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Análise dos Times

Vasco

Principal

Motivo: Foco central da matéria; tom factual e neutro sobre a venda da SAF e a recuperação judicial, sem julgamento do clube.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Vínculo societário da presidente é exposto em tom investigativo, mas sem acusação direta e com espaço para a defesa.

Viés da Menção (Score: -0.2)

Motivo: Apenas cita declaração do presidente Bap apontando conflito de interesses, com relato neutro.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Vasco Flamengo Palmeiras São Januário Leila Pereira Luiz Eduardo Baptista Crefisa 777 Partners Anresf Almirante Participações Marcos Lamacchia José Roberto Lamacchia Crefipar Top Gol Participações

Conteúdo Original

Só para assinantes Pai para filho: Leila e marido foram donos de empresa que comprará o Vasco Pedro Lopes Colunista do UOL 24/09/2026 05h30 Deixe seu comentário Leila e marido foram donos de empresa que comprará o Vasco Imagem: Montagem UOL com fotos de R.Casimiro/Fotoarena/Folhapress, T.Ribeiro/AGIF e M.Missioneiro/Folhapress A empresa que está perto de assumir o controle do Vasco percorreu um caminho familiar: nasceu com uma participação indireta da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, e passou pelo controle total de seu marido, José Roberto Lamacchia, antes de chegar ao dono atual, Marcos Lamacchia, filho de José Roberto e enteado de Leila. A Almirante Participações S.A. foi criada com o nome Top Gol Participações e Empreendimentos em março de 2024 sob o controle de uma holding dos donos da Crefisa. Desde o primeiro dia, o intuito da empresa era investir em SAFs (Sociedade Anônima do Futebol). Inicialmente, a presidente do Palmeiras tinha participação acionária, minoritária e indireta, de apenas 2%. Seu marido tinha os outros 98% do controle. A ligação de Leila com a empresa foi rápida e durou pouco mais de um mês: em abril de 2024, antes das negociações com o Vasco, Leila deixou de ter participação em um complexo processo de mudança de acionistas. A empresa permaneceu sob controle de José Roberto Lamacchia até agosto de 2025, quando ele a transferiu para o filho, Marcos Lamacchia. Em setembro, mudou de nome para Almirante Participações. O UOL teve acesso aos documentos societários da empresa desde sua fundação. Não há qualquer prova de participação direta de Leila em negociações, mas os documentos e a cronologia dos fatos indicam a participação de José Roberto Lamacchia para além do papel de avalista. Em carta enviada ao Vasco em julho deste ano e anexada a seu processo de recuperação judicial na Justiça do Rio, Marcos Lamacchia diz que a Almirante mantém negociações com o Vasco "há mais de dois anos". Em tese, isso abrange o período no qual a Almirante se chamava Top Gol, não tinha Marcos entre os acionistas e estava sob controle acionário de José Roberto Lamacchia -e já sem Leila Pereira. Procurada pela coluna, a Almirante disse, por meio de sua assessoria, que a "Almirante foi transferida para Marcos Faria Lamacchia quando se pensou em iniciar a compra do Vasco. Todo e qualquer documento entre Vasco e Almirante foi firmado no momento em que Marcos Faria Lamacchia era seu acionista majoritário. Portanto, não há qualquer vínculo entre Leila e a Almirante nesta operação". Leila Pereira, presidente do Palmeiras, em premiação do Paulistão 2026 Imagem: RODILEI MORAIS/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Participação de Leila no nascimento da Almirante A participação de Leila na criação aconteceu por meio da Crefipar, empresa que concentra investimentos da família e que tinha, na época, Leila como detentora de 2% das ações. A ligação é indireta e passa por outras três empresas: Top Gol = Ravena + Siena = Crefipar A Top Gol foi criada em março de 2024 tendo como acionistas outras duas empresas: a Ravena Participações e a Siena Participações. Ambas, por sua vez, tinham como acionista majoritário, com 99% do capital, a Crefipar Participações. É na Crefipar que entra o nome de Leila Pereira: a empresa é uma holding que engloba investimentos da família Lamacchia, em que Leila tinha, na época, uma participação de 2%. O restante pertencia ao marido, José Roberto Lamacchia. Saída da Crefipar Em abril, a Top Gol muda seu quadro societário em uma sucessão de mudanças de dono. Primeiro, passa a pertencer apenas à Siena. Ao mesmo tempo, a Siena passa a pertencer à Ravena. Além disso, a Ravena deixa de ser uma propriedade da Crefipar para ser apenas de José Roberto Lamacchia. Essa movimentação tira Leila da estrutura de forma definitiva. O contrato social da empresa tem como objeto a) gestão de atividades do futebol e b) participação em SAFs de futebol. Marcos Lamacchia, candidato a novo dono da SAF do Vasco, em São Januário Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF Cronologia de primeiras conversas com o Vasco Um mês depois dessa mudança, em maio de 2024, o jornalista Rodrigo Capelo publicou que Lamacchia, por meio da Crefisa, tinha tentado adquirir a SAF do Vasco em negociação com a 777 Partners, dona da antiga SAF. As conversas teriam sido interrompidas por risco de conflito de interesses, já que Leila Pereira tentaria a reeleição no Palmeiras. "No momento em que a Almirante começou a negociar a compra do Vasco, a Crefipar não possuía qualquer participação direta ou indireta na empresa. A Crefipar é uma holding que possui centenas de empresas com os mais diversos objetos sociais, da qual Leila possui participação de apenas 2%, sem poder de gestão", disse a Almirante à coluna. Marcos assume e conversas com o Vasco voltam Em agosto de 2025, um ano e meio depois das primeiras movimentações, José Roberto Lamacchia deixa o controle acionário da Top Gol, que passa a pertencer 99% a Marcos Lamacchia. Em seguida, muda de nome para Almirante Participações. Em outubro de 2025, a Crefisa faz um empréstimo de R$ 80 milhões ao Vasco, tendo como garantia 20% das ações da SAF, parcela posteriormente reduzida para 10%. Essa garantia serviu como combustível para que, em abril deste ano, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, apontasse conflito de interesses na aproximação entre Crefisa e Vasco. "Só olhar o caso do empréstimo da Crefisa ao Vasco da Gama. Qual foi a garantia solicitada? Eu, se fosse banqueiro, pedia o estádio de São Januário, que é um ativo real, como garantia. Quem poderia pedir ações da SAF como garantia? Talvez quem queira assumir a SAF do Vasco", disse Bap. Foi já sob o controle de Marcos que as negociações avançaram e documentos foram assinados. A Almirante é a principal candidata a adquirir o Vasco no processo de concorrência, que acontece nesta sexta-feira, às 14h. Marcos Lamacchia, Admar Lopes e Leila Pereira no gramado do Nubank Parque antes de Palmeiras x Vasco Imagem: Reprodução/TV Globo É um leilão judicial dentro da recuperação judicial do Vasco: o que está em jogo é a venda de 90% da nova SAF. Funciona por envelope lacrado: os interessados apresentam suas propostas na própria audiência, e a Almirante entra como "stalking horse". Em outras palavras, a Almirante já tem uma proposta de referência registrada no processo (investimento mínimo de R$ 650 milhões ao longo de cinco anos, segundo o edital de julho) e o direito de cobrir qualquer oferta concorrente que apareça. Depois do leilão, a proposta vencedora ainda passa pelos conselhos do clube antes de fechar. Há ainda uma investigação da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), órgão de controle do fair play financeiro ligado à CBF. A agência apura a existência ou não de conflito de interesses envolvendo Vasco e Palmeiras no caso. Até o momento, proibiu cautelarmente negócios entre Vasco e Palmeiras ou Crefisa. O caso ainda será julgado nos próximos dias. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. 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