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Só para assinantes Pai para filho: Leila e marido foram donos de empresa que comprará o Vasco Pedro Lopes Colunista do UOL 24/09/2026 05h30 Deixe seu comentário Leila e marido foram donos de empresa que comprará o Vasco Imagem: Montagem UOL com fotos de R.Casimiro/Fotoarena/Folhapress, T.Ribeiro/AGIF e M.Missioneiro/Folhapress A empresa que está perto de assumir o controle do Vasco percorreu um caminho familiar: nasceu com uma participação indireta da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, e passou pelo controle total de seu marido, José Roberto Lamacchia, antes de chegar ao dono atual, Marcos Lamacchia, filho de José Roberto e enteado de Leila. A Almirante Participações S.A. foi criada com o nome Top Gol Participações e Empreendimentos em março de 2024 sob o controle de uma holding dos donos da Crefisa. Desde o primeiro dia, o intuito da empresa era investir em SAFs (Sociedade Anônima do Futebol). Inicialmente, a presidente do Palmeiras tinha participação acionária, minoritária e indireta, de apenas 2%. Seu marido tinha os outros 98% do controle. A ligação de Leila com a empresa foi rápida e durou pouco mais de um mês: em abril de 2024, antes das negociações com o Vasco, Leila deixou de ter participação em um complexo processo de mudança de acionistas. A empresa permaneceu sob controle de José Roberto Lamacchia até agosto de 2025, quando ele a transferiu para o filho, Marcos Lamacchia. Em setembro, mudou de nome para Almirante Participações. O UOL teve acesso aos documentos societários da empresa desde sua fundação. Não há qualquer prova de participação direta de Leila em negociações, mas os documentos e a cronologia dos fatos indicam a participação de José Roberto Lamacchia para além do papel de avalista. Em carta enviada ao Vasco em julho deste ano e anexada a seu processo de recuperação judicial na Justiça do Rio, Marcos Lamacchia diz que a Almirante mantém negociações com o Vasco "há mais de dois anos". Em tese, isso abrange o período no qual a Almirante se chamava Top Gol, não tinha Marcos entre os acionistas e estava sob controle acionário de José Roberto Lamacchia -e já sem Leila Pereira. Procurada pela coluna, a Almirante disse, por meio de sua assessoria, que a "Almirante foi transferida para Marcos Faria Lamacchia quando se pensou em iniciar a compra do Vasco. Todo e qualquer documento entre Vasco e Almirante foi firmado no momento em que Marcos Faria Lamacchia era seu acionista majoritário. Portanto, não há qualquer vínculo entre Leila e a Almirante nesta operação". Leila Pereira, presidente do Palmeiras, em premiação do Paulistão 2026 Imagem: RODILEI MORAIS/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Participação de Leila no nascimento da Almirante A participação de Leila na criação aconteceu por meio da Crefipar, empresa que concentra investimentos da família e que tinha, na época, Leila como detentora de 2% das ações. A ligação é indireta e passa por outras três empresas: Top Gol = Ravena + Siena = Crefipar A Top Gol foi criada em março de 2024 tendo como acionistas outras duas empresas: a Ravena Participações e a Siena Participações. Ambas, por sua vez, tinham como acionista majoritário, com 99% do capital, a Crefipar Participações. É na Crefipar que entra o nome de Leila Pereira: a empresa é uma holding que engloba investimentos da família Lamacchia, em que Leila tinha, na época, uma participação de 2%. O restante pertencia ao marido, José Roberto Lamacchia. Saída da Crefipar Em abril, a Top Gol muda seu quadro societário em uma sucessão de mudanças de dono. Primeiro, passa a pertencer apenas à Siena. Ao mesmo tempo, a Siena passa a pertencer à Ravena. Além disso, a Ravena deixa de ser uma propriedade da Crefipar para ser apenas de José Roberto Lamacchia. Essa movimentação tira Leila da estrutura de forma definitiva. O contrato social da empresa tem como objeto a) gestão de atividades do futebol e b) participação em SAFs de futebol. Marcos Lamacchia, candidato a novo dono da SAF do Vasco, em São Januário Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF Cronologia de primeiras conversas com o Vasco Um mês depois dessa mudança, em maio de 2024, o jornalista Rodrigo Capelo publicou que Lamacchia, por meio da Crefisa, tinha tentado adquirir a SAF do Vasco em negociação com a 777 Partners, dona da antiga SAF. As conversas teriam sido interrompidas por risco de conflito de interesses, já que Leila Pereira tentaria a reeleição no Palmeiras. "No momento em que a Almirante começou a negociar a compra do Vasco, a Crefipar não possuía qualquer participação direta ou indireta na empresa. A Crefipar é uma holding que possui centenas de empresas com os mais diversos objetos sociais, da qual Leila possui participação de apenas 2%, sem poder de gestão", disse a Almirante à coluna. Marcos assume e conversas com o Vasco voltam Em agosto de 2025, um ano e meio depois das primeiras movimentações, José Roberto Lamacchia deixa o controle acionário da Top Gol, que passa a pertencer 99% a Marcos Lamacchia. Em seguida, muda de nome para Almirante Participações. Em outubro de 2025, a Crefisa faz um empréstimo de R$ 80 milhões ao Vasco, tendo como garantia 20% das ações da SAF, parcela posteriormente reduzida para 10%. Essa garantia serviu como combustível para que, em abril deste ano, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, apontasse conflito de interesses na aproximação entre Crefisa e Vasco. "Só olhar o caso do empréstimo da Crefisa ao Vasco da Gama. Qual foi a garantia solicitada? Eu, se fosse banqueiro, pedia o estádio de São Januário, que é um ativo real, como garantia. Quem poderia pedir ações da SAF como garantia? Talvez quem queira assumir a SAF do Vasco", disse Bap. Foi já sob o controle de Marcos que as negociações avançaram e documentos foram assinados. A Almirante é a principal candidata a adquirir o Vasco no processo de concorrência, que acontece nesta sexta-feira, às 14h. Marcos Lamacchia, Admar Lopes e Leila Pereira no gramado do Nubank Parque antes de Palmeiras x Vasco Imagem: Reprodução/TV Globo É um leilão judicial dentro da recuperação judicial do Vasco: o que está em jogo é a venda de 90% da nova SAF. Funciona por envelope lacrado: os interessados apresentam suas propostas na própria audiência, e a Almirante entra como "stalking horse". Em outras palavras, a Almirante já tem uma proposta de referência registrada no processo (investimento mínimo de R$ 650 milhões ao longo de cinco anos, segundo o edital de julho) e o direito de cobrir qualquer oferta concorrente que apareça. Depois do leilão, a proposta vencedora ainda passa pelos conselhos do clube antes de fechar. Há ainda uma investigação da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), órgão de controle do fair play financeiro ligado à CBF. A agência apura a existência ou não de conflito de interesses envolvendo Vasco e Palmeiras no caso. Até o momento, proibiu cautelarmente negócios entre Vasco e Palmeiras ou Crefisa. O caso ainda será julgado nos próximos dias. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. 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