou. Nos últimos meses, conflitos internos enfraqueceram os blocos. A Libra se viu numa batalha judicial com o Flamengo por causa de repasse do dinheiro dos direitos, enquanto a FFU passou a ser questionada por diversas equipes que disputam as Séries B e C, incomodadas com os contratos que lhe cabiam. 1 de 3 Sede da CBF — Foto: Lucas Figueiredo/CBF Sede da CBF — Foto: Lucas Figueiredo/CBF Há cerca de dez dias, tanto a Libra como a FFU realizaram encontros e ambas divulgaram comunicados em que citavam a necessidade de a CBF fazer parte do processo de unificação . Na última quinta, a confederação enviou ofício aos 40 clubes das duas primeiras divisões convidando-os para o encontro em abril. Apesar disso, a CBF deve encontrar resistência nesse início, especialmente entre clubes da FFU: o modelo pretendido pela entidade nacional se choca com o modelo atual do bloco que reúne 32 equipes. A FFU é formada por dois entes distintos: a associação de clubes, onde os dirigentes debatem e alinham interesses, e o Condomínio, estrutura onde são realizados os acordos comerciais. No condomínio estão dois polos de interesse, os clubes, com 80% dos votos, e o investidor, a Sports Media Participações, com 20% – adquiridos ao aportar R$ 2,6 bilhões em 2023 para comprar parcelas entre 10% e 20% dos direitos de transmissões das equipes por 50 anos. Segundo cartolas ouvidos pela reportagem, apesar de deter a maioria dos votos, em diversas decisões os clubes precisam compor com o investidor, já que aprovações dependem de 90% dos votos – o que dá à empresa, na prática, poder de veto. Na CBF, essa estrutura é citada como “inadmissível” numa liga – que seria controlada pela entidade e pelos clubes. A presença de investidores é admitida, desde que eles não tenham ingerência no bloco. Nas últimas semanas, esse se tornou também o cerne de uma disputa interna na FFU – o CSA, de Alagoas, acionou a Comissão de Ética da CBF e o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) justamente para questionar esses pontos, e há outros clubes incomodados. Recentemente, a CBF fez gestos às equipes da Série B, que desde o ano passado têm reclamado do que consideram contratos ruins. 2 de 3 Bola do Brasileirão 2026 — Foto: Gilson Lobo/AGIF Bola do Brasileirão 2026 — Foto: Gilson Lobo/AGIF Primeiro, a entidade se tornou a responsável pela negociação dos direitos de São Bernardo e Náutico, que subiram da Série C e não faziam parte de nenhum dos dois blocos – por valores então superiores aos das equipes da FFU. Depois, ao ouvir protestos sobre os custos de logística e arbitragem da Série B, se comprometeu a pagar essas despesas desde que os clubes aderissem a um plano de reestruturação financeira liderado pela ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol). Todos assinaram. Ao contrário da Libra, cujo modelo de negociação se assemelha ao desejado pela CBF e em que dirigentes como a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, é aliada de primeira hora do presidente Samir Xaud, a FFU sempre esteve mais distante da entidade – os clubes do bloco, em maioria, apoiaram Reinaldo Carneiro Bastos na última eleição da confederação, em 2025. Na CBF, uma saída citada como possível para superar a barreira do investidor na criação da liga seria a dos clubes recomprarem as parcelas de seus direitos que foram vendidas à Sports Media – num cenário de crise financeira, principalmente das equipes menores, essa opção se torna complicada. Não há um prazo para a formação da liga. Dirigentes da entidade acreditam que o ideal seria tê-la tão logo seja possível para que um “novo produto” esteja formatado para a venda de direitos do ciclo que se inicia em 2030. Cálculos apontam que os direitos atuais dos clubes da Libra e da FFU tenham somado R$ 3 bilhões. E os cartolas acreditam que podem usar o bolso para convencer a Sports Media a abrir mão da participação em decisões. Para isso, estimam um crescimento automático de receitas quando o bloco de 40 clubes for ao mercado, o que valorizaria, também, o percentual que hoje está com a empresa investidora. Há outro caminho, mais conflituoso e incerto, que está sendo rascunhado em gabinetes de Brasília. Recentemente, o deputado federal Beto Pereira (PSDB-MS), membro da Comissão de Esporte da Câmara, solicitou uma análise da estrutura da FFU à Secretaria de Futebol e Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte. A conclusão do órgão, descrita em nota técnica do dia 24 de março, é de que a Lei Geral do Esporte e a Constituição indicam restrições à presença de um investidor com poderes como os da Sports Media em ligas desportivas. 3 de 3 Sede da CBF para o lançamento do novo calendário do futebol brasileiro — Foto: João Guerra Sede da CBF para o lançamento do novo calendário do futebol brasileiro — Foto: João Guerra A FFU defende que não há irregularidade na relação com a Sports Media, segundo nota: “O negócio celebrado pelos associados da FFU está em conformidade com a legislação brasileira. Os direitos comerciais são patrimônios disponíveis dos clubes, e o modelo firmado não compromete a autonomia das entidades, nem a organização das competições e a integridade do campeonato. A estrutura adotada limita-se à exploração econômica desses ativos em formato compatível com as melhores práticas internacionais. Além disso, a governança prevê a participação direta dos clubes na comercialização dos direitos, em um formato que gerou a maior receita da história na venda de direitos de arena”. A reunião do dia 6, com a presença apenas de representantes dos clubes, indicará por onde a discussão vai seguir nos próximos meses.