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Não poderia haver uma ironia tão grande nos últimos números financeiros publicados pelo Corinthians como o item “despesas financeiras”.
Isso é basicamente o que uma pessoa, uma empresa ou um clube de futebol paga para bancos, por juros de empréstimos, tarifas, operações créditos, variação cambial e multas por atrasos.
Economistas consideram ideal uma empresa gastar com despesas financeiras até 3% de seu faturamento (em alguns casos é aceitável chegar nos 5%).
O Corinthians relata, entre janeiro e julho, despesas financeiras de R$ 171 milhões.
Isso representa um gasto diário com bancos de inacreditáveis R$ 806 mil.
Os R$ 171 milhões de despesas financeiras representam 38% de toda receita líquida corintiana de R$ 448 milhões nos sete primeiros meses de ano.
O que o clube gasta com bancos é maior do que qualquer das principais receitas alvinegras: a maior delas foi de patrocínios, com R$ 167 milhões.
Ou seja: tudo que o Corinthians recebe pela sua marca não paga as despesas com banco.
A comparação com o clube mais rico do país é cruel.
O Flamengo teve superávit nas suas operações financeiras nos seis primeiros meses do ano, com receitas de transações bancárias R$ 4 milhões maiores do que despesas.
As despesas financeiras rubro-negro são de apenas R$ 20 milhões, o que dá exatamente 3% das receitas do clube, o limite considerado saudável.
Muita gente sonha que o Corinthians fosse uma empresa. Mas, se já fosse uma com os números atuais, teria fechado as portas faz tempo.