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Opinião Esporte Como CPB se tornou modelo de gestão no esporte e exemplo para o mundo Andrei Kampff Colunista do UOL 26/02/2026 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Edenilson Floriani celebra medalha e recorde mundial no Mundial de atletismo paralímpico Imagem: Cris Mattos/CPB Participei, na última segunda (23), do Summit Brasil Paralímpico, edição especial de Direito Esportivo, realizado no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. O encontro reuniu ministros, membros do TCU, parlamentares, juristas, gestores e atletas para discutir algo que, há anos, defendo neste espaço: o esporte precisa de estrutura institucional sólida. Na palestra magna, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes sintetizou o espírito do evento ao afirmar: "A inclusão não é favor, benevolência, é direito do cidadão e uma obrigação social do Estado. Portanto, é política de Estado." Juca Kfouri Que vergonha. Vai te catar, Bahia! PVC Choque-Rei terá líder x vice-líder do Brasileirão Alicia Klein Está na hora de cobrar mais de Ceni e do Bahia? Daniela Lima Justiça enfim chegou para quem quis calar Marielle A frase desloca o debate. Inclusão não é programa eventual. É compromisso institucional. E compromissos institucionais exigem governança. O CPB como referência de gestão Não é por acaso que o Comitê Paralímpico Brasileiro se tornou a primeira entidade esportiva do mundo a obter certificação ISO relacionada a práticas anticorrupção e compliance (ISO 37001 e ISO 37301). Trata-se de reconhecimento internacional de um sistema estruturado de integridade. Em artigo que escrevi em 2024 no Lei em Campo , destaquei que o CPB vinha se consolidando como referência de gestão no esporte brasileiro, com planejamento estratégico, transparência, controles internos e profissionalização administrativa. A certificação internacional não surge como fato isolado, mas como consequência de um modelo institucional amadurecido. Enquanto parte do esporte nacional ainda convive com crises recorrentes de governança, o movimento paralímpico optou por institucionalizar processos, reduzir dependências personalistas e fortalecer mecanismos de controle. Essa transição de um modelo centrado em figuras de liderança para um sistema de processos auditáveis é o que separa o amadorismo da excelência. Ao adotar as ISOs, o CPB não apenas blinda sua reputação, mas cria um ativo de confiança que é fundamental na captação de recursos privados e na manutenção de parcerias públicas. A mensagem é clara: a eficiência no campo (ou na pista) é um reflexo direto da higidez nos escritórios. É a prova de que a gestão profissional não é um custo, mas o investimento mais seguro para a continuidade do alto rendimento. Continua após a publicidade Isso não é detalhe técnico. É mudança de paradigma. Modelo a ser explicado, debatido e replicado. Governança e compliance: da retórica à cultura Durante muito tempo, governança no esporte foi tratada como reação a escândalos. Hoje, ela precisa ser compreendida como política permanente. Compliance não é cartilha para cumprir formalidade. É sistema vivo: mapeamento de riscos, prevenção de conflitos de interesse, canais de denúncia efetivos, auditorias independentes, transparência ativa e cultura organizacional orientada por ética. O esporte movimenta recursos públicos, patrocínios privados e exerce função social relevante. Nesse contexto, a adoção de padrões internacionais - como as normas ISO obtidas pelo CPB - representa compromisso com previsibilidade, segurança jurídica e confiança institucional. Governança não enfraquece o esporte. Fortalece. Continua após a publicidade A resistência à implementação de mecanismos de controle rígidos muitas vezes se escuda no argumento da "autonomia desportiva", mas é preciso entender que autonomia não é salvo-conduto para a opacidade. Uma cultura de conformidade real exige que o compliance permeie todas as camadas da organização, desde o conselho deliberativo até o estafe técnico. Quando a ética deixa de ser um discurso de conveniência para se tornar o filtro de cada decisão administrativa, o esporte brasileiro ganha a musculatura necessária para se proteger de ingerências indevidas e garantir que o direito à inclusão, citado pelo ministro Gilmar Mendes, seja efetivado com recursos bem geridos e destinos rastreáveis. O futuro institucional do esporte brasileiro Há anos sustento que o grande desafio do esporte brasileiro não está apenas na formação de atletas, mas na formação de instituições. O exemplo do CPB demonstra que é possível alinhar excelência competitiva e excelência administrativa. Mostra que inclusão, quando tratada como política de Estado, exige estrutura. E que estrutura se constrói com regras, controles, métricas e responsabilidade. Se o esporte brasileiro quiser romper definitivamente com ciclos de instabilidade e crises de credibilidade, precisará abandonar a lógica do personalismo e investir na institucionalização. Processos importam. Auditorias importam. Transparência importa. Medalhas são conquistas visíveis. Continua após a publicidade Governança é legado invisível, mas é ela que garante que as medalhas continuem a existir. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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